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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"A Alfarrobeira... é uma árvore extraordinária!"


arvoresdeportugal.net

A crónica de hoje é uma resposta a um repto de um amigo, visitante assíduo do blogue, que me reencaminhou um link do Diário do Notícias, que apresenta um vídeo do Nuno da Câmara Pereira sobre a Alfarrobeira. Em relação à alfarrobeira, sinto-me como "peixe na água". É uma árvore pela qual tenho uma estima imensa e à qual me encontro "umbilicalmente" ligado. Fui o responsável pela caracterização das principais variedades de alfarrobeira de Portugal, enquanto tive mais directamente ligado à universidade do Algarve, mas mesmo em Viseu tenho continuado a acompanhar de perto este taxa, que é um exemplo de sustentabilidade, de tradição e de inovação. Hoje, estamos a iniciar um outro projecto com uma outra planta que, tem muito em comum com a alfarrobeira, o Cardo! Curiosamente, falei há poucos dias com um jornalista do Diário de Notícias, jornal que publicou esta noticia, para fazermos a divulgação de um campo de recursos genéticos do cardo que será um instrumento fundamental para a valorização desta planta. Estou a aguardar que me contacte para levarmos a efeito essa noticia, em que os meus alunos e os outros investigadores envolvidos, para além da APPACDM terão o papel de destaque. Mas hoje falemos de curiosidades da alfarrobeira, cujo nome científico é Ceratonia siliqua L. O carat, uma medida de peso com 0,200 g que serve para pesar metais preciosos, que deriva do peso médio das sementes de alfarroba. A designação inglesa de "Locust bean" ou "St. John Bread", deriva de uma confusão bíblica que São João Batista alimentava-se de gafanhotos (locust) e mel silvestre, quando provavelmente seria alfarroba e mel silvestre. Estas são apenas algumas curiosidades de uma árvore, notável no que tem a ver com a sustentabilidade ecológica de uma região, por prevenção da erosão dos solos e do risco de incêndio. Não nos podemos esquecer que os grandes incêndios no Algarve de há alguns anos pararam nas alfarrobeiras. A produção de biocombustíveis a partir da alfarroba, é uma questão de tempo, com a grande mais valia de não se estar a degradar o solo para a sua produção, como acontece com outras culturas intensivas. Em relação à cosmética, farmacêutica tem aplicações muito diversificadas. Hoje,  planta-se intensamente no Alentejo e simultaneamente a fazer a reconversão de muitos pomares, com a intervenção de um exímio enxertador e viveirista de alfarrobeiras, o Sr. Cabrita, da região de Algoz. Muito brevemente terei de lhe dar um abraço e ver as novidades que anda a criar, proque existe uma respeito mútuo de reconhecimento de algum (pouco) trabalho que se tem feito. Aproveito para dar um abraço aos meus amigos Sr. Caetano, apelidado carinhosamente por Mr. Carob (Sr. Alfarroba), das pessoas no mundo que mais sabem sobre a alfarrobeira e ao Eng. José Manuel Graça, vice-presidente da autarquia de Loulé que me inciou nestas lides da alfarroba. Alfarroba.... sempre! Caso queiram saber mais sobre alfarrobeira é só pedir...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

É preciso ter ...."Querença"...também nas Terras do Demo!

A Universidade do Algarve lançou um Projecto em Querença, Loulé, “Da Teoria à Acção – Empreender o Mundo Real” com intuito de inventar um novo futuro: esta é a mensagem deixada por este projecto em Querença, que reúne conhecimento, vontade de mudar e acção colectiva. O objectivo consiste em mostrar uma "luz de esperança" para inverter a tendência para o despovoamento do interior do Algarve. Um grupo de nove finalistas universitários seleccionados pela Universidade do Algarve apresentou-se na aldeia de Querença, concelho de Loulé. Aqui vão viver e trabalhar nos próximos nove meses, cada um com a sua missão. O objectivo global é dar nova vida a uma terra que está a definhar. À chegada a Querença, Marlene, uma das eleitas deparou-se com "um lugar tranquilo", que puxou pelas memórias de infância. O sino da igreja anuncia as 13h, quebra o silêncio e abafa o canto da cigarra. O calor aperta, os aldeões juntam-se no café da D. Rosa, a olhar os forasteiros. Chega uma equipa de reportagem da SIC para um "directo", as atenções, por momentos, viram-se para o carro de exteriores da televisão. "O facto de estarmos num sítio isolado não nos limita, dá-nos mais responsabilidade", diz o vice-reitor da Universidade do Algarve, Sérgio Jesus, no discurso de apresentação do projecto. É a primeira vez que esta instituição universitário põe "à prova" os conhecimentos dos alunos, num projecto que pretende contrariar a tendência para o despovoamento no interior. "Os desafios são grandes", reconhece António Covas, coordenador científico do projecto. Francisco Ferro, 27 anos, licenciou-se em Filosofia e em Engenharia Agronómica. Vem de Évora, prepara-se para recuperar hortas dos vales verdes da fonte da Benémola. "É preciso é ter abertura de espírito para ir de encontra às novas realidades", diz, destacando a singularidade deste território rural, encaixado entre o barrocal e a serra do Caldeirão. "Vamos trabalhar em equipa". Anseia-se pelo surgimento de iniciativas que levem alguns destes estudantes a desenvolverem a sua própria empresa na aldeia. É essa, também, a expectativa da Câmara de Loulé e da Fundação Manuel Viegas Guerreiro que, em conjunto com a Universidade do Algarve, apresentaram uma candidatura ao Instituto de Emprego e Formação Profissional, para dar corpo a esta ideia, que envolve diferentes áreas científicas. Luís Caracinha, 22 anos, licenciado em Design e Comunicação, acha que pode "ajudar a dar a volta" à forma como esta aldeia perto da serra se poderá ligar à "aldeia global" e aos milhares de consumidores que procuram produtos ecológicos. A colega, Sara Fernandes, que se licenciou em Restauração e Catering e está a fazer um mestrado em Marketing, já pensa em comercializar "tartes de frutos silvestres" e valorizar o património gastronómico. O padre Carlos Matos juntou-se aos jovens à hora do almoço e deixou uma sugestão: "Não se esqueçam dos pratos típicos". Um dos mais conhecidos é o guisado de galo velho. A visita à igreja ficou agendada para uma próxima oportunidade. Luís Caracinha, de Cuba, é membro de um conjunto de música erudita, Esfinge. Por isso, virou o ouvido quando o pároco disse que existe um coro da igreja e que no final dos ensaios "come-se uns bolinhos e bebe-se um licor", sugerindo que o licor, às vezes, pode ser trocado por medronho. Isto é do domínio “público” e foi publicado no público. Eu não sei o que está por detrás desta ideia “carnuda e sumarenta” como a baga do medronho. O que sei é que conheço Querença, o tal guisado de Galo velho, comido no centro da vila, o licor de farrobinha, bebido ao lado num ambiente requalificado sob ponto de vista arquitectónico, enquanto vagueava na busca da biodiversidade da alfarroba por aquelas bandas. Devo-o ao Eng. José Graça, um amigo, colega na Universidade do Algarve, na AIDA, actual vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé, e ou muito me engano ou por detrás esta ideia está o seu pensamento, assertivo e pragmático que não embarca em lirismos. Este é um projecto para acompanhar com atenção e esperar que consiga almejar o sucesso. E quanto a nós?…não precisamos de reinventar a roda mas sabermos adaptarmos os projectos Premium às nossas realidades Beirãs, que não parecendo, têm muito em comum com o barrocal Algarvio. Afinal o nosso umbigo não é o centro do mundo!