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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Seara foi colhida..."Foice"




O Mestre deixou-nos!


Senti uma necessidade imperiosa de "forjar" duas linhas acerca de um homem que, juntamente com Aquilino Ribeiro, me serviu de inspiração para muitas das "ideias surdas sem eco" que tivemos para Barrelas. Considero-o como o eixo da minha relação "umbilical" a Vila Nova de Paiva. Nem sei como será a minha relação com aquelas gentes, daqui para a frente. Até eu tenho receio! Este tipo de "sementes" de grande perenidade, à semelhança da castanha, é de diáspora limitada, e muito embora "os homens de bem se possam rever nos filhos e vindouros", não é nada fácil fazer vingar este espírito nos tempos de hoje. Este Homem, para mim a "Alma da Nave" como que embarcou e ficará a luzir para sempre no céu das "Terras do Demo" ao lado de outras estrelas que ajudaram a moldar o chão duro daquelas terras, por onde "nem Cristo rompeu as sandálias". Pode ser que num próximo festival de astronomia alguém possa identificar mais esta estrela, porque estas não são cadentes. O senado de Vila Nova de Paiva ficou mais pobre com a perda deste Senador e que pena não terem sabido em vida ouvir mais os seus Conselhos. Agora não sei se ele ainda os quererá dar. Lembro-me de falar do potencial agrícola do solo de Barrelas, "negror do granito desfeito pela erosão, da urze mineralizada e do tempêro dos currais Da sua astúcia e visão para a criação de engenhos agrícolas e hidráulicos, porque tratava a física por tu, da forma mais dificil possivel que é a mais simples. Lembro-me das batatas do Aquilino, sim aquelas batatas que fazem o bife. E já agora e a propósito de ideias surdas, não se pode admitir que as Terras do Demo, não tenham um queijo artesanal de grande qualidade, de cabra...ou do que for. O queijo é o maior ícone das terras e saberes rurais porque congrega vários e diversificados saberes. Um Terra culta que se preze tem que ter um queijo de eleição. Enquanto esse não surje, votemos no da Serra da Estrela porque está prestes a ser uma das maiores sete maravilhas.


A foto ilustra um dos momentos mais gratificantes que tive com o Mestre João Coelho e com muitos outros amigos do Aquilino Ribeiro e de Vila Nova de Paiva no Teatro Viriato, no dia 17 de Novembro de 2005. De pouco serviu senão para alimentar o Ego.


O título não sendo feliz é um elogio às palavras vividas na primeira pessoa da Alexandra, provavelmente a sua maior confidente em Vila Nova de Paiva, depois da sua esposa a D. Cila a quem lhe deixo um grande beijinho e da família mais próxima a quem deixo o meu mais sincero lamento e pesar por esta partida inesperada ... apesar das vivências de uma vida completa...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

AS SEARAS

São modestas as searas... da minha terra, laboriosas e nobres em cada mão que gentil parte o pão.
São de Julho os grãos pendentes, cabeças baixas sob o astro, altivas sobre a terra para depois, escondidos em arcas escuras, se esquecerem da sua divindade.
São assim de centeio humilde estes milagres da saciedade, de espigas prenhes que murmuram... promessas e de gerações que deles dependeram... sofridas.
Assim são hoje guardadas as minhas modestas searas... possuídas em cada olhar e memoradas em simples oração.
Sentado na terra. Encontrei-o assim, há dias. Sentado na terra mas com o olhar fixo nos céus.
Ontem, como um prenúncio que só mais tarde se identifica como tal, fotografei-o repetidamente com a minha mente. Nunca o tinha feito. Sob uma luz benfazeja que compreendia a origem de tal serenidade, apercebi-me dos detalhes exteriores da sua singularidade.
Esperou pacientemente que terminasse o trabalho irrepetível, duro como o granito da Serra da Nave, como um herói que se sacrifica pela sua causa e tombou enfim por terra, sem protestos ou lamentos, digno e belo.
O peso da sua exuberância, o exagero da sua força interior, prenderam-no ironicamente àquela terra da qual parecia querer fugir, a mesma que nutria afinal todo o seu sonho de fazer o que ainda não tinha feito.
O silêncio e eu sentámo-nos pensativamente a seu lado.
Indiscritível definir este Mestre.
Nem palavras, nem cinzéis, nem acordes, nem pincéis são gargantas deste grito.
Universo em expansão. Pincelada de zarcão, desde mais infinito a menos infinito…
Sempre a indesencorajada força do Mestre, resoluta indo à luta. Sempre de ávidos olhos, hurras, palmas de boas-vindas, um ruidoso aplauso, curioso e por fim não convencido, lutando hoje como sempre, batalhando e acreditando como sempre.
São as vivências de uma vida completa…



Alexandra Campos