sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Estes são os nossos Heróis...



"A equipa BIOPELLETS será a representante do IPV no Concurso Nacional do 8º PoliEmpreende que ocorrerá no dia 14.09.2011, no Instituto Politécnico de Lisboa".


Este constitui um projecto actual que pretende reinventar o papel dos matos no “mundo rural”, inovando e dando resposta às preocupações, motivações e oportunidades deste nosso tempo.

O papel dos matos no passado e no futuro…do nosso tempo!

"[Nave] Para o cume da serra, onde o marco geodésico acusa os seus 1110 metros de altitude, a vegetação predominante é a urgeira, de que o indí­gena extrai o carvão para as forjas, e o mato galego, em que entra toda a casta de arbustos, sargaço, fieito, carpanta, bela-luz, rosmaninho, esteva, etc, etc. Estas plantas estão ali desde o tempo das cavernas e acusam proporções inusitadas. Uma haste de carqueja chega a medir mais de dois metros de altura".
Aquilino Ribeiro

Este projecto procura contribuir para dar respostas estratégicas a grandes desafios que se colocam ao nível da evolução da: distribuição populacional através da concentração acelerada das populações em grandes centros populacionais com as concomitantes tendências, problemas, desafios e oportunidades do abandono do território rural; das alterações climáticas com particular ênfase nas regiões mediterrânicas e das questões de economia e ambientais relacionadas com a evolução do custo das matérias-primas e do cumprimento das metas de emissões de carbono, permitindo que territórios rurais, julgados como de risco se possam assumir como espaços de oportunidades num futuro próximo.

Com o objectivo de mitigar as alterações climáticas a prazo, é necessária uma transição gradual do uso de energia fóssil para fontes de energia renováveis. A biomassa assume neste cenário, a possibilidade de procedermos a esta transformação de forma rápida e pouco onerosa. Há um acrescido interesse a nível mundial na geração de energia a partir de fontes de biomassa, como uma forma alternativa privilegiada de carbono neutro, aproveitando o processo cíclico contínuo existente nos ecossistemas de troca de carbono entre fontes biológicas e o ambiente. É difícil prever as repercussões que estas alterações podem atingir em determinados ecossistemas, nos quais os países do Sul da Europa são dos mais susceptíveis. Os prejuízos farão sentir-se não apenas no ambiente, mas também na economia e na saúde e bem-estar humano.

Esta projecto assume-se como uma forma de produção energética amiga do ambiente (Eco-fiendly) e ecológica e socialmente sustentável que integra princípios como: Carbon Neutral (Carbono Zero) Carboneutral - Numa perspectiva química o carbono constitui o elemento base, que pode ser queimado por oxidação para a produção de energia calorífica, que pode ser convertida noutros tipos de energia. Do ponto de vista ecológico os biopellets podem ser considerados um material combustível ideal por serem considerados carbono zero, através da criação de um “ciclo de carbono fechado”; Safety energy (segurança) Safenergy - Biomassa na forma condensada de Pellet, designado por Biopellets, oferece um conjunto de vantagens dos quais se destacam a facilidade de manuseamento e transporte, combustão apropriada, aplicações diversificadas; Clean energy (Energia Limpa) Clenergy - Os Biopellets tem a capacidade de reduzir os níveis de NOx e SOx para além de reduzir as emissões globais de CO2 pelo facto de ser carbono zero. A redução dos níveis de NOx deve-se também aos reduzidos níveis de azoto nos biopellets. A redução do SO2 resulta da substituição de um combustível rico em enxofre por um deficiente em enxofre e um combustível deficiente em cálcio por um rico. Como os Biopellets têm um elevado teor um hidrogénio volátil, pode ser aplicado com sucesso em procedimento de redução; Environmental and Landscaping Sustainable (Paisagística e ambientalmente sustentável) – Environmenergy - O objectivo consiste na produção de energia, com as mais variadas aplicações, de uma forma ambientalmente sustentável, criando uma actividade de recolha de biomassa disponível na natureza, normalmente não usada neste propósito, tais como matos (giesta, tojo, urze, etc.), espécies invasoras (acácias, robinias, etc.) e outros resíduos florestais e agrícolas. Concomitantemente será incentivada a produção de material lenhoso de espécies arbustivas (matos) em ciclos curtos e com itinerários técnicos cujo balanço energético seja positivo, salvaguardando a erosão dos solos e a emissão de carbono através de queimas in situ de material lenhoso provindo das actividades agro-florestais. Com este propósito esperamos contribuir por um lado para a dinamização de uma actividade empresarial em meio rural, através da implementação de uma nova actividade em territórios tendencialmente desertificados. Por outro lado, pretendemos contribuir para dinamizar a limpeza da floresta, e fomentar actividades de produção agrícola diminuindo assim o risco de incêndio e erosão do solo, preservando a biodiversidade e potenciando o valor económico das espécies autóctones acrescentando valor à preservação e salvaguarda da paisagem e promovendo a criação de outros actividades económicas promotoras do turismo em espaço rural como a cinegética, a recolha de material vegetal com valor acrescentado em indústrias de valor acrescido com a perfumaria, cosmética entre outras. Desenvolvimento de produtos e serviços inovadores eco-friendly que obedeçam à lógica da protecção ambiental, progresso económico e desenvolvimento social alicerçado no mundo rural com visão universal. Neste ponto destacamos a produção de pellets aromatizados (obtidas a partir da mistura com plantas aromáticas), criando assim um segmento único e inovador na comercialização de pellets. Carbon Footprint Reduction (Redução da pegada ecológica) Closenergy – Privilegiar uma política energética de proximidade. Este tipo de recurso energético, ajuda a preservar e valorizar a paisagem de uma região, aliás na mesma lógica da alimentação, privilegiando “A Paisagem como Fonte de Energia Sustentável”.

O projecto procura ser consequente no objectivo económico da gestão e valorização do território rural, promovendo a dinamização do mundo rural através da: produção agrícola de vertentes diversificadas, produção energética neutra, segura, limpa, sustentável e de proximidade; investigação, desenvolvimento e inovação associada à produção agro-florestal e consequente criação de emprego e fixação de populações. Fazer tudo isto com um forte plano de negócio que contemple planos de educação e formação, marketing e comunicação que ajudem a mudar as mentalidades através de informação perceptível e tangível assente em informação técnico-científica credível e suportado nas mais valias económicas e na promoção e defesa do ambiente e da biodiversidade.

Fazemos votos que a equipa Biopellets consiga convencer os elementos do júri das mais valias deste projecto e cá ficaremos todos a “torcer” pelo sucesso deles que será também o sucesso da ESAV. Não nos podemos esquecer que estamos num patamar exigente e que em compita estarão seguramente outros projectos meritórios e quiçá em áreas mais apelativas como as da saúde entre outras. O chegar a esta fase já constitui um mérito e seguramente que todos já aprendemos e muito com este processo, mas já que chegamos aqui…

Boa sorte...acreditem nos vossos méritos e... demonstrem-nos!

É preciso Providenciar um Futuro...com Cautela!

Crónica a publicar... dependente da celeridade judicial.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ESAV, inova na divulgação e promoção...do Chocolate!

A ESAV, desenvolveu um conceito inovador para a sua divulgação na Feira do Vinho de Nelas, disponibilizando o seu espaço para uma empresa de venda de chocolates. Existem fórmulas que não falham!
A isto há quem chame Marketing e Entrepreneurship.
A propósito de chocolate, numa breve pesquisa sobre o potencial da Tilia, durante o Séc 18, o químico Francês, Missa descobriu que a maceração de frutos não maduros desta árvore em conjunto com flores secas proporcionam um aroma achocolatado. O processo contudo apresentou algumas limitações no que se refere à preservação do aroma por um periodo mais lato, razão pela qual não foi devidamente explorado comercialmente...Se a ESAV tem vocação para o chocolate porque não estudar este assunto mais a fundo?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Palavras...






























Palavras de direito e de avesso,
sentidas e pensadas.
Palavras ditas ora na ponta da língua,
ora de coração na boca.
Palavras segredadas ao ouvido, com mágoa ou doçura,
mordazes e muito críticas.
Palavras que redimem, perdoam,
sorriem ou espantam.
Palavras seladas, sagradas, malditas,
abençoadas e pecadoras.
São elas secretas, setas e tretas.
São elas marionetas e bicicletas, sardas e fardas.
Palavras apenas…
Palavras emaranhadas…
São as palavras a simples sintonia
a subtileza de gestos simples que,
revelam pensamentos e vontades.
Cada gesto uma palavra.
Cada movimento uma melodia.
Aprenda a ler a ternura de um gesto,
na nudez simples do afecto,
prenhe de palavras que eu não digo,
você não diz,
mas que criam raízes…



Alexandra Campos



Muitas mais palavras haveriam para exprimir, para agradecer um simples gesto como é o de oferecer uma Flor… Não podia deixar de repartir um simples gesto, com a particularidade de ficar para todo o sempre.

A Seara foi colhida..."Foice"




O Mestre deixou-nos!


Senti uma necessidade imperiosa de "forjar" duas linhas acerca de um homem que, juntamente com Aquilino Ribeiro, me serviu de inspiração para muitas das "ideias surdas sem eco" que tivemos para Barrelas. Considero-o como o eixo da minha relação "umbilical" a Vila Nova de Paiva. Nem sei como será a minha relação com aquelas gentes, daqui para a frente. Até eu tenho receio! Este tipo de "sementes" de grande perenidade, à semelhança da castanha, é de diáspora limitada, e muito embora "os homens de bem se possam rever nos filhos e vindouros", não é nada fácil fazer vingar este espírito nos tempos de hoje. Este Homem, para mim a "Alma da Nave" como que embarcou e ficará a luzir para sempre no céu das "Terras do Demo" ao lado de outras estrelas que ajudaram a moldar o chão duro daquelas terras, por onde "nem Cristo rompeu as sandálias". Pode ser que num próximo festival de astronomia alguém possa identificar mais esta estrela, porque estas não são cadentes. O senado de Vila Nova de Paiva ficou mais pobre com a perda deste Senador e que pena não terem sabido em vida ouvir mais os seus Conselhos. Agora não sei se ele ainda os quererá dar. Lembro-me de falar do potencial agrícola do solo de Barrelas, "negror do granito desfeito pela erosão, da urze mineralizada e do tempêro dos currais Da sua astúcia e visão para a criação de engenhos agrícolas e hidráulicos, porque tratava a física por tu, da forma mais dificil possivel que é a mais simples. Lembro-me das batatas do Aquilino, sim aquelas batatas que fazem o bife. E já agora e a propósito de ideias surdas, não se pode admitir que as Terras do Demo, não tenham um queijo artesanal de grande qualidade, de cabra...ou do que for. O queijo é o maior ícone das terras e saberes rurais porque congrega vários e diversificados saberes. Um Terra culta que se preze tem que ter um queijo de eleição. Enquanto esse não surje, votemos no da Serra da Estrela porque está prestes a ser uma das maiores sete maravilhas.


A foto ilustra um dos momentos mais gratificantes que tive com o Mestre João Coelho e com muitos outros amigos do Aquilino Ribeiro e de Vila Nova de Paiva no Teatro Viriato, no dia 17 de Novembro de 2005. De pouco serviu senão para alimentar o Ego.


O título não sendo feliz é um elogio às palavras vividas na primeira pessoa da Alexandra, provavelmente a sua maior confidente em Vila Nova de Paiva, depois da sua esposa a D. Cila a quem lhe deixo um grande beijinho e da família mais próxima a quem deixo o meu mais sincero lamento e pesar por esta partida inesperada ... apesar das vivências de uma vida completa...

Vila Nova de Paiva

Vila Nova de Paiva
De mãos dadas com a Natureza
Holding hands with Nature...

Toda esta arquitectura,
lenta percussão, perpassa,
sobre cerros sonoros,
com o seu contorno
infixo, fulgurando. Detenham-se
as estrelas quando
for noite, preguem-se
outros pregos de prata
fora do céu visível.
Sons já sem luz. Pastores
poisam as ocarinas, bebem,
entre colinas ocas,
o frio coalhado
pelas tetas das cabras.
Ecoam sons no silêncio,
onde as sombras crescem
a natureza adormecida
nesta Capital Ecológica.


Alexandra Campos
P.S. - Pequenino texto que já não levei, nem li como prometi ao Mestre João Coelho...
Texto que vai ser publicado na edição da Eco-Agenda 2012.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

AS SEARAS

São modestas as searas... da minha terra, laboriosas e nobres em cada mão que gentil parte o pão.
São de Julho os grãos pendentes, cabeças baixas sob o astro, altivas sobre a terra para depois, escondidos em arcas escuras, se esquecerem da sua divindade.
São assim de centeio humilde estes milagres da saciedade, de espigas prenhes que murmuram... promessas e de gerações que deles dependeram... sofridas.
Assim são hoje guardadas as minhas modestas searas... possuídas em cada olhar e memoradas em simples oração.
Sentado na terra. Encontrei-o assim, há dias. Sentado na terra mas com o olhar fixo nos céus.
Ontem, como um prenúncio que só mais tarde se identifica como tal, fotografei-o repetidamente com a minha mente. Nunca o tinha feito. Sob uma luz benfazeja que compreendia a origem de tal serenidade, apercebi-me dos detalhes exteriores da sua singularidade.
Esperou pacientemente que terminasse o trabalho irrepetível, duro como o granito da Serra da Nave, como um herói que se sacrifica pela sua causa e tombou enfim por terra, sem protestos ou lamentos, digno e belo.
O peso da sua exuberância, o exagero da sua força interior, prenderam-no ironicamente àquela terra da qual parecia querer fugir, a mesma que nutria afinal todo o seu sonho de fazer o que ainda não tinha feito.
O silêncio e eu sentámo-nos pensativamente a seu lado.
Indiscritível definir este Mestre.
Nem palavras, nem cinzéis, nem acordes, nem pincéis são gargantas deste grito.
Universo em expansão. Pincelada de zarcão, desde mais infinito a menos infinito…
Sempre a indesencorajada força do Mestre, resoluta indo à luta. Sempre de ávidos olhos, hurras, palmas de boas-vindas, um ruidoso aplauso, curioso e por fim não convencido, lutando hoje como sempre, batalhando e acreditando como sempre.
São as vivências de uma vida completa…



Alexandra Campos