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domingo, 16 de julho de 2017

Estado da Nação...


https://www.rtp.pt/play/p2476/e297885/3-as-11/587564

O estado é um substantivo masculino que deriva do latim Status. Já a expressão o “estado da nação” é quase como um pleonasmo porque normalmente se confunde o “estado” com a “nação” quando, na verdade, percebemos que a “nação” é o todo que inclui as partes. Já uma outra expressão “ao estado a que chegámos” remete-nos para a responsabilidade do “estado” em quase tudo o que de menos bom acontece.
Não querendo meter "a foice em seara alheia” permito-me fazer um comentário geral sobre o atual estado da nação, em particular, no que concerne ao desenvolvimento regional e no acreditar dos recursos endógenos dos territórios de interior e na forma como os podemos potenciar.
Nós temos a fileira dos vinhos como um exemplo paradigmático dessa capacidade e desse potencial. Acreditamos, estudamos e potenciamos os nossos recursos genéticos, designadamente as nossas castas, a capacidade empírica e tecnológica das nossas gentes e empresas que estamos a promover no mundo com uma estratégia de marketing forte e concertada. Tudo isto assenta numa identidade exclusiva do nosso património genético, na nossa cultura da vinha e do vinho que desenham a diversidade das paisagens e do enoturismo, neste “recanto à beira mar plantado”. É esta corrente que nasce no interior por entre vales e serras, florestas e pastagens que chega aos grandes centros de uma forma evoluída e personalizada para ajudar a promover o melhor que um País pode ter, a diversidade das suas culturas traduzidas em produção, sentimento, criatividade e inovação.
Outros sectores, como o da fileira dos queijos, deviam seguir este exemplo, mas para isso seria preciso um apoio mais efectivo e uma estratégia concertada, buscando sinergias e procurando deste modo a resolução de muitos dos seus problemas. A dinamização destes sectores poderiam contribuir igualmente para a sustentabilidade destes territórios, designadamente, através da prevenção dos incêndios nas florestas. Mas aqui rapidamente percebemos que, de uma forma genérica, as ações praticadas e a implementação dos programas e das estratégias do estado não vão ao encontro das necessidades nem daquilo que se apregoa. Na maioria dos casos quando o fazem é em prol de uns poucos através de estruturas que têm canais de acesso à informação e decisão privilegiadas. Não vamos voltar à conversa das “camas dos animais”, mas os animais são, sem qualquer sombra de dúvida, fundamentais para a salvaguarda, promoção e valorização do espaço rural e da floresta em particular. Os animais são os primeiros “sapadores da floresta”, sendo que não retiram mérito nem substituem os grupos de sapadores florestais que são fundamentais para o delineamento e execução de planos de prevenção. Estes são muitas vezes difíceis de justificar, porque não se tem a noção da estimativa do risco e a exata quantificação dos prejuízos no pós trauma.
Uma outra questão tem a ver com a valorização dos recursos da floresta, para que se possam ir retirando dividendos “palpáveis” ao longo dos anos. Aí, a inovação aliada ao setor técnico-científico tem um papel relevante a desempenhar, onde os Institutos Politécnicos em parceria com os principais Centros de Investigação e Desenvolvimento devem colaborar activamente. A proximidade geográfica e o conhecimento técnico e prático de uns e a capacidade científica e tecnológica de outros são uma simbiose estratégica fundamental que só pode redundar em êxito, através de uma escolha criteriosa de investigadores e dos respetivos consórcios.
O debate actual do Estado da Nação não pode fugir aos últimos e trágicos acontecimentos de Pedrógão Grande que “puseram a nu” algumas das fragilidades da atual política do desenvolvimento do interior pela qual eu não ponho as “mãos no fogo”. Obviamente que temos casos de sucesso, mas infelizmente são ainda poucos e “uma árvore não faz a floresta”.
Eu assisto à análise das candidaturas de projectos e vejo a falta de sensibilidade dos decisores, a reduzida massa crítica tecnicamente válida para ocupar cargos políticos neste interior e que normalmente se assumem como meras extensões das estratégias decididas na capital. E se por alguma vez quiserem ter um “rasgo de lucidez” para agitar um status quo, rapidamente moderam o ímpeto e colocam toda a veemência no vibrar da haste da bandeira que ostentam.
Para decidirmos o rumo destes territórios, precisamos conhecer muito bem a geografia e as suas gentes. Buscar identidades e diversidade para que os territórios no seu conjunto actuem em sinergia e de forma concertada, através de planos perfeitamente adaptados a cada realidade e que não se apliquem apenas estratégias replicadas e decalcadas. O País é pequeno em escala, mas contém uma diversidade paisagística, cultural e social que merece ser avaliada, valorizada e promovida com os tais empreendedores que muitas vezes fazem a diferença em absoluta consonância com as gentes que aí.
A estratégia tem que partir do cerne, mas para isso temos que eleger quem o conhece na sua essência e não pode ser vistos por “drone” como se todos tivessem floresta, rios, paisagens, artesanato, gastronomia e pessoas. A diferença está na cultura e nas gentes que os moldaram e que saberão seguramente os melhores caminhos para o seu sucesso futuro. Obviamente que não o fazem sozinhos, mas têm que ser os atores principais.
No pós Pedrógão Grande parece que o interior e as suas populações são um problema e que nada acrescentam a uma nação. O País ia tão bem embalado com um crescimento há muito não atingido, muito por força do turismo, e eis que de repente se abateu o demónio, com a “voz de uma trovoada seca”.
Este tipo de crescimento tem que ser analisado com o devido cuidado, para que não estejamos a acentuar uma dicotomia entre grandes centros e espaço rural. Obviamente que os atores do espaço rural têm que se afirmar, mas as regras e as oportunidade têm que ser claras e iguais para todos. Os produtores têm que fazer chegar os seus primores aos grandes centros e pelas vias certas. Talvez a melhor forma de os promover não seja pela mão dos chefs Michelin que palmilham quilómetros à busca de obterem os seus rendimentos e reconhecimento. Já temos exemplos e promessas bastas de ações e eventos, entre os quais o “Queijos à Chef” é um exemplo, que não almejaram atingir os propósitos a que se propuseram.
Uma das estratégias alternativas pode ser aproveitar o sucesso de algumas estruturas e empresas do interior que, fruto de muito trabalho e empreendedorismo, encontraram os canais certos de promoção e que hoje ganharam um capital e reconhecimento nos grandes centros que permitem abrir portas a outros que cumpram os mesmos requisitos de qualidade e que demonstrem essa vontade. O futuro passa por atrair visitas mas no imediato temos que ir onde está o turismo, tirar partido dos milhões de visitantes e ficarmos com o nosso "quinhão" para trazer para cá e redistribuir nos territórios de interior e o exemplo da Chocolateria Delícia pode ser um excelente "abre olhos", porque acredito poderem e quererem ajudar outros que tenham uma qualidade irrepreensível e o mereçam.
Paulo Barracosa

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ao Estado a que Chegamos...mas não é por isso que baixamos os braços...!







Não querendo meter "a foice em seara alheia” permito-me fazer um comentário geral sobre o estado da nação, em particular no que concerne ao desenvolvimento regional e ao acreditar nos recursos endógenos dos territórios de interior eufemisticamente apelidados de baixa densidade.

Nós temos a Fileira dos vinhos como um exemplo paradigmático dessa capacidade e desse potencial. Acreditamos, estudamos e potenciamos os nossos recursos genéticos, designadamente as nossas castas, a capacidade empírica e tecnológica das nossas gentes e empresas e estamos a promover no mundo com uma estratégia de marketing forte e concertada e uma identidade muito própria assente nas nossas castas e na nossa cultura da vinha e do vinho.

Outros setores, como o da fileira dos queijos entre outros deviam seguir este exemplo, mas para isso seria preciso um apoio mais efetivo e uma estratégia concertada, buscando sinergias e procurando deste modo a resolução de muitos dos problemas, pois a dinamização destes setores contribuem para a prevenção dos incêndios nas florestas. Não vamos voltar à conversa das “camas dos animais”, mas os animais são fundamentais para a salvaguarda da floresta. Os animais são os primeiros “sapadores da floresta”.

Uma outra questão tem a ver com a valorização dos recursos da floresta, para que se possam ir retirando dividendos “palpáveis” da floresta ao longo dos anos e aí o setor técnico-científico e da inovação tem um importante papel a desempenhar, onde os Institutos Politécnicos em parceria com os Grandes Centros de investigação devem colaborar ativamente. A proximidade e conhecimento de causa de uns e a capacidade científica e tecnológica de outros são uma parceria estratégica fundamental.

O debate do Estado da Nação não pode fugir aos últimos e trágicos acontecimentos de Pedrógão Grande e que “puseram a nú” algumas das fragilidades que ainda não resolvemos e teremos que mudar muita da nossa mentalidade política para o fazer e eu não ponho as “mãos no fogo” pela atual política de desenvolvimento do interior. Obviamente que temos casos de sucesso na política de interior, mas infelizmente são ainda poucos que “uma árvore não faz a floresta”. 

Eu assisto à análise das candidaturas de projetos e vejo a falta de sensibilidade dos decisores, a falta de massa crítica tecnicamente válida para ocupar cargos políticos neste dito interior que se assumem como meras extensões das estratégias decidida na Capital.

Para decidirmos os rumos dos territórios ditos de interior, precisamos conhecer muito bem esses territórios e as suas gentes. Buscar identidade e diversidade para que os territórios joguem em sinergia. A estratégia tem que partir do cerne, mas para isso temos que eleger quem o conhece na sua essência e não vistos por “drone” como se todos tivessem floresta, rios, paisagens. A diferença está na cultura e nas gentes que os moldaram e que saberão seguramente os melhores caminhos para o seu sucesso. Obviamente que não o fazem sozinhos mas têm que ser os atores principais.

Parece que o interior e as suas gentes são um problema. O Pais ia tão bem embalado com um crescimento já há muito não atingido, muito por força do turismo que tem que ser analisado com o devido cuidado para que não estejamos a acentuar uma dicotomia entre grandes centros e espaço rural. Obviamente que os atores do espaço rural têm que se afirmar, mas as regras têm que ser claras e iguais para todos. 

Fazendo jus ao espaço de gravação, a mensagem é "Alcança quem não Cansa"...ao melhor jeito de Aquilino Ribeiro.

Depois desta ação fui falar com a Manuela de Delícia que deu a dica certa. Temos que ir onde está o turismo tirar partido dos milhões de visitantes e ficarmos com o nosso "quinhão" para trazer para cá e a Delícia pode ser um excelente "Abre olhos" que acredito poderem e quererem ajudar outros que tenham qualidade e o mereçam.