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sábado, 26 de janeiro de 2019

Ora aqui está a terceira...

...ainda não a terceira obra, mas o terceiro momento em que se falou abertamente das obras de Eng. Leontina Fonseca sobre o património arbóreo e florístico de Viseu. Neste caso particular contou com a presença do vereador da Cultura, Dr. Jorge Sobrado que teve a oportunidade de apreciar e comentar a obra da autora. É notório um certo desconforto do poder político Municipal para com a minha pessoa! Não acredito que seja por uma questão de principio ou intransigente, até porque nunca dei razões para isso, mas espero que isso não prejudique o brilhante trabalho que tem vindo a ser realizado pela Maria Leontina Fonseca. Têm-me no Município de Viseu como "Fiscal" da acção municipal sobre os Jardins, quando na verdade apenas fui "conselheiro" durante largos anos, sendo que a autarquia nem sempre concordava, e legitimamente, com as minhas posições. Se propor que a colocação das canalizações de água e gás na Avenida 25 de Abril se fizessem na zona asfaltada do estacionamento é ser "Fiscal" então quero ser "Fiscal" todos os dias, porque assim posso ajudar o Município a tomar decisões acertadas em que todos aprendem, empreiteiros, técnicos do Município, incluindo-me a mim próprio nesse leque! A decisão de substituir o relvado nos separadores centrais das circulares da cidade, por espécies arbustivas é um excelente exemplo para mostrar que o Município sabe o que faz e não é necessário sequer ter a minha opinião. Se me tivessem pedido, eu apenas sugeria que arriscassem um pouco mais na escolha das espécies a instalar, que fossem mais autóctones e que nos diferenciassem de tudo o resto que por aí se faz. Até que se diferenciassem as entradas da cidade e não se replicasse quase ipsi verbis as mesmas espécies, nas mesmas repetições não aludindo às sequência de Fibonacci muito vulgares nas morfologias botânicas.  Mas o que está feito foi um passo certo no sentido de se limitar os gastos em termos de rega de jardim e isso é que é importante, independentemente de as obras terem de terminar no dia X e de terem ganho empresas de Lisboa que depois entregaram a sub-empreitada a empresas de Viseu. Quase que há uma empresa de jardinagem em Viseu em cada entrada da cidade. E se cada uma se responsabilizasse, sob determinadas condições, pela entrada mais próxima dos seus viveiros e que isso fosse o espelho da qualidade da empresa. Ficava mais caro? julgo que não! criavam identidades e diferenciação? Acho que sim! Lembram-se do concurso Internacional dos Jardins em Ponte de Lima, era um pouco adaptar à nossa realidade. Mas quem sou eu para ser "fiscal" da actividade municipal.  Tenho que passar uma parte do tempo na procura de "Mucrões" para identificar genótipos de cardo com interesse para a produção do Queijo Serra da Estrela de excelência. Voltando ao Livro a Leontina colocou na capa do livro uma imagem do Belo Jardim das Mães que ao que julgo saber foi patrocinado pelo Rotary Club de Viseu à qual pertence a USAVIS que promoveu o lançamento deste livro na Biblioteca Municipal de Viseu. Foi uma Bonita Homenagem às Mulheres e em particular a todas as Mães. Agradou-me imenso ver tanta gente Amiga, e muito em particular a Lena, esposa do meu grande Amigo e Paisagista Miguel Thiersonnier Maia Loureiro, do qual sinto imensas saudades e com que privei e colaborei na criação de alguns jardins, bem como na confecção de pratos requintados de cogumelos silvestres onde ele era um Mestre. Dizer que antes de conhecer os políticos de Viseu, alguns, conheci os jardineiros da cidade  e tive a honra de lhes oferecer a primeira Ginkgo biloba que veio para os viveiros da Câmara de Viseu entregue ao Sr. Carlos. Depois mais tarde alguém com responsabilidade política perguntou-me como se chamava uma árvore que eu falava. A Ginkgo! Agradeceu e mandou plantar uma rua delas, sem nunca perguntar se culturalmente seria adequado! Em vez de enaltecermos, banalizamos! A Leontina contou a história do José da Rocha que inviabilizou em determinada altura a construção da Avenida Emídio Navarro e que fez surgir a expressão muito curiosa do "deu em rocha" e por isso não se concretizou. Isto para dizer que para as árvores e para os jardins temos que ter pessoas com sensibilidade sem prescindir do tecnicamente competentes. O jardim é um espaço onde se cultiva a amizade e onde se ganham muitos amigos e por via disso tenho ganho grandes amigos. A propósito na próxima quinta-feira vamos plantar mais um jardim, com reclusos do Estabelecimento de Viseu na casa de um Amigo, tudo isto a pretexto de um Jardim e de uma grande Amizade. Obrigado Luís Abrantes pela confiança que tens nos Jardins! O João vai ser o Maestro do Repasto e eu do preparo! Está combinado?







sábado, 13 de outubro de 2018

Não há duas...sem três...e o que Sobra...Nada!








Jardins da Cidade-Jardim – Aformoseamento natural de Viseu
Lançamento no Museu Grão Vasco, 12 outubro 2018
Considero um privilégio e simultaneamente uma honra “apadrinhar” mais esta excelsa obra da Eng. Leontina, numa área que me é muito grata combinando o conhecimento científico sobre a identificação e valorização da biodiversidade com a sensibilidade de quem a perscruta, onde a minha Amiga é “Maestrina”, sobre uma cidade que adotei como “berço” para as minhas filhas e num palco inspirador como o Museu Grão Vasco.
Gostaria de congratular-me com as Edições Esgotadas (na pessoa da Drª. Teresa Adão) por terem acreditado em mais este projeto da Eng. Leontina, ao qual não serão alheios os méritos obtidos pela autora com o sucesso da primeira obra “Árvores Ornamentais do Património Florístico de Viseu“ lançada neste mesmo local em 08.11.2014. Gostaria de agradecer ao Museu Grão Vasco (no nome da sua Diretora, Dr.ª Paula Cardoso) por terem acolhido esta iniciativa e permitirem-me estar aqui, neste mesmo local passados poucos meses da realização de uma conferência sobre Orlando Ribeiro, para muitos, o mais proeminente geógrafo Português com ligações afetivas a Viseu (Cavernães) onde os passeios com o Avô por estas paisagens e o contacto com estas gentes o inspiraram para ser um dos vultos da Geografia Mundial.
Muitas vezes escolhemos a mesma pessoa para as várias “efemérides” da nossa vida social, Padrinho de Batismo, de Comunhão, de Casamento,….Outras escolhemos estrategicamente pessoas diferentes por razões conjunturais ou de momento, ou por nenhuma razão especial e simplesmente por impulso. Neste caso, eu diria que o facto de ter sido escolhido duas vezes para o lançamento de dois livros da mesma autora, atribui-me ainda uma maior responsabilidade, mas que neste caso é um enorme prazer, por se tratar de uma obra de exceção, escrita por uma Amiga. A Leontina permita-me substituir o título (neste caso de Engenheira) por epítetos que, apesar de os usar de forma espontânea, jamais conseguirei traduzir o respeito que tenho pelo seu carácter e a sua capacidade de trabalho. Nalguma inspiração que procurei ter para este momento, tive que reler o que escrevi há cerca de 4 anos, neste caso para não cair na banal repetição e procurando adequar estas simples linhas à obra em questão e ao momento.
Começando pelo nome da Autora, Leontina, é nome de filósofa, discípula de Epicuro e contemporânea de Teofrastos e Plínio que me habituei a lidar por questões botânicas e agrícolas. De acordo com Cícero, Leontina (a filósofa) publicou argumentos criticando o famoso filósofo Teofrasto “Leontina, aquela mera cortesã, teve a audácia de escrever uma resposta a Teofrasto - acredite, ela escreveu elegantemente e em boa linguagem, mas ainda, essa foi uma liberdade que prevaleceu no Jardim de Epicuro”. Esse tal jardim (na casa de Epicuro em Atenas) era o local onde os amigos equilibram os humores da existência. Uma das máximas de Epicuro diz que todo sofrimento pode ser suportado com serenidade, contudo, não trespassa pela "terapia epicurista" sem respaldo dos amigos. A filosofia epicurista ensina que as relações de amizade são necessárias à manutenção da lucidez. Epicuro viveu uma crise parecida com a qual vivemos no mundo contemporâneo: uma crise em que identidades consolidadas, estáveis, começam a dissolver-se. A lição do Jardim é que para enfrentar as adversidades e ainda se manter feliz é preciso resguardar o prazer de uma vida simples entre amigos. Entre os mais notáveis discípulos de Epicuro está o romano Lucrécio, que no século I a.C., expôs a doutrina epicurista no famoso poema De rerum natura (A Natureza) – uma das obras mais importantes da poesia latina.
Sobre a autora dizer, que desde que a conheço sempre se pautou por uma competência extrema, um rigor científico de excelência, uma enorme sensibilidade e uma lealdade a toda a prova. Mas muitos dos que aqui estão presentes conhecem muito melhor a Leontina do que eu próprio. Uma coisa é certa, a Leontina não é apenas mais uma flor no jardim, mas é uma flor que pela singularidade morfológica, cromática e de aroma atrai e dá nome ao jardim. Não vence pela opulência ou ostentação, mas pela simplicidade e autenticidade, epítetos específicos que associados ao género são extraordinariamente raros nos tempos que correm.
Uma crónica recente do Miguel Esteves Cardoso publicada no jornal Púbico, adequa-se na perfeição ao aturado trabalho de pesquisa que a autora tem feito e que se traduz nesta obra. “Uma coisa é termos jeito para encontrar coisas no Google. Saber fazer uma pesquisa é outra. Antes da Internet quando se falava de uma pesquisa falava-se de um trabalho de investigação em que se acumulavam e se ordenavam dados provenientes das mais variadas fontes (livros, jornais, documentos inéditos, entrevistas pessoais) de maneira a estabelecer um estudo original de um tema importante. É preciso estudar só para aprender a pesquisar. A Internet enriquece as pesquisas mas obviamente não substitui as outras fontes porque aquilo que está na Internet é uma pequeníssima parte do que está nas bibliotecas e hemerotecas públicas e particulares”. A informação histórica de relevo que é descrita na obra é fruto de uma intensa, pormenorizada e desafiante pesquisa, realizada no silêncio do folhear das memórias escritas do passado, procurando encontrar as linhas soltas que se possam unir para voltar a cerzir a história do futuro. Este conhecimento histórico consubstanciado é de uma importância extrema para a projeção do futuro da cidade nas oportunidades que esta mesma história nos dá para os desafios dos novos tempos. Neste tempo de competição pelo efémero do turismo e dos “vistos gold”, apenas aquelas cidades que souberem criar a sua identidade baseada na construção da memória poderão fazer a diferença e terem sucesso na compita à escala global para captarem população e investimento. Por isso, obras desta natureza, ajudam-nos a compreender, a preservar e a projetar a memória e as árvores são a forma mais elevada de a propalar. Khalil Gibran dizia que as “Árvores são poemas que a terra escreve para o céu”. Não é por acaso que nós as derrubamos e as transformamos …para registar uma parte da nossa memória coletiva. Talvez por isso quando nos deparamos com uma simples folha branca a inspiração toca-nos, por isso alguns autores insistem em escrever à mão e também por isso não prescindimos de folhear o papel para ler, para escrever e para pesquisar. Há muita memória numa simples folha branca, saibamos respeitá-la e juntar, a nossa, à voz coletiva, não em uníssono mas em diversidade, complementaridade e sinergia.
Esta obra é uma homenagem à cidade e aos seus jardins pela mão dos criadores, os jardineiros. Ajuda-nos a interpretar o genius loci de cada artéria, avenida, rotunda, jardim ou parque, estabelecendo uma relação “simbiótica” entre a morfologia e a estética paisagística, associadas à cultura e história de Viseu, cidade-jardim da Beira. A sensibilidade que a autora procura despertar, cultiva-se muito pelo olhar e admirar o belo e o pormenor mais do que simplesmente pelo ver. Estabelece relações cromáticas e morfológicas na notável biodiversidade de tons, cores, matizes, formas, sombras e sensações que podemos desfrutar em cada um dos espaços que são património da cidade, e no qual cada um dos leitores terá a liberdade de fazer a sua interpretação, encontrando em cada momento, face à estação do ano e luminosidade do dia, enquadramentos e testemunhos de exceção que passarão a constar no recanto da nossa memória coletiva. Estas viagens podem ser repetidas indefinidamente, havendo a certeza que cada vez que as realizarmos, será como uma semente que depois de germinar passará a contar uma nova história.
Esta  obra é um presente, nos vários sentidos da palavra, mas acredito que irá perpetuar e lançar projetos de futuro na cidade, assim os atores o queiram, no que respeita à valorização do património arbóreo, no ambiente, na ciência, na arte e na cultura que podem ter repercussões económicas, hoje tão em voga. Mas acima de tudo que seja uma obra que desperte a sensibilidade e o respeito por estes elementos vivos que gravam cada momento num registo dendrológico, como que de uma memória se tratasse, recordando as árvores como guardiãs deste planeta desde tempos imemoriais. Esta é uma cidade que não se deve “envergonhar” da sua ruralidade, mas que a deve cultivar para proclamar a inovação do futuro, tão anunciada pela Comissão Europeia e em particular pelo Comissário da Investigação, Ciência e Inovação, Eng. Carlos Moedas. Mas para isso ainda é preciso investir em meios e no conhecimento. Eu quero acreditar que a nossa cidade possa contradizer o ditado “Santos da casa não fazem milagres” e aproveitar toda a sabedoria e vontade de transmitir que a Autora tem demonstrado ao longo da sua vida.
A cidade de Viseu é daquelas que cuida bem o seu património arbóreo, por mérito próprio, embora eu entenda que não tenha sabido aproveitar para divulgar tudo o que de bem tem feito nesse sentido. Peço a todos, independentemente das responsabilidades que tenham, que leiam esta obra, também as entrelinhas onde está a tal memória implícita do papel que veio da árvore e que dessa combinação possam surgir ideias e projetos de cidadania em prol desta Polis.
Confesso que para mim foi um enorme prazer ler esta obra e perceber que me cruzei com alguns dos momentos descritos, embora também tivesse sentido que em tempos muitos idos já se trataram os jardins, as árvores e as efemérides relacionadas, como posteriormente não veio a acontecer e que eu particularmente o senti e me debati. Para aqueles que são mais atentos à cidade e à leitura terão a oportunidade de assistir a uma série de coincidências dos tempos de idos com os tempos de hoje. Não vos vou tirar o prazer da leitura original desta obra mas sugiro que reparem nas belíssimas histórias das primeiras iniciativas da festa da árvore, da inusitada presença do tulipeiro ou do ulmeiro no Rossio, que por exemplo a Fundação Calouste Gulbenkian já teve que abater, dos verdadeiros responsáveis pela plantação de algumas espécies emblemáticas da cidade como as Tilias e mais recentemente as Ginkgos e acima de tudo pela verdadeira atitude de cidadania colectiva de guardião da nossa cidade que foi realizada por António Nunes Peres no zelar pelo património paisagístico da cidade de Viseu.
Termino com Fernando Pessoa
“Segue teu destino, rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias.”
À Autora, Amiga Leontina, a Todos aqueles que tornaram possível e testemunharam a saída desta obra para o prelo, Muitos parabéns e um enorme Bem-haja!

O lançamento deste livro foi uma Delicia!

P.S. Ofereço uma prenda simbólica adequada ao tema uma caixa de bombons de freixo produzidos pela única chocolateria no Mundo que o faz, ….a Chocolateria Delicia…para a Autora Eng. Leontina Fonseca,  para a Dra. Paula Cardoso (Diretora do Museu Nacional Grão Vasco) e para a Dra. Teresa Adão (Diretora das Edições Esgotadas).

terça-feira, 6 de junho de 2017

O conhecimento da Biodiversidade Urbana em Viseu traduzido pelo Prof. Jorge Paiva e pelos meus Amigos...

...Dr. Alberto Correia, Eng. Leontina e Doutor Pedro Ribeiro. No âmbito de uma inciativa do Departamento de Ambiente da ESTGV, realizou-se uma jornada apelidada Eco Urb que procurou explicar as novas e velhas tendências da biodiversidade, traduzida por um dos maiores conhecedores da biodiversidade mundial, muito em particular das florestas tropicais, que nos revelou a forma atual como a fauna das urbes se está a alterar com a chegada de novos "inquilinos" aos nossos espaços públicos, que em algum momento foi retirado aos seus habitats naturais. A vinda de aves de origens mais longínquas, para além de outras mais comuns, é uma prova que, apesar de tudo, estão a ser criadas condições nos nossos espaços urbanos que conferem a apetência para estas introduções, quase naturalizadas.Saibamos nós integrar e aproveitar estes momentos para estarmos mais próximos na natureza, embora sempre com os devidos cuidados e salvaguardas. Viseu, é um desses locais por excelência, particularmente no que às aves toca, porque temos corvos-marinhos, garça-reais, os melros nem se fala. Quem gostaria de ter estado presente era o meu colega José Manuel Costa, que poderia dizer onde há lontras em Viseu, e muito naturalmente também as raposas, os javalis e tudo o mais. A raposa via este verão no Algarve no aldeamento onde passo férias há mais de 30 anos, de noite, junto às habitações quase junto à praia.
A apresentação do Prof. Jorge Paiva decorreu no Carmo 81, uma antiga fábrica de motores que tem desenvolvido uma intensa atividade de divulgação cultural e científica. O passeio à volta das árvores, teve início na própria rua da árvore, o melhor local para começar uma visita às árvores de Viseu, cuja designação terá ficado a dever-se a um exemplar majestoso ou a uma árvore "exótica". Há teorias para ambos os gostos, sendo que a da árvore "exótica" haja quem diga que seria uma Alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.). Se isso fosse verdade seria uma daquelas coincidências, porque é uma árvore que me é muito cara e que estamos hoje, em Viseu, em colaboração com a Chocolateria Delícia a desenvolver um bombom de excelência feito de alfarroba para pessoas potencialmente alérgicas ao cacau, mas que acreditamos fará o encanto de muitos. No jardim de Santa Cristina, sob a estátia do Bispo Alves Martins, o Pedro Ribeiro e a Eng. Leontina falaram da biodiversidade arbórea "construída", não com espécies autóctones, mas com exemplares vistosos que apresentam pormenores interessantes. A história  emblemática do espaço foi relatada pelo Dr. Alberto Correia, de um jeito que parece ter estado presente a assistir a todos aqueles momentos. Desde ser um local de enforcamento, até à construção propriamente do espaço criado com a terra trazida pela abertura da antiga rua do comércio e por último o surgimento do Mestre Arnaldo Malho como "salvador" construindo a solução para o levantamento e arranjo da estátua do bispo Alves Martins. Passamos pela Olaia (Cercis siliquatrum L.) do Conservatório de Viseu, que eu acredito ainda dará título a um trecho musical criado para aquele exemplar. No mercado 2 de Maio pudemos admirar as Magnólias (Magnolia grandiflora) cujo nome é uma homenagem a Pierre Magnol. No Rossio admiramos as diversas espécies de tilias, o liriodendro, tulipeiro ou árvore-do-ponto e o ulmeiro. Relembro que foi abatido o ulmeiro da Fundação Gulbenkian vítima da grafiose. O Fernando Alves deu eco deste ulmeiro na sua crónica na TSF no dia 9 de fevereiro. Falou também de um tulipeiro do Barroco no  jardim dos Biscaínhos em Braga. Não é por acaso que na praça da república ou do Rossio em Viseu, junto ao edifício do Município, para além das frondosas Tilias, existe precisamente um Ulmeiro e um Tulipeiro, ainda vivos e perenes, não são obra do Barroco, mas são fruto de um algum jardineiro que os plantou, não por acaso, e das gentes de Viseu que os souberam preservar para termos o privilégio de os podermos admirar, de hoje em diante. Já o Prof. Jorge Paiva havia relatado a presença de um Acer perto do parque Radial Santiago que é raro ver em jardins públicos. Também esse foi fruto de um aparente erro, mas erros destes são sempre bem-vindos e cada vez mais hoje aprendemos com os erros, e eu especialmente com os meus.
Por último paramos no "átrio" do parque Aquilino Ribeiro, onde divagamos sobre o autor da obra, o criador do espaço, a evolução das espécies, os pormenores botânicos a descoberta de novas espécies tal como a protagonizada  pelo Doutor Pedro Ribeiro e o Prof. Jorge Paiva com um Narciso na zona do Caramulo. Falamos ainda do sexo das plantas e da curiosidade das crianças acerca disso. Quero agradecer encarecidamente aos meus amigos Dr. Alberto Correia, Eng Leontina e Doutor Pedro Ribeiro, pelos excelentes momentos que nos proporcionaram ao longo deste final de tarde e ao Prof. Jorge Paiva pelo conhecimento que nos transmite em todos os momentos que protagoniza.

























domingo, 9 de novembro de 2014

Um Tributo à Leontina e...às árvores da minha cidade!

 
 









Árvores Ornamentais do Património Florístico de Viseu,

Lançamento no Museu Grão Vasco, 08.11.2014

 

É com uma enorme honra e ao mesmo tempo com sentido de responsabilidade que aceitei ser o “padrinho” desta obra, que a amiga Leontina (permita-me tratá-la assim) acaba de lançar, ainda mais num palco destes como o Museu Grão Vasco. Acredito que a escolha do Museu Grão Vasco, na sala do naturalismo, foi lugar mais apropriado para este evento. A coincidência da simultaneidade com uma exposição de relevo nacional dedicada ao Naturalismo da coleção Millenium, que convido todos a visitar, já é uma dádiva dos deuses. Com isto dou os parabéns às Edições Esgotadas (Drª. Teresa Adão) por terem acreditado neste desafio e ao Museu Grão Vasco (Dr. Agostinho Ribeiro e Dr.ª Paula Cardoso) por terem acolhido sem reservas esta iniciativa.

A razão desta “comenda”, encontro-a no respeito e admiração comuns que temos pelas árvores à qual acresce a admiração que tenho pela autora.

Sobre a autora apenas dizer, que desde que a conheço sempre se pautou por uma competência extrema, um rigor científico de excelência, uma enorme sensibilidade e uma lealdade a toda a prova. Mas muitos dos que aqui estão presentes conhecem muito melhor a Leontina do que eu próprio. Uma coisa é certa, a Leontina não é apenas mais uma árvore na floresta, mas é uma árvore que ajuda a fazer a floresta. Não pela opulência ou ostentação, mas pela simplicidade e autenticidade, epítetos específicos que associados ao género são extraordinariamente raros nos tempos que correm.

No seu percurso profissional estudou os solos, as pastagens e forragens nas suas mais diversas vertentes e culminou nas árvores. Este é o percurso integrador e vertical que deve ser incentivado na sociedade e que ajuda a criar pontes e a estabelecer uniões onde por vezes apenas vemos desarmonia, traição inveja, onde a Olaia (Cercis siliquatrum L.) com todo o seu simbolismo religioso procura apontar. Mas desde sempre foi olhando para as árvores, com curiosidade e admiração, admiração de respeito, mas também admiração de tentar procurar explicações para saber… porque este ano a Lagestroemia quase não floriu, ou porque simplesmente caem as folhas. Enfim! admirações por vezes tão simples que passam despercebidas ao comum dos mortais e que são aquelas que encerram maiores dificuldades na sua explicação.

Explicar as coisas simples de uma forma que as crianças entendam e que fiquem com um brilhozinho nos olhos é um dos papéis mais difíceis que cada um de nós pode desempenhar e são raros os comunicadores que o conseguem fazer.

Cometo uma inconfidência, ao referir que muito recentemente tivemos um almoço extraordinariamente agradável, pautado pela sensibilidade, pelos ritmos e pausas da Leontina, onde fui um “escutador” atento (…um papel que desempenho raramente, mas que estou a aprender) procurando buscar pontos onde cerzir algumas linhas para enquadrar a obra e a inspiração da autora.

Esta é uma obra que é um presente, nos vários sentidos da palavra, mas acredito que irá perpetuar e lançar projetos de futuro na cidade, assim os atores o queiram, no que respeita à valorização do património arbóreo, no ambiente, na ciência, na arte e na cultura que podem ter repercussões económicas, hoje tão em voga. Mas acima de tudo que seja uma obra que desperte a sensibilidade e o respeito por estes elementos vivos que gravam cada momento num registo dendrológico, como que de uma memória se tratasse, recordando que árvores como a Gingko (Ginkgo biloba L.) são guardiãs deste planeta desde tempos imemoriais.

As árvores não têm nervos…mas têm nervuras que são linhas de vida, que nutrem formas e definem limites e que por isso marcam sentimentos, um pouco ao jeito das linhas escritas alimentadas pela “seiva” da inspiração da autora que fez sair do prelo esta obra. Acredito que irá ajudar a cumprir o provérbio Chinês que diz “se queremos dez anos de prosperidade cultivemos árvores, se quisermos cem anos cultivemos as pessoas”…Acrescento, …se cultivarmos as pessoas acerca das árvores acredito que daremos o sinal que queremos a eternidade.

A idade das senhoras não se pergunta, mas o seu berço explica muito do arreganho, da tenacidade e da inspiração. Quem nasce no Souto, estava predestinada a escrever um livro sobre árvores, quiçá majestosas e sobre os encontros que temos com elas (Meetings with Remarkable Trees – Thomas Pakenham). Os castanheiros que preencheram a sua memória paisagística, como “árvore titânica que trava a erosão da Beira e que confere aos soutos uma mancha cromática de múltiplos tintos outonais” são uma dessas árvores majestosas que tutelou e continuou a acalentar até na vida profissional com a criação da coleção de castanheiros da Estação Agrária. Mas esta é também uma daquelas árvores que une as gerações e que Aquilino Ribeiro, tão bem mostra essa capacidade “castanheiro leva cem anos a nascer, cem anos a chegar ao estado adulto, cem anos a crescer, cem anos no seu ser e cem anos a morrer. Que importa? os homens de boa vontade perpetuam-se nos filhos e vindouros”.

A autora faz breves referências à sua obra considerando eu que a leitura de Aquilino Ribeiro é um óptimo complemento à obra hoje aqui apresentada. Ao referenciar e citar Aquilino Ribeiro, importa dizer que foi o mestre que mais me ensinou e continua ensinar sobre as árvores e as paisagens e que me tem inspirado nas curtas e singelas deambulações que tenho realizado por esses domínios. A geografia sentimental é uma das obras que mais admiro. E por falar em geografia aproveito para lançar um repto de se fazer uma exposição sobre um outro enorme mestre Orlando Ribeiro, o maior geógrafo Português que tem raízes em Viseu e que julgo que seria justo não apenas como tributo, mas como ato de cultura e de perspectivar o futuro de Viseu enquanto representante de uma região.

Nas suas memórias de infância, a autora recorda-se dos Plátanos da sua aldeia que os viu crescer e que quando regressa a casa os pretende abraçar. Só que a tal falta de sensibilidade, muitas vezes de origem politica, os derrubou ficando um vazio no largo da aldeia e na sua memória que já não será preenchido. Há ao invés, pessoas que plantam árvores aquando do nascimento dos filhos. Imaginem só a relação de afectividade que se cria com essas árvores. Este é na minha opinião um dos gestos mais bonitos que podemos ter para com uma árvore e para com uma família. Aquilino dizia “Quando chego, o meu primeiro olhar é para a sua ramagem, o especioso. Um olhar que lhes fala: —Bons dias, bons dias! Bonitas! Depois, outro para os fustes: — O que vocês cresceram! Daqui a pouco já as não posso abraçar a expandidos braços. Verdade, mais uns anos e bem de junto as não abraçarei. Receberão os abraços dos meus filhos…”

Nesta sala do Naturalismo, um dos ciclos de referência na pintura no qual o campo e as paisagens detinham superioridade moral em relação à cidade, encontrei várias referências da minha memória, como a Paisagem Algarvia de Laranjeiras (Falcão Trigoso), o claustro da Sé Velha (António Carneiro), a ovelha (Tomás de Anunciação). Nesta cidade queremos ter um exemplo de cidade jardim, na qual o ambiente rural possa estar presente a diversos níveis, e para isso temos que ser inteligentes e audazes na forma como podemos interpretar esta visão e este querer. Mas isso ficará para palestras futuras…

(Com frequência o naturalismo, pode ser confundido com o naturismo, mas no caso acredito que a obra pode vir a ter um papel de relevo…  NoTurismo da cidade de Viseu)

 

Espero que este momento e esta oportunidade concedida possa permitir no futuro que a Escola Superior Agrária de Viseu, tal como a Estação Agrária de Viseu, que são escola de culturas na verdadeira acepção da palavra possam saber aproveitar a oportunidade para aliarem-se à cultura da Arte e da Escrita em colaboração com instituições de referência na cidade e na região como o caso do Museu Grão Vasco.


Como escreveu Booker T. Washington "Ninguém pode prosperar até que aprenda que é tão digno lavrar um campo como escrever um poema". Tenho a certeza absoluta que nos cabe a nós provarmos a relação dessa dignidade, também em parceria com outras instituições de ensino superior da região e com todas aquelas ligadas direta ou indiretamente com a agricultura. 

A sensibilidade cultiva-se muito pela leitura, pelo olhar mais do que pelo ver e pelo pormenor. A obra agora deixa de ser da autora e passa a ser de cada um de nós que a adquiriu e caberá a cada um saber encontrar as suas interpretações, as suas memórias, tendo cada folha deste livro o papel de uma semente que depois de germinar passará a contar a sua história. Não tenho o dom da Leontina de escrever livros sobre tantas árvores, resta-me em jeito de testemunho deixar um livro em branco e uma folha de uma das árvores que mais admira pelas referências que faz no livro onde poderá expressar toda a sua sensibilidade. O Liriondendron tulipifera, arvore-do-ponto nos tempos de Coimbra que quando entrava em floração era sinal que nos tínhamos que agarrar aos livros. Agora vamo-nos agarrar a este.

Muitos parabéns!

 

Paulo Barracosa

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Lançamento de uma obra...que prima pela oportunidade


A Amiga Eng. Leontina teve a coragem a determinação e a competência de lançar um obra em colaboração com as edições esgotadas que em muito ajudará a sensibilizar as pessoas para a estética e valorização do património arbóreo da cidade de Viseu com o devido rigor científico, mas também com a sensibilidade muito característica da autora. Será um verdadeiro privilégio poder tecer alguns considerandos sobre o valor e a oportunidade da obra para projetos de futuro ainda para mais num espaço de eleição como o Museu Grão Vasco.