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terça-feira, 7 de abril de 2020

WORK...CHOP, CHOP, ...está marcado

No primeiro Workshop ficou agendada uma visita à Vista Alegre, neste segundo um encontro olhos nos olhos, para todos bebermos a experiência destes sábios Amigos, com um aperto de mão à João Cavaleiro, um Abraço à Luis, uma Joke à Machado Matos e uma dissertação à Carlos. Eu faço de Motorista e pago a conta!







domingo, 22 de março de 2020

Uma Verdadeira Equipa com Treinador e Tudo...Jogamos em 4X4X2

Estimados Amigos e Alunos,

Esta foi a equipa que arranjei assim de repente para fazermos face ao COVID-19 e COnViDá-los a não ficarmos tolhidos a disseminar "gotículas" e aquelas postagens que podem não ser o mais interessante por agora. É certo que precisamos rir um pouco disto tudo para aliviar a pressão e acreditarmos que tudo isto ainda é um sonho. Mas, usemos a vocação do Vírus para propagarmos e discutirmos boas ideias e conceitos de futuro que bem precisamos e que estejamos todos atentos às novas oportunidades e ao futuro que é já amanhã.
Não convidei ninguém nem recusei ninguém para esta "Quarentena". A dinâmica desta plataforma irá depender de muita coisa, mas eu pelo meu lado terei o papel de dinamizar e lançar a discussão depois temos gente muito habilitada e credenciada para propalar a boa nova.
Temos um treinador e até ao momento ainda ninguém quis ir à baliza para levar com as bolas...dos outros, por isso somos 10 e todos camisa 10. Dez a puxarem para o mesmo lado mas todos diferentes. Vou dando as primeiras instruções sobre qual a melhor plataforma para o fazermos e o melhor horário, sendo que os temas podem ficar em cima da mesa para que depois cada um possa participar.


Isto não é para passar o tempo, era uma iniciativa que há muito gostaria de implementar e quiçá agora terá chegado o momento. Parece uma equipa de "machos", mas acreditem que têm muita sensibilidade e não fazemos apanágio do lema da Mónica e do Cebolinha..."Menina não entra...!"


sábado, 26 de janeiro de 2019

Ora aqui está a terceira...

...ainda não a terceira obra, mas o terceiro momento em que se falou abertamente das obras de Eng. Leontina Fonseca sobre o património arbóreo e florístico de Viseu. Neste caso particular contou com a presença do vereador da Cultura, Dr. Jorge Sobrado que teve a oportunidade de apreciar e comentar a obra da autora. É notório um certo desconforto do poder político Municipal para com a minha pessoa! Não acredito que seja por uma questão de principio ou intransigente, até porque nunca dei razões para isso, mas espero que isso não prejudique o brilhante trabalho que tem vindo a ser realizado pela Maria Leontina Fonseca. Têm-me no Município de Viseu como "Fiscal" da acção municipal sobre os Jardins, quando na verdade apenas fui "conselheiro" durante largos anos, sendo que a autarquia nem sempre concordava, e legitimamente, com as minhas posições. Se propor que a colocação das canalizações de água e gás na Avenida 25 de Abril se fizessem na zona asfaltada do estacionamento é ser "Fiscal" então quero ser "Fiscal" todos os dias, porque assim posso ajudar o Município a tomar decisões acertadas em que todos aprendem, empreiteiros, técnicos do Município, incluindo-me a mim próprio nesse leque! A decisão de substituir o relvado nos separadores centrais das circulares da cidade, por espécies arbustivas é um excelente exemplo para mostrar que o Município sabe o que faz e não é necessário sequer ter a minha opinião. Se me tivessem pedido, eu apenas sugeria que arriscassem um pouco mais na escolha das espécies a instalar, que fossem mais autóctones e que nos diferenciassem de tudo o resto que por aí se faz. Até que se diferenciassem as entradas da cidade e não se replicasse quase ipsi verbis as mesmas espécies, nas mesmas repetições não aludindo às sequência de Fibonacci muito vulgares nas morfologias botânicas.  Mas o que está feito foi um passo certo no sentido de se limitar os gastos em termos de rega de jardim e isso é que é importante, independentemente de as obras terem de terminar no dia X e de terem ganho empresas de Lisboa que depois entregaram a sub-empreitada a empresas de Viseu. Quase que há uma empresa de jardinagem em Viseu em cada entrada da cidade. E se cada uma se responsabilizasse, sob determinadas condições, pela entrada mais próxima dos seus viveiros e que isso fosse o espelho da qualidade da empresa. Ficava mais caro? julgo que não! criavam identidades e diferenciação? Acho que sim! Lembram-se do concurso Internacional dos Jardins em Ponte de Lima, era um pouco adaptar à nossa realidade. Mas quem sou eu para ser "fiscal" da actividade municipal.  Tenho que passar uma parte do tempo na procura de "Mucrões" para identificar genótipos de cardo com interesse para a produção do Queijo Serra da Estrela de excelência. Voltando ao Livro a Leontina colocou na capa do livro uma imagem do Belo Jardim das Mães que ao que julgo saber foi patrocinado pelo Rotary Club de Viseu à qual pertence a USAVIS que promoveu o lançamento deste livro na Biblioteca Municipal de Viseu. Foi uma Bonita Homenagem às Mulheres e em particular a todas as Mães. Agradou-me imenso ver tanta gente Amiga, e muito em particular a Lena, esposa do meu grande Amigo e Paisagista Miguel Thiersonnier Maia Loureiro, do qual sinto imensas saudades e com que privei e colaborei na criação de alguns jardins, bem como na confecção de pratos requintados de cogumelos silvestres onde ele era um Mestre. Dizer que antes de conhecer os políticos de Viseu, alguns, conheci os jardineiros da cidade  e tive a honra de lhes oferecer a primeira Ginkgo biloba que veio para os viveiros da Câmara de Viseu entregue ao Sr. Carlos. Depois mais tarde alguém com responsabilidade política perguntou-me como se chamava uma árvore que eu falava. A Ginkgo! Agradeceu e mandou plantar uma rua delas, sem nunca perguntar se culturalmente seria adequado! Em vez de enaltecermos, banalizamos! A Leontina contou a história do José da Rocha que inviabilizou em determinada altura a construção da Avenida Emídio Navarro e que fez surgir a expressão muito curiosa do "deu em rocha" e por isso não se concretizou. Isto para dizer que para as árvores e para os jardins temos que ter pessoas com sensibilidade sem prescindir do tecnicamente competentes. O jardim é um espaço onde se cultiva a amizade e onde se ganham muitos amigos e por via disso tenho ganho grandes amigos. A propósito na próxima quinta-feira vamos plantar mais um jardim, com reclusos do Estabelecimento de Viseu na casa de um Amigo, tudo isto a pretexto de um Jardim e de uma grande Amizade. Obrigado Luís Abrantes pela confiança que tens nos Jardins! O João vai ser o Maestro do Repasto e eu do preparo! Está combinado?







domingo, 6 de janeiro de 2019

A ALAMEDA será a próxima...ALA que se faz tarde!

...Somos nós quem definimos aqueles que merecem a nossa confiança e a quem damos tudo para ALMEjar o sucesso futuro....AL é um prefixo associado aos Árabes, exímios agricultores e conhecedores das práticas agrícolas. Já LA são as iniciais do Luís Abrantes!









domingo, 30 de dezembro de 2018

Nunca imites ninguém! Que a tua produção seja como um novo fenómeno da natureza..já dizia Leonardo da Vinci

Ainda no âmbito do congresso do Cardo, acabado de chegar a Beja, fui visitar a exposição Poesia Muda no IPBeja, organizada pelo Museu Botânico.
De acordo com o texto introdutório da exposição, a agricultura, um sistema de gestão e produção de planntas, é a base das civilizações e as plantas são um discreto pilar da cultura humana, seja como papel, tela ou matéria corante. A pintura artística, embora recorra a inúmero pigmentos de origem animal, tem uma expressiva matriz botânica - as telas são manufacturadas a partir de algodão ou de linho, e das sementes do linho é extraído óleo para a pintura a óleo - o precioso segredo dos flamengos.
O Luis também esteve lá a deambular pela exposição, por ventura a buscar inspiração para recriar e transformar o que é cultura e conhecimento em produção com valor acrescentado, com estética e funcionalidade irrepreensíveis. Sendo que nem tudo tem que ser valor, embora tudo o que está no plano da realidade já foi sonho um dia!
A Poesia Muda e a Ciência...tem que permitir que coloques no teu trabalho algo que se assemelhe a um milagre, sempre com a máxima de Da vinci,....A Simplicidade é o último grau da Sofisticação!
Tudo isto vem a propósito de um Centro de Cultura Científica (ECHO3) assente nos princípios e ditames pelos quais nos regemos, criação, inovação, sustentabilidade, pensamento e capacidade!




Caules de Videira Carbonizados....

Múmia (pigmento acastanhado de múmias egípcias moídas)
Preto Marfim (pigmento preto de dentes de elefante)

Endocarpo de pêssego carbonizado (Pigmento preto)

Alizarina (raízes de ruiva-dos-tintureiros)


Sangue-de-dragão (Resina, pigmento vermelho, verniz)





Goma de amendoeira (Goma, aglutinante)

Gamboge (Pigmento)

Goma-adraganta (goma, aglutinante)

Goma Karaia, Resina Kauri

Mástique (óleo, resina)

Cártamo (pigmento, óleo)

sábado, 15 de dezembro de 2018

Com a Cabeça na Lua e os pés em Terra....

Os líquens, estes em particular, representam para mim o começo de uma relação de amizade com alguém que muito estimo, associados a um comprometimento técnico-científico que estabeleci e que me servem de inspiração para o projeto que temos em curso. Eu almejo ter a "alma de um artista", com o "cabeça na lua" e ao mesmo tempo e espírito científico de um investigador com os pés bem assentes na realidade terrena. Este é o melhor dos dois mundos e sinto que o único local onde conseguirei concretizar este sonho é aqui. Tenho a secreta esperança que estes líquens ainda irão dar muito que falar, quando conseguir convencer o Luís daquilo que me vai no coração quando me ponho no bico dos pés, não por sobranceria, mas para ver se chego com o nariz à Lua!





segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

TOMO III...Jogar fora de casa pode ser uma vantagem...mesmo que seja um "jogo entre anões" (Private joke)



Foi o que aconteceu com o Luís Abrantes que, sem a obrigação de ser simpático embora não abdicando do papel de gentleman, foi “colocando o dedo na ferida” e acentuando a tónica de que é preciso saber onde estamos para podermos pensar onde queremos ir, neste caso com o Cardo. Criou incómodo nalguns, mas foi exactamente por isso e por conhecer a sua incessante e persistente forma de actuação em prol de objectivos concretos que sugeri a sua vinda a Beja, mesmo com uma agenda de "loucos". Colocou algumas questões incómodas, mas diria demasiado óbvias, sobre as áreas de produção do cardo, e de que valências nos estamos a referir quando falamos de uma multifuncionalidade tão diversa que pode ser, inclusivamente, prejudicial, por não permitir objetivar um percurso e uma estratégia. Referi-o publicamente que, se não conseguir convencer o Luís Abrantes acerca da validade do cardo, para mim este é um projeto a prazo. Considero-o com uma visão “paranormal” que poucos investidores hoje têm, até porque muitas das suas ideias só podem ser concretizadas por ele e pela sua equipa, porque não há conhecimento científico e tecnológico que o possa prever. Ele cria de Raíz,… o conceito, as máquinas, a história,… TUDO. O Cardo pode ser uma inspiração, mas ainda terá que haver muita transpiração para podermos esperar que o Luís se debruce sobre a temática com o rigor e a assertividade que o caracteriza para provar aquilo que possam ser meras sugestões ou feelings em relação a uma qualquer oportunidade de investimento. Temos que estudar o nosso produto, estabelecer conceitos inovadores, saber quais os nossos concorrentes no Mundo e como nos podemos diferenciar criando valor. O Mundo dos negócios é uma Selva e não uma Savana. Aí está que não podemos fazer de conta que estamos num Safari, a desviarmo-nos de girafas, leões e hienas, mesmo que seja em Beja (private joke). Esta foi a mensagem que o Luís nos transmitiu de uma forma clara e inequívoca.






Impressões de um Simpósio (Tomo I), ou eu tenho a séria Impressão que...



...A cidade de Beja, o CEBAL e o Instituto Politécnico de Beja foram, seguramente, o local de eleição para a realização do Primeiro Simpósio Nacional dedicado ao Cardo, por toda a dinâmica desenvolvida em torno desta espécie, pela capacidade e know-how instalados e pela sinergia que tem conseguido incutir entre atores científicos, tecnológicos, produtivos e políticos. Tenho assistido à distância, mas com grande interesse, todo este percurso e por isso é um motivo de orgulho ver concretizada esta realização e confesso mesmo alguma emoção por fazer parte deste momento histórico que todos acreditamos poder constituir um novo começo para o incentivo da produção e valorização do cardo, nas suas mais variadas vertentes.
Qualquer evento tem a sua sessão de abertura onde são convidados os mais altos signatários das instituições que colaboram no projeto, para além de poderem ser convidados outros elementos que se possam assumir como mobilizadores de futuro face aos objetivos que se pretendem alcançar com estas realizações. Tenho assistido, ao longo dos tempos, a uma desvalorização de atos desta natureza que, em vez de inspiradores, se tornam meros atos protocolares com tudo o que possam ter de mais banal. Não que o tenha  sentido neste caso, até porque este é um projeto muito especial que soube adequar a dimensão e a multidisciplinariedade da equipa à importância do tema para toda uma região e um Pais. A história relatada pelo Presidente do IPBeja reflete que o cardo, à semelhança dos cogumelos silvestres e de outros recursos endógenos, é tido como um recursos de todos, sem regras nem ditames e isso é um sério obstáculo à criação de uma história que o ajude a valorizar enquanto produto de referência e marca regional. Continua-se a procurar desvalorizar o cardo, até por uma parte do setor produtivo do queijo, para que um dia se possa substituir este "elemento mágico" por uma outra coisa que, seguramente, não será nem de longe nem de perto capaz de produzir queijos de exepção a que nos habituamos e que cada vez mais são mais raros. O cardo é um ingrediente e deve ser tratado como tal, e como todos os ingredientes de elevada qualidade custam a produzir. Não se podem aparecer como se nada custassem a produzir e colher. Façamos um pequeno exercício! Pensemos que o cardo vale 10 cêntimos num queijo de 20 euros se esse cardo fosse de grande qualidade e comercializado a 100 Euros/Kg. E estou certo que não custaria mais do que custa hoje muita da "palha" que para lá metem. Este estado de coisas seguramente interessa a alguém e para alterar esta "cultura" e modo de estar será preciso mudar muita coisa e isso demorará o seu tempo. Eu acredito que o cardo será mais valorizado por outras vertentes e que depois o setor do queijo reconhecerá o verdadeiro papel do cardo, quando na verdade são os primeiros beneficiários. É claro que há produtores que já o fazem, mas são uma pequena maioria, embora sejam claramente os mais distintos. Este projeto tem procurado fazer esse papel e também é certo que os projetos científicos têm que ter dotação para fazerem divulgação pelos canais de informação, sem termos que pedir favores e podermos contar as histórias que podem ajudar a valorizar o setor. A ciência não serve apenas para "chatear" os produtores, pode servir também de alavanca, desde que eles o queiram, os investigadores tenham essa preocupação e vocação e as entidades financiadoras o entendam como essencial.

A Fátima Duarte, a “arquiteta” de todo este cenário, com a sua vasta e competente equipa demonstrou por A mais B a razão do sucesso do ValBioTecCYNARA que se traduz nos indicadores objetivos relativos ao número de bolseiros, artigos, comunicações, patentes, teses,.... Há contudo, imenso do trabalho de retaguarda que se torna difícil quantificar e traduzir, mas que de uma forma sabia tem vindo a ser mostrado até em exposições e outras forma de cultura muito para além de ciência.

O primeiro painel dedicado ao Potencial da Flor do Cardo e à sua Aptidão Tecnológica foi moderado pelo Doutor Pedro Louro (INIAV) um especialista nas questões tecnológicas relacionadas com os Queijos DOP Portugueses, particularmente daqueles que usam cardo no seu processo de coagulação, coadjuvado pelo Eng. João Madanelo na qualidade de um conhecedor profundo da realidade da fileira do Queijo Serra da Estrela. A simbiose da ciência com a técnica foi um “casamento feliz” que a organização pretendeu estabelecer em todos os Painéis sendo que, na maioria dos casos, percebemos que os representantes desta ciência conhecem muito bem a realidade da produção e os técnicos da produção têm vastos conhecimentos da ciência que lhes interessa para resolverem os desafios do dia-a-dia. O Pedro abriu as “hostilidades” ao jeito da glória do Laurus nobilis, com uma apresentação de tamanha densidade que só por si daria para estarmos dois dias a discuti-la e isso sentiu-se na discussão do painel que apetecia não ter fim pelo tema tão desafiante que era.

O Nuno Rosa (UC-Católica/Salivatec), em representação do grupo liderado pela Prof. Doutora Marlene Barros, com 30 anos de experiência em Cardosinas, realçou a razão da escolha natural deste grupo de investigação para integrar o projeto. A responsabilidade era muita, um pouco na lógica de procurar descodificar a informação transmitida na comunicação do Pedro Louro, intitulada “Caracterização tecnológica de populações de cardo (Cynara cardunculus L.) da região do Alentejo”. Não tendo ficado clara a estreita ligação entre os dois expoentes, acredito que em breve isso será uma realidade para que, finalmente, se possa perceber ao pormenor todas estas interacções relacionadas com o potencial tecnológico das cardosinas em queijos de leite inteiro crú e muito em particular nestes do Alentejo.

O André Folgado do ITQB apresentou um modelo alternativo na produção de Proteases aspárticas de Cynara cardunculus L., um pouco ao jeito biotecnológico mais evoluído que conhecemos e que está a fazer o seu caminho paralelamente à biotecnologia associada à biodiversidade natural da flor de cardo. Cada mercado potencial, seja industrial ou comercial, avaliará os méritos de cada um dos processos e estratégias optando por aqueles que economicamente e tecnologicamente melhor respondam aos propósitos dos seus produtos e conceitos de marcas para vingarem nos mercados. É muito útil que, independentemente de defendermos a flor como alma mater, estejamos suficientemente despertos e atentos para estas inovações tecnológicas, às quais reconhecemos enormes méritos e que, seguramente, nos ajudarão a progredir melhor e mais depressa, mesmo para aqueles que privilegiem  a natureza como fonte inspiração.

Eu, PB (ESAV-IPV), na qualidade de generalista,  apenas procurei mostrar o longo caminho que ainda temos que percorrer para conseguirmos tirar toda a “Alma à flor do Cardo”. Já fizemos mil anos de história depois de Columella, e este já terá ido beber a algum antecessor que não plasmou em escrito a razão pela qual se lembrou de usar a flor do cardo como fonte do milagre da coagulação, quando o leite de figo já era comum até no tempo de Varrão anterior a Columella.

Entre Painéis fizemos uma degustação das infusões da Isabel Horta da Erva-Doce com uma Prova de Queijos (Ensaio de Produção do Projeto ValBioTecCynara - DOP Évora e DOP NISA). Realço o cuidado extremo colocado pelo CEBAL na escolha dos produtores que têm vindo a integrar no Projeto, sejam produtores de queijo, ou outros, incluindo produtores de cardo, muito pela sensibilidade da Fátima Duarte. A Isabel da ERVA DOCE que reside na Salvada, uma terra que aposta nas crianças, é um desses exemplos, cujo seu apelido "Horta" não deixa mentir. Entretanto, fez-me lembrar a história contada pelo Luís Abrantes do seu grande Amigo de Beja, com o "vulgar e frequente" apelido de família "Água-Doce Engrossa" e com o qual já estava a apreciar as delicias do Mestre Cacau, em Beja, mais umas das empresas de referência no projeto, depois de uma viagem relâmpago desde Viseu.

Entramos pelo segundo Painel intitulado "A Flor de cardo na produção dos queijos DOP Alentejo, Serpa, Évora e Nisa" todos devidamente orientados de acordo com os pontos cardeais o Serpa a Sul, o Évora e Este e o Nisa a Norte. E eu confesso que apenas ouvi o Bartolomeu e que com muita pena minha não ouvi a Cristina Pinheiro nem o João Dias com os quais tanto ia...e irei aprender. Mas ouvi o Nuno Cavaco da Queijaria Almocreva que o MEC fez questão de usar como porta estandarte na crónica de Domingo no Público intitulada "Grandes Alentejanos". E esta publicidade não foi paga, mas se lhe tivessem sugerido, talvez o Miguel tivesse vindo a Beja testemunhar in loco aquilo que ninguém o obriga a fazer. Dizer bem por dizer! O MEC iria ter a oportunidade de nos mostrar como se contam histórias tendo por base a diversidade dos queijos e o seu dom de d´Escrever os mais exaltantes aromas e sabores com um conhecimento feito pela prática e pelo tempo exigido numa degustação. E quiçá ler-nos o poema "Foram prosas foram cardos" da sua autoria. Numa próxima não se esqueçam de o convidar! Dizia eu que não consegui ouvi-los, à Cristina e ao João, não por desrespeito, mas porque entretanto tinha chegado o Luís Abrantes da Movecho que nem sabia ao que vinha, mas que eu tinha a grande esperança que pudesse ser o nosso maior crítico para podermos ver se guindamos o cardo ao sucesso que ele merece. Eu tinha que ajudar a preparar cada minuto da sua estada porque eram escassos e eram muito aqueles que queriam falar com ele e outros que eu gostaria de apresentar-lhe. Por curiosidade, a Movecho tem várias patentes na cortiça e o CEBAL foi a instituição que liderou a sequenciação do Sobreiro (Quercus suber L.) em Portugal. Esta é uma coincidência feliz que pode vir a perspetivar colaborações futuras porque a ciência pode ajudar questões de índole comercial, assim como a indústria é cada vez mais fundamental para o sucesso da investigação aplicada, muito em especial nestes novos programas da Bioeconomia 2020 que no caso da Movecho é BioECHOnomia. O Cebal acabou de candidatar o seu novo edifício a financiamento, que deve traduzir, em pormenores de arquitetura e design, o percurso histórico da instituição mas também o seu futuro que se quer enraizado na região e na cultura do baixo Alentejo. E aqui surje o Cante Alentejano como elemento forte e o Canta autor que nos embalou com a brisa pura dos sons inspirados no Alentejo enquanto brindávamos ao sucesso do primeiro dia com vinho Touriga-Nacional, cujas vinhas foram tratadas exclusivamente com cardo na APPACDM-Viseu, pela Cerveja de cardo Poliglota e novamente pelas infusões da ERVA DOCE que acompanharam a maravilha do Cardo confitado com cobertura de chocolate negro do Mestre Cacau e a tarte de cardo da Cynatura. Tudo isto na "galeria ao lado" numa espécie de "poesia muda" onde acredito que o cardo se venha a tornar uma "pintura poética" adoptado pelo Museu Botânico do IPBeja e apadrinhado pelo CEBAL.

Depois seguiu-se o jantar no Espelho de Água, com a boa comida alentejana, incluindo as Migas, acompanhadas pelos vinhos Reserva, Jaen e Super Reserva da Quinta da Alameda (DÃO) que nem se aperceberam como chegaram a Beja num ápice pela mão do Luís Abrantes. Tive o privilégio e o enorme prazer de me sentar ao lado do Prof. Jorge Gominho que considero aquele que, neste momento,  mais pode ter a dizer sobre como devemos explorar a multifuncionalidade do cardo, face ao seu percurso, conhecimento e prática. Isso veio a comprovar-se no segundo dia e por isso coloquei-o frente a frente com o Luís Abrantes, o "compulsivo renitente"... até que se prove o contrário!
A conversa agradável e profícua prolongou-se pela noite dentro, porque a jorna era de trabalho e não propriamente um Safari....em Beja!

Seguir-se-á o Tomo II...relativo ao segundo dia...e do primeiro dia ainda muito ficou por contar!