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terça-feira, 28 de abril de 2020

Hoje falamos sobre o potencial da alfarroba nos hambúrgueres "Meat Like"...

...e quase que de propósito e em resposta acabou de sair, hoje, um artigo sobre a diversidade e o potencial da alfarrobeira e na qual fazem referência ao nosso trabalho publicado em 2007! Será isto um sinal...mas agora não me posso distrair...é um desafio para os alunos. Eu arranjo a matéria prima!




quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Há dias felizes e ...há Anos....

....que eu não estava com os Pais do Júlio, que foi um dos meus primeiros alunos na ESAV, por quem nutro uma admiração imensa pelos valores que conseguiram transmitir ao seu filho único. Dir-se-ia que era mais fácil porque era único, talvez seja o contrário, seja mais difícil exatamente por isso. Esta relação, faz-me lembrar uma outra muito idêntica, com aquele que é um dos meus maiores Amigos, o Carlos Miranda e que também é filho único e absorveu por inteiro os valores dos Pais, não os económicos (apenas) mas os éticos e os morais. Em ambos estes casos os Pais estiveram em França como emigrantes e souberam o que era o rigor da vida e os filhos também!
Mas esta história vem a propósito de uma outra coisa, ....da Alfarrobeira! Quando cheguei a Viseu em 1997, a alfarrobeira era um exemplo prático para os meus alunos. E esses trabalhos deram frutos em 2007 e 2008 com artigos científicos de referência mundial. Nessa altura as sementes da alfarroba eram muito estudadas na ESAV, onde inclusivamente foi vista a maior semente de alfarroba alguma vez vista no Mundo com 0,360 g, um recorde, comparando com o seu peso normal, o tal carat (0,200 g) que é atribuído à semente da alfarroba (https://biogere-esav.blogspot.pt/2017/04/um-caratmuito-especial.html). Mas dizia eu que dessas sementes o Júlio fez vingar uma que está em Viseu. Germinada em 1998, esta árvore vai fazer 20 anos este ano e é fruto de uma relação forte que vamos criando com certos alunos. O Pai do Júlio já colheu frutos desta alfarrobeira nos últimos 4 anos e é um motivo de orgulho para vizinhos e amigos. Para dar fruto esta árvore tem flores hermafroditas, uma coisa rara nesta árvore, normalmente dióica, mas que resulta da necessidade de se reproduzir deixando semente. E desses frutos amaciam e escurecem aguardente, com compostos fenólicos que são eluídos da casca do fruto e alguma doçura que provém da polpa. Por falar de aguardente a Didi pode ficar descansada que estes frutos serão para si e estão tenrinhos como gosta. Por uma questão de ordenamento da Quinta, o Júlio fazia gosto que eu ficasse com a árvore, mas o meu espírito leva-me a que esta árvore seja um testemunho e um exemplo para a cidade de Viseu. Por isso será doada à cidade de Viseu, para ser plantada no Jardim do meu Sogro (Jardim Jorge Costa) em Marzovelos e que acredito que ele ficaria muito contente por isso. Para mim seria uma enorme Honra. A vida tem destas coisas! Não sei se o Município de Viseu achará "Graça" à ideia, se não achar a árvore irá para a Quinta do meu Sogro!  O que ninguém pode negar foi a admiração e o respeito que o Júlio nutriu por mim fazendo germinar e mantendo esta árvore até hoje e querendo dar-ma de bandeja. Essa admiração é recíproca por inteiro! Há dias que nos ficam na retina....e emoções que nunca mais esqueceremos. 
Hoje o pão de alfarroba é comum em todo o lado e não foi ideia minha, embora esteja a trabalhar com os meus alunos e as minhas filhas num novo tipo de pão de São João Batista (https://biogere-esav.blogspot.pt/2018/01/o-pao-de-alfarroba-esta-crescer-como-o.html). Já o creme de alfarroba da delícia é único e nasceu em Viseu e será daqui que irá para o Mundo, se nos deixarem contar esta história como gostaríamos (https://biogere-esav.blogspot.pt/2017/05/caratum-projeto-que-e-uma-delicia-com.html). Se o Município de Viseu não entender contaremos de outro modo, mas vamos contá-la de certeza.
Um enorme Bem-haja!






domingo, 27 de outubro de 2013

GNR plantam Alfarrobeira... no Jardim Botânico da UTAD




O Jardim Botânico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (JBUTAD) inicia, com o Grupo Novo Rock (GNR), um percurso onde individualidades de diferentes áreas da sociedade portuguesa darão o seu nome a uma árvore com o objetivo de dar a conhecer este jardim em território nacional e internacional.
O Grupo GNR vai plantar uma árvore no JBUTAD. Esta terá o seu nome e marcará o início da coleção temática "As idades do Homem". À semelhança do grupo GNR outras personalidades serão convidadas a dar o seu nome a um exemplar da coleção com o objetivo de contribuir para a divulgação, colaborar na preservação e engrandecimento do JBUTAD e ainda promover o estudo científico e conhecimento do mundo vegetal.
Inserido num dos campus universitários mais belos do país, o JBUTAD é atualmente, um dos maiores jardins botânicos da Europa onde podem ser observadas espécies vegetais vindas dos quatro cantos do mundo. O centro interpretativo alberga o herbário que contém uma coleção de 2.250 espécies diferentes oriundas da Península Ibérica, Norte de África e Europa Central.
Uma visita a este “museu vivo” permite não só conhecer, mas também identificar, as espécies através de etiquetas visuais QRCode (códigos visuais) impressas em placas e de um mapa de realidade aumentada, trabalho desenvolvido no âmbito de uma dissertação de mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores na UTAD, e que permitem o acesso, através de um smartphone, a um vasto conjunto de informação sobre as quase 1000 espécies vivas existentes no JBUTAD.
Reconhecido internacionalmente a 27 de Maio de 1988, o JBUTAD tem cerca de 140 hectares e oferece um espaço aberto onde o visitante pode descobrir “os segredos de uma natureza próxima ou muito distante”, sem o carácter enclausurado, próprio dos museus tradicionais, sendo um ponto de visita obrigatório na passagem por Vila Real.
O dado curioso é que a espécie eleita para que os GNR fiquem ligados física e sentimentalmente a este parque foi a Alfarrobeira (Ceratonia síliqua L.) seguramente a árvore à qual mais estou ligado por todo o trabalho científico a que dediquei uma parte da minha vida e aquela que mais admiro. Existem várias curiosidades em relação ao todo o trabalho desenvolvido com este taxa. Só uma vez vi um fruto com 19 sementes. Vi seguramente a semente mais pesada que alguém alguma vez viu, com 0,360 g quando o peso normal são 0,200 g donde provém o peso do carat. Observei sementes sem embrião e colitédones e consequentemente com 75% de endosperma. Em Portugal, estão caracterizadas as cultivares Multa, Galhosa, Canela, Aida, Lagoinha, Spargale.Todas estas curiosidades foram partilhadas com os meus alunos e revelam a diversidade existente na alfarrobeira.
 
 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"A Alfarrobeira... é uma árvore extraordinária!"


arvoresdeportugal.net

A crónica de hoje é uma resposta a um repto de um amigo, visitante assíduo do blogue, que me reencaminhou um link do Diário do Notícias, que apresenta um vídeo do Nuno da Câmara Pereira sobre a Alfarrobeira. Em relação à alfarrobeira, sinto-me como "peixe na água". É uma árvore pela qual tenho uma estima imensa e à qual me encontro "umbilicalmente" ligado. Fui o responsável pela caracterização das principais variedades de alfarrobeira de Portugal, enquanto tive mais directamente ligado à universidade do Algarve, mas mesmo em Viseu tenho continuado a acompanhar de perto este taxa, que é um exemplo de sustentabilidade, de tradição e de inovação. Hoje, estamos a iniciar um outro projecto com uma outra planta que, tem muito em comum com a alfarrobeira, o Cardo! Curiosamente, falei há poucos dias com um jornalista do Diário de Notícias, jornal que publicou esta noticia, para fazermos a divulgação de um campo de recursos genéticos do cardo que será um instrumento fundamental para a valorização desta planta. Estou a aguardar que me contacte para levarmos a efeito essa noticia, em que os meus alunos e os outros investigadores envolvidos, para além da APPACDM terão o papel de destaque. Mas hoje falemos de curiosidades da alfarrobeira, cujo nome científico é Ceratonia siliqua L. O carat, uma medida de peso com 0,200 g que serve para pesar metais preciosos, que deriva do peso médio das sementes de alfarroba. A designação inglesa de "Locust bean" ou "St. John Bread", deriva de uma confusão bíblica que São João Batista alimentava-se de gafanhotos (locust) e mel silvestre, quando provavelmente seria alfarroba e mel silvestre. Estas são apenas algumas curiosidades de uma árvore, notável no que tem a ver com a sustentabilidade ecológica de uma região, por prevenção da erosão dos solos e do risco de incêndio. Não nos podemos esquecer que os grandes incêndios no Algarve de há alguns anos pararam nas alfarrobeiras. A produção de biocombustíveis a partir da alfarroba, é uma questão de tempo, com a grande mais valia de não se estar a degradar o solo para a sua produção, como acontece com outras culturas intensivas. Em relação à cosmética, farmacêutica tem aplicações muito diversificadas. Hoje,  planta-se intensamente no Alentejo e simultaneamente a fazer a reconversão de muitos pomares, com a intervenção de um exímio enxertador e viveirista de alfarrobeiras, o Sr. Cabrita, da região de Algoz. Muito brevemente terei de lhe dar um abraço e ver as novidades que anda a criar, proque existe uma respeito mútuo de reconhecimento de algum (pouco) trabalho que se tem feito. Aproveito para dar um abraço aos meus amigos Sr. Caetano, apelidado carinhosamente por Mr. Carob (Sr. Alfarroba), das pessoas no mundo que mais sabem sobre a alfarrobeira e ao Eng. José Manuel Graça, vice-presidente da autarquia de Loulé que me inciou nestas lides da alfarroba. Alfarroba.... sempre! Caso queiram saber mais sobre alfarrobeira é só pedir...