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quarta-feira, 1 de maio de 2024

Quando os sinais se cruzam mais perto que longe...é o Máximo

 





Hoje ousei escrever sobre a experiência de estar tão longe de poder privar com o Fernando Alves (FA) e de ter estado tão perto do meu paraíso, num Portugal que de lés a lés é tão rico e variado que não será fácil encontrar em outras geografias este tamanho de gente. Relembro que esta história começa algures por 2010, mais precisamente a 23 de fevereiro, quando surge uma vontade intrínseca de escrever pequenas crónicas num blogue que apelidei por Biogere e cujo primeiro título foi “O Queijo como ícone das Beiras” e que começa assim … “O Queijo foi eleito o produto de referência para iniciar a atividade deste fórum. A razão é simples, constitui na nossa opinião um dos expoentes que deriva das características e qualidades ímpares da paisagem e dos recursos naturais e endógenos das Beiras.”

Para alguém que não é um escritor nato e cujo mundo que conhece por via do sentir é limitado, resta-lhe atentar aos pormenores do dia a dia e às coisas simples da vida que podem ser tema de análise e interpretação.  Procuro não ser radical na análise e deixar dupla interpretação nas entrelinhas quando a mensagem o pressupõe não por conveniência, mas por convicção.

Por isso dei por mim, na altura, a olhar os mestres inspiradores como o FA, não para copiar, mas para inspirar e ajudar a respirar o palpitar do pensamento. No dia 27 de abril de 2011, escrevi, uma das primeiras crónicas em que referencio o FA. Mas que dia é este! Faz agora precisamente 13 anos, exatamente no dia em que passou na antena 1 a nossa conversa sobre o cardo máximo no programa “Tão Longe e Tão Perto”. E o que referi na altura “Religiosamente, atraso o "passo", não para chegar ao serviço às nove em ponto, mas para ouvir os sinais do Fernando Alves e por vezes buscar inspiração para a crónica matinal. Hoje, invariavelmente, vinha com a crónica na cabeça. Mas o FA também tinha escutado o mesmo pavão que eu ouvira ontem no decorrer da entrevista ao primeiro ministro José Sócrates. Aliás, ao que parece até o Carrilho havia escutado! E eu que ingenuamente pensara que tinha um pavão ou uma "ave" afim no quintal lá de casa. Ele há sinais que... valem mais do que mil palavras!”.

Quando admiramos e veneramos os nossos Mestres os pensamentos podem-se encontrar e confundir com facilidade. Quiçá como os casais que se vão assemelhando, no conteúdo e até na forma, ao longo do tempo de convívio e partilha. Daí a 29 de setembro de 2011 escrevia sob o título “Sinais…da crise…mas também de oportunidade…Tenho uma enorme sintonia de pensamento com os sinais do Fernando Alves. Ontem, falava com uma colega sobre o "surrupianço" do prémio de mérito aos alunos do secundário e, eis que os "sinais" falaram. São estes pequenos sinais dos ministros, agora deste, outra vez de outros, que nos põem a pensar que os cortes não são "cegos", são "cirúrgicos" e amputam algumas das poucas meritocracias ainda existentes….”.

Mais tarde a 12 de novembro de 2013, sob o título “Há sinais que interessam”… faço referência à primeira vez que ouvi a referência ao Queijo Serra da Estrela nos Sinais curiosamente numa série de programas que estava a ser transmitida de Natal . “Os sinais do Fernando Alves são um dos motes de inspiração. Sempre que posso ouço as crónicas, ditas com os tempos e os ecos do Fernando que me deixam a pensar. Esta série está a ser transmitida de Natal, no Brasil e ele fez referência ao Queijo Serra da Estrela e do estudo de uma brasileira, Adriana Lucena à volta deste ícone. Vamos seguir este impulso e contactar esta advogada, cozinheira de vocação que estudou 4 anos o queijo Serra da Estrela. Depois contamos....”.

Continuamos por 2017 com uma crónica… “A natureza pensa em tudo...e coloca à mão de semear!” … Atualmente queixamo-nos muito das alterações climáticas e de outros problemas do foro ambiental e ecológico, criados quase exclusivamente por obra e graça da espécie humana. É óbvio que habitam outras espécies no planeta, mas até o hipopótamo, com toda aquela corpulência parece que tem pezinhos de veludo. Por isso, não terá sido por acaso que este "cavalo do rio" foi escolhido para coqueluche do Continente e também não foi por acaso que hoje o Fernando Alves, o tenha referiu no seu "Sinais" a propósito dos hipopótamos de Mário Vargas Llosa que considerava animais dóceis, de pele macia que apenas ingerem libélulas (sendo herbívoros) e que adoram espojarem-se na lama e fazer amor…”

 Depois da introdução que justifica a admiração pelo FA, façamos o historial desta experiência recente que foi o florir do capítulo maior “Cardo Máximo”. No dia 14 de abril regressava da minha terra natal, Barcelos, quando entrou na minha caixa do correio um mail do FA a convidar-me para uma conversa à volta do cardo sem a formalidade do cunho de académico, mas numa versão coloquial onde o cidadão Paulo Barracosa pudesse relatar as experiências que terão sugestionado o FA a considerar o cardo como um mote inspirador, suficientemente interessante, para tema no romper da segunda dezena de programas do “Tão Longe e tão perto” da Antena 1.

O FA faz este exercício por respeito ao seu perfil jornalístico, indissociável da pessoa, aos seus pares que com ele formam uma equipa e aos portugueses disseminados no interior profundo, esses nos quais acreditamos e onde é crucial perpetuar saberes, recriar tradições e recuperar “credos” nos territórios, de essência natura e potencial biotecnológico.

Faltava eleger o cenário da gravação, o local e os participantes. O espaço natural seria a ESAV, mesmo no meio da cidade de Viseu. Contudo, tratava-se de um programa de rádio onde o som é o principal meio condutor, devendo ser imaculado, e infelizmente no meio dos cardos como o FA pretendia sentiríamos o eco da circulação automóvel como eu havia testado uns dias antes, mesmo no começo da manhã. Por isso, a Quinta da Alameda foi, naturalmente, o local de eleição porque tínhamos o cardo, os pássaros e ainda pelo facto deste ano estarmos a realizar um ensaio numa parcela de vinha “Touriga-nacional” com aplicação de um extrato de cardo no tratamento fitossanitário preventivo sob a orientação técnica da Sónia Rebelo, responsável vitivinícola da Quinta da Alameda. Mas gostaríamos de surpreender o FA com uma mesa de atributos do cardo e voltamos a eleger os alunos do curso profissional de restauração da Escola Mariana Seixas orientados pelo Professor Nélson Augusto na preparação, confeção e serviço de mesa ao nosso ilustre convidado. Neste caso vieram acompanhados dos alunos de comunicação e fotografia que fizeram a reportagem e respeitaram o pedido do FA para apenas a divulgarem nos pós programa. Este é um aspeto curioso, num tempo de imediatismo e mediatismo, em que antes de o ser já era, sabermos esperar pelo tempo e pela surpresa do que será que aí vem desta vez é uma virtude!

Estava tudo a postos para o início da conversa, eis que ainda a digerir e transtornado pela derrota do Benfica do dia anterior frente ao Marselha, o FA percebeu que havia deixado descarregar o seu fiel amigo gravador de uma vida que era o cerne deste momento e sobre o qual iria ficar registado todo o ambiente e conteúdo que conseguíssemos expressar num momento de inspiração e naturalidade, tal como os anéis da árvore onde estávamos sob o copado na sua sombra. As opções seriam mudar toda a mesa para junto de uma ficha colada a uma parede ou carregar, novamente, o gravador enquanto ganhávamos inspiração para o momento. A ficha recaiu sobre a segunda opção, como que dando a oportunidade de podermos confraternizar um tempo extra e contarmos histórias que não viriam no programa. Esse aliás era o receio do FA que estivéssemos a perder a riqueza do programa porque já pareceriam histórias “requentadas”. Tivemos esse cuidado, também porque o FA trazia o seu roteiro bem estudado, na forma e no conteúdo com que me iria surpreender em direto. A história que merece ser contada é a do Manuel Paraíso que em 1998 se sentiu inspirado por uma crónica do FA sobre cogumelos silvestres na Mata da Margaraça e que desde então foi o mote para que o Manel fosse um dos maiores especialistas, por hobby, em cogumelos silvestres para além das urtigas, tomates e outros primores agrícolas e recursos endógenos. Não preparamos com antecedência, uma única questão, portámo-nos como jogadores profissionais sem sabermos ao início qual seria o resultado final e quase não houve recurso ao VAR para que numa qualquer montagem de uma qualquer linha condicionarmos o resultado final.

Neste interregno, por questões técnicas, pudemos degustar os primores preparados pelos aluno(a)s sob a batuta do Nélson, o “Dry-Cardo”, as Cardeiras dos Fumeiros D´Amaral, O vinho da APPACDM, a cerveja da Poliglota, e claro o Queijo Serra da Estrela da Casa da Insua, o queijo fresco confecionado pelos meus alunos da ESAV e da Escola Profissional de Tondela, e bolo podre de Castro Daire e o pão de centeio e os cogumelos do cardo temperados com azeite da Alameda. Na mesa estavam ainda as alcachofras que a Teresa havia encomendado ao FA e nós por obra e graça o tivéssemos adivinhado. Chegados aqui podemos começar o programa…







sexta-feira, 30 de abril de 2021

O Cardo num minuto....verde

INFO Politécnico de Viseu 27 de abril a 03 de maio

 Minuto Verde de 15 Abr 2021 - RTP Play - RTP

CARDOP é um projeto de valorização da flor do cardo desenvolvido pela Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV), que visa contribuir para a valorização do Queijo "Serra da Estrela" DOP, através do cumprimento das normas instituídas no caderno de especificações no que se refere à utilização da flor do cardo (Cynara cardunculus L.), como uma das matérias-primas que contribuem para a sua tipicidade e autenticidade. Neste projeto a ESAV tem procurado, em conjunto com outras escolas superiores do Politécnico de Viseu, explorar e valorizar todas as potencialidades desta planta pelas características dos seus diversos tipos de biomassa, designadamente folha, caule, flores e sementes.

Saiba mais sobre o projeto CARDOP.

CARDOP: PROJETO (cardop-queijoserradaestrela.blogspot.com)



sexta-feira, 15 de maio de 2020

Mais do que um simples Artigo, um modo de Estar...

Temos vindo de uma forma paulatina, a produzir trabalho em torno do cardo e aos mesmo tempo constituir uma equipa multidisciplinar. Por isso mesmo queria dar um agradecimento muito especial a todos!
Este trabalho agora publicado é imenso mérito da Manuela Antunes que teve um trabalho árduo de campo desde a recolha de amostras para análise da emissão de gases e medição de toda a biomassa que implicou obviamente a recolha do material e que é de uma qualidade excelente, aliás como tinha sido o anterior trabalho da Isabel Cardoso mas agora em maior escala. Ainda mais foi realizado na APPACDM que curiosamente ontem me pediram uma declaração para mostrarem evidências de que fazem um trabalho meritório em boas práticas agrícolas e ambientais. Querem melhor evidência do que publicar numa revista de reconhecido mérito internacional "The Open Agriculture Journal"
O Zé Luís com a sua forma "formiguinha" (no melhor dos sentidos) que leva a sua "água ao moinho" e com isso leva-nos a todos, o Jorge Oliveira pelo seu pormenor e capacidade científica, o Francisco Marques pelo voluntarismo e sentido prático e o António Pinto pelo "Sábio Saber" que só a experiência dos anos nos vai dando.
Esta concretização dá-nos balanço para um novo projeto que estamos a lançar e que acredito possa fazer Escola porque liga tudo isto, biodiversidade e genética, fertilização, rega, produção de biomassa, antioxidantes, proteases aspárticas e produção de queijos Serra da Estrela.
Para esta concretização contamos com os nossos alunos, desde o início foram eles mesmos que plantaram este campo, mesmo antes do cair da Pandemia. E será com eles que contaremos no futuro...acredito eu!
Orgulho-me de ter conseguido juntar esta equipa, multifacetada e plurisdisciplinar e que para mim representa mais do que apenas publicar.

Um abraço Amigo para Todos

quinta-feira, 16 de abril de 2020

É manhã todos os dias, ...mas não é todos os dias de manhã...

...que nos levantamos com a notícia que foram publicados mais dois artigos no Cardo em áreas tão distintas e em revistas com reputação da "Food Chemistry" e do "Journal of Soil Science and Plant Nutrition". Este é um trabalho que se iniciou há uma década atrás e que tem vindo a dar os seus primeiros frutos. Porque pegamos pelo princípio, sabemos muito bem onde queremos ir e com queremos ir. Por isso o meu agradecimento a todos aqueles que desde Bragança (IPB), Porto (UP), Coimbra (UC), Aveiro (UA), Lisboa (INIAV, ISA), Alentejo (CEBAL), ao Algarve (UAlg, Hubel) nos têm ajudado ao IPV-ESAV, nos seus diversos departamentos, a ampliar e consolidar este trajeto que ainda nos trará muitas mais publicações e acima de tudo certezas sobre todas estas potenciais aplicações que temos vindo a estudar, avaliar e a explorar. Por isso o papel das empresas neste caso é fundamental, com quem estamos em contacto permanente e temos vindo a lançar desafios para iniciarmos não ensaios de teste, que esses em muitos casos estão feitos, mas ensaios em escala industrial, porque acreditamos muito neste projeto e as empresas também. Para isso precisamos plantar cardo, em particular na região centro e num tempos destes de emergência plantamos 10 ha, se calhar por isso mesmo, porque estamos em Emergência, e acreditamos que o cardo nos possa vir a ultrapassar algumas das dificuldades e abrir novas oportunidades que ainda estamos a avaliar. Alguém tem que "jogar a bola para a frente", esse tem sido um pouco o meu papel, mas com uma equipa destes que tem defesas, médios criativos e de trabalho e avançados ninguém tem medo de jogar em equipa. Quiçá este era o momento para lançarmos o verdadeiro projeto do cardo a nível nacional, com as ferramentas que temos ao dispor. Aqui fica o desafio! Quando chegamos a um ponto destes, não interessa quem começou, interessa quem acredita e quem segue connosco neste caminho que só nos pode conduzir ao sucesso. Um Muito Obrigado a Todos. Obviamente que terei que fazer um agradecimentos muitos particulares, mas permitam-me os faça em privado. Agora vamos continuar a trabalhar porque estão outros artigos na calha...

 Food Chemistry  Title: Chemical composition and in vitro biological activities of cardoon (Cynara cardunculus L. var. altilis DC.) seeds as influenced by viability; 
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814620307007?via%3Dihub



Journal of Soil Science and Plant Nutrition Title: Effect of Biochar on Emission of Greenhouse Gases and Productivity of Cardoon Crop (Cynara cardunculus L.)

https://www.springer.com/journal/42729

https://link.springer.com/epdf/10.1007/s42729-020-00242-w?author_access_token=XTMsr0iyxhGej58_Fpju3Pe4RwlQNchNByi7wbcMAY4acwvBWxIYn4x-SPYmysxG4NS4pEU5D2SoWS4MY6yItR9qdfAR4JvRKfctSXNyHuOHhNNz5VWhK_nbkP5QkB9ob0dOMHBjLMTZFNzspIK9Bg%3D%3D


quinta-feira, 9 de abril de 2020

O que pode fazer uma Instituição como a ESAV em tempos de Quarentena,.....

....pode fazer muito, desde logo estar em constante diálogo com os alunos para perceber como está tudo a correr e que medidas mais urgentes uma Escola pode tomar para os ajudar a si e aos seus. Como muitos são produtores agrícolas, produzem hortícolas, frutas e animais perceber como se pode estabelecer uma rede privilegiada para os ajudar a ir escoando alguns produtos. Mesmo com os nossos parceiros de projetos é nestas alturas que mais precisamos de mostrar o importante que eles são para nós. Se a instituição não o faz no seu todo, então que façamos nós individualmente pela região e pelos nossos. Não vamos deixar de comer o nosso cabrito ou borrego na páscoa, o nosso queijinho Serra da Estrela, os nossos ovos para confeccionarmos o folar e o pão de azeite feitos em casa, entre muitas outras iguarias que não poderíamos saborear em "tempos de guerra". Mas estes não são "Tempos de Guerra" e os líderes têm que aparecer nesta altura. nem que sejam mascarados. Agora estamos muito em cima mas vamos procurar ajudar aqueles que nos estão mais próximos e que tanto nos têm ajudado. Há os que o fazem por prática, os outros que o façam por obrigação e verão as surpresas que vão ter em qualidade, sensibilidade e retribuição.
Esta era uma oportunidade de ouro para "cimentarmos" relações que ficam para a vida. Em tempos de vacas gordas, todos somos muito Amigos, mas é nestes tempos de "Vacas magras" que se vêem os Verdadeiros Amigos.
A ESAV e o IPV estão de quarentena, não estão de Luto....mas na comemoração destes "quarenta anos", com o logo institucional que instituímos e que todos temos que respeitar ...mais parece. Façamos solidariedade cá dentro e abramos os nossos corações àqueles para os quais somos uma referência e queremos servir em primeiro lugar. Aos líderes que apareçam às pessoas com as devidas precauções e não apenas nos horários pós-laborais. Sejamos crescidos e assumamos os nossos papéis e funções.

Ontem prestamos mais um bom serviço à ESAV....mas "Burro velho não aprende"

....agora é preciso que não desperdicem o investimento de todos e o bom nome que a ESAV tem hoje no cardo. Eu faço o que me mandam e, para além disso, quando considero que as coisas não vão no bom sentido, faço ainda um pouco mais mas, tenho os meus limites que quando os atinjo, não faço mais nada! Está aqui o que me pediram, tal como o fiz na vindima, e em muitas outras ocasiões. Quando terminei cada uma delas jurei não fazer mais nenhuma. Mas "Burro velho não aprende" Quando for para aparecer este campo, que está na montra do Palácio do Gelo,  na fotografia sinceramente prefiro não estar. O que sei fazer é trabalho ....não são fretes!









terça-feira, 31 de março de 2020

Hoje foi o primeiro dia...do resto das nossas Vidas....





Deu-se hoje início a um ciclo de conferências, não para nos entretermos mas para pensarmos em conjunto sobre as perspetivas futuras pós COVID. Eu bem sei que alguns dos meus Amigos estão a tentar "salvar a pele" dos seus colaboradores e por isso não têm que pedir desculpa por não poderem ter participado. Nós só temos a agradecer por eles continuarem a lutar pelo futuro das suas empresas, e essa é a melhor resposta que me poderiam dar. Também é certo que os que compareceram não foi porque tivessem o tempo todo do mundo mas sim porque queríam dar um sinal. O sinal está dado e quem mais "bebeu" foram os meus alunos que aproveitaram para crescerem e olharem o futuro com esperança em busca das oportunidades que irão surgir. Falamos de muita coisa, lançamos desafios, entre muitos fica o realce de que o Paraíso tem "Tomates", dsignadamente 60 variedades em cultivo que estão no link (http://biogere-esav.blogspot.com/2018/10/quando-disse-ao-paraiso-queele-nao.html) e que quando houver oportunidade fomos convidados a Visitar a Vista Alegre e não fazendo concorrência ao Lacroix podermos construir uma ideia de design de futuro...com base nos nossos recursos endógenos e respeitando na íntegra a taxonomia e a verdade das coisas, muito por força da simplicidade mas acima de tudo da singularidade...Um enorme Bem-haja a todos 

sexta-feira, 27 de março de 2020

Continuar a produzir ciência em Equipa em Prol do Cardo e do Queijo Serra da Estrela DOP

O momento atual de algum retiro é ideal para produzirmos ainda mais e melhor ciência em equipa....mesmo em isolamento social. A ciência também tem que ser capaz de ajudar a promover os produtos endógenos como é o caso do Queijo Serra da Estrela, DOP, bem como os seus produtores e neste caso a Queijaria de São Cosme. Num momento particularmente difícil como este não podemos baixar os braços e pelo contrário temos que continuar a lutar em prol destes que tanto têm feito por nós. É altura de sabermos retribuir...a todos os que nos têm ajudado a levar mais longe e alto a ciência que fazemos, ....sempre em Equipa. https://www.mdpi.com/2304-8158/9/4/386




sábado, 21 de março de 2020

Guardador de Sonhos....

O escritor Afonso Reis Cabral, tem lançado alguns desafios interessantes, como o desafio da Nacional 2 e a agora guardador de cabras em Góis publicado hoje no público. Diz a Sandra Silva Costa na sua crónica semanal de resumo do Fugas que o "Afonso tinha combinado contar-nos a sua experiência enquanto guardador de cabras em Góis e acabou ultrapassado pela realidade que nos consome.". Na minha modesta opinião ainda faz mais sentido nos dias de hoje...alguma isolamento e distanciamento, contemplação nunca reclusão, tem toda a a liberdade para pensar como um Pastor, e desejando estou eu para ter este tempo e este desprendimento. Um aluno meu, o Diogo de Fornos de Algodres, tinha um pastor na sua exploração que estava a frequentar a Escola de Pastores da Escola Superior Agrária de Viseu, e que levava máquina fotográfica, binóculos e um livro de Alberto Caeiro, para estar com as ovelhas Serra da Estrela...nunca o cheguei a conhecer porque desistiu. Se fosse responsável pela Escola ia ao fim do Mundo procurar este Pastor de Futuro....
A propósito por impulso decidi assinar o Público, num tempo difícil para todos temos que nos ajudar mutuamente!




quarta-feira, 18 de março de 2020

A Biologia Vegetal, ou quase Vegetal, até que compreendamos a Biologia...

Caros Alunos,

Esta será a forma privilegiada como iremos estabelecer o contacto neste período de Isolamento Social. Obviamente que têm o meu contacto móvel ou aqueles que não tiverem é só pedirem. Temos ainda o mail através do qual já vos enviei uma primeira publicação e obviamente o moodle onde vou adicionando o material, que interessa discutirmos. Ontem enviei-vos um mail ao qual só uma aluna respondeu. Espero que estejam todos bem de saúde bem como as vossas famílias e que não estejam aterrados em medo que é a pior coisa que vos pode acontecer. Obviamente que vocês têm que obedecer a ordens das entidades responsáveis e em última instância aos vossos pais e familiares. Uma coisa é certa, a situação vai piorar e cada um de nós tem que encontrar equilíbrios para gerir a situação e o risco, para termos sanidade mental para aguentarmos esta fase difícil. Eu hoje fui plantar árvores na Movecho porque acredito no futuro e esta é a melhor mensagem que posso dar. E nestas alturas é que damos sinais de confiança para com aqueles no qual acreditamos. Não é no facebook ou Whatsapp a reencaminhar coisas, embora às vezes seja preciso até para aliviarem a pressão e rirmo-nos um pouco da situação sem ofender ninguém.
Amanhã continarei a plantar árvores na Movecho, em total isolamento social, porque elas têm que ser plantadas esta semana, assim como os cardos que queremos instalar na ESAV e que os tenho já comigo. Assim vou mantendo a normalidade possível e adiantando trabalho para nos sentirmos úteis. Não estou a pedir que se ofereçam, mas vejam no que podem ajudar em casa, no campo e no trabalho se não se sentirem confortáveis fora destes espaços. Na próxima semana ainda está agendada a plantação em Almeida, mas o grande problema é o transporte que deve ser minimizado ao máximo e com número de pessoas muito limitado. Vamos vendo o evoluir da situação para eu tomar a decisão final. O maior perigo nestas atividades são as carraças e não o corona, embora todos os cuidados sejam poucos. Neste momento delicado cumprindo com todas as recomendações saibamos ser úteis nas mais variadas atividades de voluntariado ou outras, e em primeira instância com os nossos, e a sociedade irá agradecer-vos no futuro que é já amanhã. Dizer apenas que a nossa grande vantagem enquanto País é que vamos uma semana atrasados e isso permite-nos tomar decisões em antecedência e acompanhar o evoluir das estratégias dos outros Países e podermos fazer rotas de correção se necessário. Vejam o exemplo dos Ingleses ou os Americanos que ainda vão fazer a inflexão de forma mais notória. Outra situação que nos levanta dúvidas é sobre a origem desta pandemia e a quem isto interessaria? Hoje a notícia é que um laboratório militar chinês terá encontrado a vacina e que iniciará os testes. Nada mais estranho ser um laboratório militar a fazê-lo e que nos deixa ainda mais dúvidas sobre a origem do Covid-19, mas isto são meros estados de espírito. Uma outras situação prende-se com as novas oportunidade no futuro e a maior dependência da internet. Cada um que pense por si para perceber no seu emprego como podem abrir novas oportunidade para que possam tirar dividendos pessoais diretos no futuro ou que a vossa empresa ou a sociedade os tire como um todo. Obviamente que também vão pensando no que temos que mudar no futuro, mesmo que a sociedade como um todo não o faça. Comprar em proximidade, km 0 que era uma tendência a ser seguida até por grandes retalhistas na Europa e comprar nas pequenas mercearias de bairro. Reparem no potencial da ESAV em frente do Jumbo. E se produzisse-mos para o Jumbo como queremos fazer com as flores de cardo para o Queijo Serra da Estrela? Quem ganharia? todos! Vamos continuando em Isolamento Social e não em Quarentena porque ainda não foi decretado, e vamos falando até para aprendermos de forma descontraída. Bem-hajam!








quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O Cardo como Estrela no Centro

Queria agradecer a oportunidade de estar hoje aqui integrado nesta sessão de divulgação do projeto Lightwood, liderado pelos Professores Jorge Martins e Luísa Martins do Departamento de Madeiras da ESTGV/IPV. Aproveito para felicitá-los, bem como a toda a equipa, pela organização deste seminário e por terem atingido este ponto de maturidade no projeto Lightwood. Agradecer também a todos os presentes, sei que muitos fizeram um enorme esforço para estarem presentes e não vos queria defraudar as expectativas.






Considero este evento de extrema importância para a concretização do sucesso da cultura do Cardo na região Centro pelo potencial e perspetiva de futuro que apresenta, alicerçado numa raiz histórica e cultural, mas com uma grande capacidade de inovação, para além da identidade para com esta região. 





Considero que o Cardo pode ser um exemplo de marketing territorial para a região Centro, no sentido em que procura enquadrar e valorizar recursos endógenos, centros de investigação e empresas através da multiplicidade de produtos de diversa índole, numa lógica de fileira, que ajudem a promover o marketing estratégico de uma região, desde a produção agrícola às mais variadas formas de produção industrial, incluindo o design, gastronomia, saúde e turismo.


O desafio de resumir dez anos em dez minutos não será fácil. Já levei o “nosso” cardo às mais variadas geografias no Mundo mas quero assumir publicamente que esta é a apresentação em que sinto mais o peso da responsabilidade, porque para além de ser no nosso território, onde muitas vezes sentimos que “Santos da Casa não Fazem Milagres” é aqui que também sabemos que não podemos falhar, uma vez que fizemos atrair a Viseu e ao IPV as mais variadas geografias e interesses. Uma instituição como o IPV deve centrar-se e focar-se em alavancar a região onde se insere. A região Centro! Obviamente, sem se restringir a este círculo geográfico. Para isso temos que conhecer muito bem a região, os seus empreendedores, os decisores, mas acima de tudo o potencial produtivo e transformador nos mais variados setores numa perspetiva de fileira. Foi exatamente isso que idealizamos e estamos a procurar concretizar. 




Percebemos há 10 anos atrás que o setor dos laticínios, com particular enfoque no queijo “Serra da Estrela”, era um das áreas com maior identidade e potencial na região Centro, e que sob ponto de vista estratégico seria um erro crasso não preservar e valorizar os seus ingredientes designadamente, o leite de ovelha Serra da Estrela, o Sal e a Flor de cardo, até numa lógica integrada no Centro e  muito em particular a capacidade e o potencial humano.










Gostaria de recordar que na época, as entidades responsáveis não sabiam sequer identificar o cardo. Foi exatamente por aí que começamos em procurarmos sensibilizar o setor para a falta de visão estratégica e pela urgência que a região deveria ter em promover o cultivo do cardo porque iríamos assistir a uma clara redução na disponibilidade deste recurso e obviamente da sua qualidade. 



Em 2010 candidatamos um projeto PRODER para estudarmos a biodiversidade do Cardo sob ponto de vista morfológico e bioquímico. Na altura financiaram-nos com um valor que  correspondia ao IVA do montante que tínhamos inicialmente orçamentado. Esta era a visão estratégica dos decisores políticos da região. Hoje continuam a não existirem projetos financiados exclusivamente para o Cardo. Tivemos a coragem de não desistirmos e com o apoio voluntário dos alunos conseguimos concretizar o projeto que considero um case study para o mundo. 



Em termos da produção, poucos deram-nos ouvidos, existindo um exemplo que hoje é um caso de sucesso, a Casa da Ínsua, pela mão do Eng. José Matias e que aceitou que tivéssemos ido plantar o primeiro campo com recursos genéticos selecionados na sequência dos resultados preliminares que obtivemos no Projeto CARDOP. 


Todas estas limitações “aguçaram-nos o engenho” em termos de criatividade e capacidade técnica e científica e juntamos ao projeto uma componente social que nos tem permitido atingir resultados que de outra forma não teriam sido possíveis. 


Integramos a APPACDM-Viseu e o Estabelecimento prisional do Campo-Viseu que são hoje instituições de referência no cardo porque possuem campos de cardo e de onde provêm, a par da Casa da Ínsua, as melhores flores de cardo que conheço e que são usadas para os estudos científicos que estão em curso no setor dos Queijos do Centro.






O cardo (Cynara cardunculus L.), fruto do seu ciclo vegetativo, é uma das plantas melhor adaptadas para o ambiente tipicamente mediterrânico e que engloba o cardo selvagem, a alcachofra e o cardo cultivado.



Este grupo registou duas linhas de domesticação. Uma no domínio da alcachofra para consumo de “capítulos” em fresco, ainda fechados e, por outro lado, o cardo cultivado para produção de grandes volumes de biomassa, essencialmente, para aproveitamento de sementes e caules. 


O projeto que tenho defendido assenta na obtenção de um património genético que privilegie a produção de flores de qualidade excecional, daí a necessidade de obtermos um elevado número de capítulos, mas cujas flores apresentam características morfológicas e bioquímicas muito específicas, e cuja dimensão e arquitetura da planta deverão permitir uma elevada produção e uma colheita mecanizada facilitada. Para além deste objetivo principal, estamos numa fase do projeto que procuramos valorizar a biomassa da planta como um todo e, por isso, o projeto Lightwood é de uma importância vital pela dimensão e peso que pode assumir na valorização de uma porção muito significativa da biomassa total do cardo.


Nos 30 anos de especialização na área dos recursos genéticos das plantas, confesso-vos que não conheço outra planta que tenha um potencial tão diverso e sinérgico como o cardo, onde para além do potencial produtivo acresce uma enorme capacidade de aclimatação face às perspetivas de alterações climáticas que se avizinham a curto prazo. Temos hoje um património genético selecionado, por nós ao longo destes 10 anos, que nos permite perspetivar o futuro de uma forma promissora. Os diversos ensaios que temos atualmente em curso visam seleção de material genético, caracterização de índices produtivos, produção de flores com perfis bioquímicos exclusivos, resposta a distintos níveis de fertilização e avaliação na emissão de efeito de gases de estufa. 




Em termos de potencial produtivo das diversas formas de biomassa, já atingido por nós, vou apresentar alguns dados que são absolutamente excecionais e que demonstram o potencial desta planta. Temos plantas em campo capazes de produzir 60 capítulos, 350 g de flores secas de qualidade excecional, 210 g de sementes, 8900 g de biomassa seca, das quais 4500 g de caule, 2750 g de inflorescências e 1650 g de folhas. 



 Estas plantas em condições ideais permitiriam obter valores absolutamente excecionais quando comparados com o que atualmente está estabelecido nas melhores práticas que são valores totais de biomassa na ordem das 30 ton ha-1. Face a este potencial há um enorme trabalho a fazer para incrementarmos os índices de produção nesta cultura. Por outro lado, podemos ter que optar, se assim pretendermos, tornar o cardo como uma cultura altamente produtiva e rentável ou usar a cultura num modo de produção sustentável que procure uma maximização da rentabilização sem descurar o equilíbrio na gestão dos recursos hídricos e prevenção da erosão solo numa perspetiva de suster o efeito das alterações climática com particular preponderância nas regiões tipicamente mediterrânicas.








 Neste caso concreto que serve como case study começamos por estudar a biodiversidade da flor do cardo, mas especificamente relacionada com a valorização na produção do Queijo Serra da Estrela, DOP. Poderíamos ter estudado DNA, RNA ou proteínas, mas neste caso optamos por estudar as proteínas por ser menos oneroso, mas preferencialmente por serem as biomoléculas através das quais mais facilmente poderíamos estudar os seus efeitos na produção do QSE e assim que nos aceitaram fomos trabalhar para as queijarias, até mais do que em laboratório.



Não por acaso foram os melhores que em primeiro lugar nos abriram as suas portas, Casa da Insua, Germil, São Cosme. Hoje possuímos flores com perfis bioquímicos específicos e distintos que permitem a obtenção de queijos com distintos padrões ao nível da textura e aromas para laboração de queijos de qualidade excecional.


Estima-se que o Queijo Serra da Estrela, o produto biotecnológico mais complexo que conheço, gere uma valorização de 20 milhões de euros e uma empregabilidade de cerca de 3200 famílias dispersos pelo território Serra da Estrela (APQSE) que engloba uma área de 3119 km2 de quatro distritos (Viseu, Coimbra, Guarda e Castelo Branco) na região Centro onde assume um papel de relevo na economia da região. O potencial de produção do QSE assenta atualmente num efetivo inferior a 40.000 ovelhas da raça SE, num total de 80000 pequenos ruminantes, que permitem a obtenção de 4 milhões de litros de leite de ovelha, 800 toneladas de queijo e 400 toneladas de requeijão. 
Mas este é um mercado que à escala nacional pode decuplicar atendendo ao número de queijos DOP cuja regulamentação obriga à utilização de extrato de cardo, em Portugal que são exemplo Azeitão, Beira Baixa, Évora, Niza, Serpa para além do Serra da Estrela e ainda a novos mercado potenciais de outros tipos de queijos que possam vir a incorporar a utilização de cardo no seu modo de fabrico com uma mais-valia acrescida. A flor de cardo como agente coagulante tem um enorme potencial de crescimento futuro pelas limitações de grupos de consumidores no uso de coagulantes de origem animal por questões religiosas, dieta ou oposição a alimentos geneticamente modificados. Sabemos hoje que muitas queijarias usam extratos não provenientes diretamente de flores de cardo, muito embora se apelidem como tal. Para assegurarmos a autossuficiência há ainda um longo caminho a percorrer que se for bem delineado pode trazer benefícios a todos, produtores de cardo e produtores de queijo.

No caso da biomassa o cardo, a zona medular com uma densidade equivalente à do esferovite (30 kg m-3) sempre foi desvalorizada pela sua falta de resistência, mas eu sempre acreditei que seria uma das grandes mais-valias do cardo pela sua excecional leveza que na lógica da estrutura do caule do cardo permite a obtenção de uma estrutura resistente e leve. Só teremos que replicar esta estrutura natural para conseguirmos obter estruturas leves e resistentes que possam ser incluídas em aplicações muito diversas. O caule do cardo apresenta, em termos médio, uma densidade de 190 kg m-3 o que revela que plantações que obtenham níveis de produção de 19 ton ha-1 permitem a obtenção de 100 m3 ha-1. Contudo, numa outra lógica mais intensiva este valor pode duplicar com alguma facilidade.






À biomassa do cardo pode-se fazer acrescer uma produção de flor na ordem dos 500 kg ha-1 e 1000 kg de semente. Pelo exemplo que já mostrei em termos dos valores atingidos em património genético de plantas desenvolvidas por nós, estas produções podem atingir valores incrivelmente superiores. Por isso estamos atualmente a apostar seriamente na área agronómica, relacionadas com as otimizações de instalação e colheita, fertilização, fixação de carbono e emissão de gases com efeito de estufa. 


Em relação às folhas acreditamos que a breve trecho poderemos ter novidades sobre potenciais aplicações para além de se usar no uso culinário, gastronomia, nutrição e promoção de saúde






Em jeito de conclusão, apenas referir que para fecharmos todo este ciclo podemos usar a biomassa na valorização da produção do cogumelo do Cardo (Pleurotus eryngii) com qualidade gastronómicas e nutritivas de grande valia.


Mostrar o cardo e perder a oportunidade de mostrar um queijo DOP Português laborado com Cardo.


Os meus "mestres", o Prof. Euclides Pires e,...

...João Madanelo



Esta vista integrada e sinérgica que tenho hoje desta cultura permitiu-me escrever um artigo de revisão que será publicado na próxima semana na revista Chemistry & Biodiversity e que permite termos uma análise mais científica e integrada de todo este potencial que estamos a falar especialmente ao nível dos compostos bioactivos dos quais hoje não me irei debruçar mas que abre um sem número oportunidades, saibamos colocar todo este potencial em mãos que o saibam valorizar.