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domingo, 24 de novembro de 2024

Soalheira...e World Cheese Award...um caso de estudo




A Soalheira e, em particular, a Quinta do Pomar de Joaquim Duarte Alves está de parabéns por ter conquistado o Super Gold do World Cheese Awards realizado em Viseu. A Soalheira tem olho para o marketing porque usa a imagem do cardo em todos os queijos mesmo naqueles que usam coalho animal. E isso coloca algumas dúvidas sobre a real utilização da flor de cardo. No evento tive a oportunidade de falar com a família dos produtores que me confirmaram a utilização de flor de cardo provinda do Alentejo, embora o rótulo refira coalho animal e no site da própria queijaria não há qualquer referência à flor de cardo como agente coagulante. Muito provavelmente o queijo premiado terá sido produzido de modo específico para o concurso. No rótulo há a imagem de um "cardo" que não é o Cynara cardunculus, embora esta questão seja comum em outros rótulos ou sites de queijarias. Em relação ao leite é crú e proveniente de ovelhas da Serra da Gardunha das várias raças exóticas que por lá pastoreiam. E o queijo Serra da Estrela? terá ganho alguma reputação pelo facto da realização ter sido em Viseu, que tem duas freguesias que pertencem ao território DOP. E o território, as empresas e os municípios beneficiaram do investimento no evento? Espero bem que sim! Na edição dos 20 anos da Gazeta Rural escrevi algumas linhas sobre o modo como eu alvitrava que a região pudesse participar.

"Na última década o cardo e o Queijo Serra da Estrela (QSE) têm sido a minha reflexão mais assídua e a GR um dos seus maiores divulgadores e promotores. A propósito, o cenário onde pontifica o QSE DOP, que se apresenta de corpo e alma como uma das nossas melhores referências gastronómicas, servirá de mote para a realização do World Cheese Awards, em Viseu, como o maior evento mundial dedicado exclusivamente aos queijos. Este evento pelo seu mediatismo poderá servir como momento charneira para toda a fileira do QSE que, a par de outras ações como a recente candidatura a património imaterial Mundial da Unesco, pode guindar este ícone, definitivamente, ao Estrelato. Pelo investimento requerido e capacidade instalada no território esta realização deve assumir-se como um desafio para que possa ser uma montra na divulgação e promoção de todo um território, incutindo a criação de sinergias entre as mais diversas instituições, de modo que o investimento possa ter o retorno pretendido nos seus mais variados domínios e vertentes. O papel das Comunidades Intermunicipais e das Autarquias, especialmente da região QSE DOP, a par da Estrelacoop e dos produtores serão de vital importância na articulação e concretização de todo o plano que estará a ser gizado. O Instituto Politécnico de Viseu e a Universidade Europeia Eunice têm mostrado todo o interesse e disponibilidade em poderem contribuir para o sucesso do evento com a colaboração dos seus docentes, alunos e colaboradores, nos mais diversos domínios do saber, em articulação com os diversos atores procurando corresponder aos anseios dos seus promotores. Será uma ambição natural dos produtores QSE aproveitar o ensejo para garantir, ainda mais qualidade e sucesso que se traduzirá na classificação final do ranking. Será uma oportunidade de excelência para dar a conhecer in loco aos jornalistas especializados das mais diversas geografias e ao público em geral toda a capacidade e complexidade dos processos de fabrico com garantia da origem e qualidade dos ingredientes como o leite de raças ovinas autóctones (Serra da Estrela e Churra Mondegueira), flores de cardo e sal. É, ainda, desejável aproveitar o ensejo para mostrarmos a capacidade de promover e divulgar a cultura de um território “Estrela” no estabelecimento de projetos de parceria entre instituições, empresas, artesões e associações dispersas no território onde pontificam um conjunto de indústrias relacionadas, direta ou indiretamente, com a fileira do QSE e onde o burel se assume como um dos expoentes. Temos de ter a audácia de criar projetos com raízes que possam vir a frutificar de forma perene no futuro e estimular artistas plásticos para usarem a fileira do QSE como fonte de inspiração nas suas criações. A par dos argumentos apontados pelos promotores para a escolha de Viseu, a ligação da cidade ao guerreiro pastor Viriato será seguramente uma imagem simbólica na promoção do evento, permitindo evocar a história imemorial destes territórios aos cenários de pastagens naturais onde tudo começa e usar a transumância como elemento de animação. Acredito que a Confraria do Queijo Serra da Estrela poderia ter um papel interventivo com a realização de um capítulo extraordinário que pudesse congregar todas as confrarias nacionais e internacionais para enaltecer o evento e tornar este um momento único de confraternização e promoção de todos os queijos em uníssono. Pela dimensão e amplitude do evento seria desejável a existência de um(a) Comissário(a) para coadunar todas as vertentes que possam vir a estar envolvidas e deste modo amplificar o sucesso do retorno e para que todos aqueles que nos visitem possam levar na memória os saberes e os cenários onde são criados os Queijos Serra da Estrela e todos os produtos DOP da fileira onde se incluem o requeijão e o borrego Serra da Estrela."

E o IPV/Eunice? procurou apoiar o evento com voluntários e através do PRR BCheeSE com uma comunicação de promoção do Queijo Serra da Estrela DOP e...ainda pagou por isso. Nem convidados para provadores fomos! Parabéns aos organizadores que foram aqueles que mais ganharam com o evento.











































domingo, 25 de abril de 2021

Quando a Bota não Bate com a Perdigota,.....Faça chuva ou faça sol

Ontem assisti ao programa "Faça chuva ou faça sol" na RTP2 sobre a fileira dos Queijos do Centro ou melhor do Queijo da Beira Baixa e dos outros. Um dos méritos é dar foco aos queijos do Centro e isso é inegável. Depois, há muitas outras coisas que se podem dizer, mas sempre na lógica do melhorar. Vou-me focar no Queijo Serra da Estrela porque é aquele pela qual "visto a camisola". Foi a primeira aparição que vi do novo Presidente da Estrelacoop. A expectativa é grande, mas não é cega. Apenas vou referir três notas que me ressaltaram. Em primeiro lugar a flor de cardo. Uma pequena mostra de uma qualidade a roçar o açafrão. Quem a terá fornecido? É  a qualidade padrão comum nas queijarias? São poucas as queijarias que se preocupam verdadeiramente com a qualidade da flor e muitas menos com a origem da flor. É uma questão cultural e de falta de visão estratégica com a qual a nova direção da Estrelacoop se poderia preocupar...! Já ando há 10 anos a debater-me com esta questão e já disse o que tinha a dizer.


A segunda questão é mais de fundo. Como se caracteriza o queijo Serra da Estrela....um queijo semi-amanteigado com notas ligeiras de amargo e cor amarelo palha. Tudo isto é o resultado de um leite que deve ser de excelência das raças Serra da Estrela e Churra Mondegueira com características muito próprias no qual a flor de cardo faz um trabalho de coagulação que pode promover identidades muito próprias a este ícone. Tenho andando a procurar mostrar em diversas queijarias este facto. Diversos cardos ajudam a criar diferentes queijos sobre uma mesma base. Qual o resultado? É engraçado, mas deixemos estar como está. Nada mais certo, num ano de pandemia, onde devíamos estar a pensar no futuro. Por isso me calo! O conceito de semi-amanteigado, está hoje desvirtuado porque é um compromisso difícil de estabelecer onde os aromas se possam expressar na plenitude. É mais fácil amanteigar por isso fácil de copiar e daí a questão das ditas fraudes. Mas quem se pôs a jeito foi o Queijo Serra da Estrela a pedido das grandes superfícies que reduziram a dimensão do queijo e amoleceram a matriz e a identidade. Qual foi o objetivo? Óbvio meu caro...! Só se copia o que tem valor comercial e é fácil de copiar só pela aparência. Ora nem mais! A textura é fácil de copiar, o consumidor é pouco exigente e tem pouco poder de compra, a questão dos aromas, deixem-se disso...temos os hologramas que são caros mas são uma garantia...de quê? Textura! Estou tentado um dia destes ir a uma queijaria não DOP com os meus cardos e fazer um queijo que vá a uma prova cega no painel Serra da Estrela DOP. Mas atenção continuo a acreditar neste produto, agora mais do que nunca...!


A terceira nota tem a ver com a forma como se deve apresentar o queijo Serra da Estrela à mesa. A Cecília ainda há poucos dias fez uma mesa de QSE na praça da Alegria que me encheu de orgulho. Brilhante! O que vi ontem deixou muito a desejar.



O queijo velho DOP "Serra da Estrela" é outro produto que deve ser explorado para públicos muito específicos. Não pode ser o que "sai mal" que vá para velho. Este deve ser o excelso para públicos de eleição, exigentes e para o Mundo além fronteiras.


Os responsáveis que olhem de uma vez por todas com a atenção devida para a fileira. O importante não é como vamos buscar o leite. O importante ainda é a garantir a qualidade do leite. Não invertamos as prioridades.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Hoje queria agradecer em PÚBLICO...e por isso.... Publicamente....



...ao Diretor do Jornal Público, o jornalista Manuel Carvalho que, num ápice, me fez cumprir o sonho de chegar à fala com um dos que mais admiro o MEC.

Dizia o Manuel Carvalho num mail institucional que "um jornal para ser forte e credível precisa mais de críticas do que elogios. São as críticas que nos tornam mais atentos,mais exigentes, mais aberto à sensibilidade e às opiniões dos nossos leitores. Mas, em momentos de incerteza, angústia e desamparo como os que vivemos coletivamente, os elogios ganham uma nova importância. Porque amparam e estimulam a energia, o esforço, e a determinação de todos os que diariamente fazem o PÚBLICO".

Este mail foi o impulso para procurar ajudar o Público e remeti de pronto um mail ao Diretor que não demorou mais do que 5 min a responder. O resto da história pode ser que um dia venha a lume, porque a evolução tem sido deliciosa no trato...

"Caro Diretor Público,

Acabado de receber o mail das críticas e elogios em Público, sei que não irá ler mas permita-me o desabafo pessoal. O Público é um garante de pluralismo e qualidade, desde logo no design gráfico e na escolha das foto, depois em tudo o resto, ou seja no seu sumo e conteúdo. Neste período o seu papel tem ganho particular ênfase, não para distrair mas para informar de modo plural e preciso. Nesta altura estou a findar a escrita de uma tese de doutoramento, imagine-se sobre o cardo, a flor de cardo. Por isso quase não tenho tempo para ler o Público que passei a assinar nesta quarentena, por acreditar no projeto e querer ajudar literalmente. Sabendo que me chegava por várias formas no email, infelizmente! Contudo, continuo a ter dificuldade em ler no formato digital, e não sou velho! Mas o papel é o papel e o papel do Público é fantástico, especialmente em privado.
Mas a propósito do cardo, há duas semanas o Miguel Esteves Cardoso que leio religiosamente escreveu no fugas sobre queijo fresco feito com coalho da farmácia na bimby. Deu-me um "tremelique" e pensei. Se eu fizesse chegar flor de cardo ao MEC via Fugas/Público ele seguramente que iria experimentar. E seria o melhor teste para ver se acrescentava algo ao queijo fresco do Miguel que ele muito preza. Mas tentei mails para a Sandra Costa e nada. Um leitor também gosta de ajudar um Jornal a fazer melhor em Público. Esta foi a intenção. Se entender ajudar a fazer chegar as flores de cardos ao Miguel eu agradecia, mas se calhar o Miguel ainda agradeceria mais.

Bem-haja

Paulo Barracosa"

quinta-feira, 26 de março de 2020

A Alma da Flor de Cardo no Queijo Serra da Estrela

O Vale da Estrela pediu-me para redigir um pequeno texto sobre a importância de flor de cardo para o Queijo Serra da Estrela e para a região. Aqui vai com fotos da minha colega Carla Santos.






domingo, 17 de fevereiro de 2019

O Cardo no CENTRO…das Atenções


http://gazetarural.com/2019/02/15/gazeta-rural-n-o-333-15-fevereiro-2019/


O cardo é olhado, hoje, numa perspetiva mais competente do que era quando iniciamos o projeto CARDOP em 2010 num percurso que a Gazeta Rural acompanhou literalmente desde início. Na altura, através de uma candidatura ao projeto PRODER, iniciamos este percurso com a valorização dos recursos genéticos através da instalação de um campo na Escola Superior Agrária de Viseu com base em plantas que existiam na região demarcada do Queijo Serra da Estrela e que vieram a revelar-se com uma biodiversidade morfológica e bioquímica muito bem adaptada às condições edafo-climáticas do CENTRO. Fizemos esta aposta na altura certa porque muitos desses recursos genéticos de cardo vieram a perder-se nos locais de origem onde os recolhemos em estado natural. Contudo, na minha opinião o cardo ainda está muito longe de ser considerado um recurso de futuro no CENTRO porque ainda nem foi reconhecido como ingrediente de crucial importância pela maioria daqueles que mais poderiam beneficiar com ele, os produtores de Queijos DOP do centro que são obrigados a usar o cardo como extrato coagulante para cumprir as exigências dos respetivos cardernos de encargo. Não há uma obrigatoriedade explícita que o cardo tenha que ser oriundo das regiões de denominação de origem, mas à semelhança do sal seria uma estratégia muito inteligente garantirmos no CENTRO a produção de todos os ingredientes, não deixando ao livre arbítrio de outros o controle de produção e qualidade de todos os ingredientes, o leite incluído. Obviamente que há honrosas exceções que apostaram neste trabalho desde a primeira hora, como é o caso da Casa da Insua, pela mão do Eng. José Matias que tem beneficiado de forma muito inteligente e competente e outros como a Queijaria de Germil que já tinham assegurada a autonomia de produção de flor de cardo para a produção dos seus queijos de exceção. Não podemos dar por adquirido que temos o cardo que queremos e que necessitamos, nem em termos de quantidade nem de qualidade. Continuamos a trilhar os nossos propósitos em parceria com os produtores para entendermos, alguma da variabilidade que não conseguimos ainda controlar de todo, quer ao nível do leite quer ao nível da flor cardo. Mas não tenho dúvidas que hoje temos um conhecimento técnico-científico muito mais abalizado sobre o potencial dos genótipos e ecótipos selecionados que temos colocado ao dispor dos produtores. Atualmente existem um conjunto de projetos que estão, direta ou indiretamente, relacionados com os queijos do CENTRO mas que se têm esquecido de garantir a qualidade da produção da flor. Esse trabalho, não visível, tem sido realizado de forma voluntária e graciosa por um grupo que lidero e que incluir colegas e alunos da Escola Superior Agrária, para além dos formandos da APPACDM-Viseu e de reclusos do Estabelecimento Prisional. Este ano plantamos 10000 plantas selecionadas de cardo na região que as produzimos fruto de uma parceria com a Brasplant. Em dezembro passado deu-se um passo importante para a valorização do cardo como um todo com a realização em Beja do I Simpósio do Cardo como corolário de um projeto de grande escala levado a cabo pelo CEBAL em colaboração com outras instituições do Alentejo e muito bem coordenado pela colega Fátima Duarte. Nesse momento juntaram-se um conjunto de investigadores de renome mundial que em Portugal têm desenvolvido um trabalho notável em torno do cardo, como sejam o caso do Prof. Jorge Gominho (ISA), Prof. Pedro Louro (INIAVE), para além de todos aqueles que integraram o projeto VALBIOTECYNARA. Este Simpósio tinha como objetivo avaliar aquilo que poderá vir a constituir como um novo desígnio para o cardo, assim saibamos aproveitar as aberturas políticas e as valências científicas e institucionais.
A lição plenária do congresso foi proferida em jeito de homenagem pelo Prof. Euclides Pires, o percursor, promotor, ativador que permitiu todo o processamento que se tem criado à volta do cardo com particular ênfase para a sua flor. Na qualidade ímpar de contador de histórias deu-nos uma perspetiva abrangente, atual e assertiva sobre o cardo, juntando à força da palavra o sentimento do gesto, numa alocução plena da simbiose das linguagens e das mensagens. Defendeu que “Há muito mais biodiversidade do que aquela que julgamos conhecer!”. Entretanto, temos congregado, para além da ESAV, UCatólica, UCoimbra, Biocant, muito investigadores de outras instituições, designadamente da Universidade do Porto, do Centro de Montanha do IPB, e dentro do próprio Instituto Politécnico de Viseu, como é o caso do Departamento das Madeiras que nos têm permitido conhecer mais em pormenor o potencial da multifuncionalidade desta planta de exceção. Em Abril próximo serão apresentadas novidades na feira do Mobiliário de Milão sobre a valorização de uma biomassa que tem características muito particulares e que nos permitem criar conceitos que envolvam material leve, resistente, com compostos bioactivos e óleo com vocação alimentar entre outros que acreditamos possam resultar num sucesso também para a produção de embalagens inteligentes. O Comissário Europeu da Investigação Científica e da Inovação, Eng. Carlos Moedas deu nota da multifuncionalidade do cardo como planta de futuro no lançamento do programa de Bioeconomia 2020, atendendo às suas vocações e ao rumo das alterações climáticas Foi pena que apenas tivesse dado o exemplo da Novamonte na Sicilia e não tenha referido qualquer um dos queijos DOP de exceção que produzimos em Portugal com recursos ao uso do extrato de flor de cardo e que remete para o Biotecnologia de mais fino recorte. Por último, plantamos recentemente um novo campo de cardo na Quinta da Alameda, um investimento pessoal do Luís Abrantes, como cultura que procure rentabilizar espaços menos nobres das quintas do Dão e cujas folhas possam vir a ser usadas na produção de extratos com propriedades antifúngica, especialmente na vinha e que a breve trecho teremos novidades de um estudo aprofundado que estamos a realizar. Estes são apenas alguns dos desafios que se colocam ao cardo num futuro próximo e sobre os quais temos ideias e parceiros muito bem definidos e sentimos que todos os dias podemos aprender criando sinergias entre as diversas formas de biomassa desta cultura com aplicações claramente inovadoras e de futuro respeitando o ambiente e a “bioechonomia” em proximidade!
Paulo Barracosa

terça-feira, 1 de maio de 2018

Biotecnologia sintética vs Natural


https://aventar.eu/2011/10/13/a-historia-a-ele-nao-lhe-assiste/orelhas-de-burro/

Todos reconhecemos a importância da Biotecnologia no desenvolvimento e valorização da tecnologia recombinante com todas as vantagens que daí advêm. Contudo, nem todos os grupos e instituições têm acesso a essas tecnologias, ditas de ponta. Então não teremos, nem devemos todos apostar nas mesmas tecnologias. E não é o caso de serem uns contra os outros. É constituirmos duas estratégias distintas e quem tem que decidir, que é o consumidor, que decida pela estratégia que corresponda às suas expectativas, em termos éticos, morais, de saúde, e de sabor e prazer. Em Viseu, iremos a tempo de construir um centro biotecnológico? Não! Interessa irmos fazer o que se faz a menos de 100 km daqui com toda e excelência? Não! Então o que podemos fazer? Trilhar um percurso penoso com os nossos próprios recursos. Pode parecer a luta do "David contra o Golias", mas nunca tive medo de batalhas, nem de desafios! Uma analogia pode ser feita entre a Agricultura Moderna e a Agricultura Biológica, que não deixa de ser moderna e atraente, mas que se baseia em sustentabilidade e redistribuição de recursos e dividendos localmente, reduzindo a pegada ecológica, fixando populações na ruralidade, prevenindo a erosão e os incêndios. Por isso quando se diz que não há flor para a produção de queijos, é só uma questão de querer. Não podemos pagar é a flor ao preço que se paga, mas mesmo pagando o preço justo não se compara ao preço que custa o coalho sintético. Agora não falemos, comparativamente nos custos do investimento para instalar campos de cardo e naqueles necessários para instalar uma estrutura biotecnológica. Tenho lançado vários desafios que não têm tido eco. porque se calhar não devo ser eu "Aguiar". Talvez porque "Vozes de burro" não chegam ao céu, nem que tenha "orelhas de burro" que cheguem ao céu! Tenho muito que aprender...Uma coisa dita com graça não quer dizer que seja "bendita". Estou-me a lembrar da célebre piada de alguém em cima de um cavalo, ter sido confundido com um "burro" em cima do cavalo. Eu não ando a cavalo, mas...não falta quem me tem dito algumas piadas,...."de graça"!

sexta-feira, 30 de março de 2018

Ontem fui comprar flores,....de açafrão...

... a 6800 eur/ kg em promoção! Isto remeteu-me para o que temos vindo a fazer há alguns anos, no âmbito do CARDOP e agora do CYNATURA, com as flores de cardo, e como temos sido entendidos na região. Foi outro click! acabou-se o gozo! Investi muito do meu tempo e do meu dinheiro, e continuo a investir, para ter os melhores genótipos para produção de flor de cardo que alguma vez foram usados no fabrico de Queijo, seja ele qual for, DOP ou não DOP, Português ou não. Do ora em diante quem dita as regras somos nós! Esperamos muito tempo para sermos ouvidos, como não fomos..."siga a marinha!"





segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Quando colocamos um Estabelecimento Prisional a produzir assim...

...é sinal que já não somos precisos para lhes ensinarmos nada, no que à flor de cardo diz respeito. O nosso trabalho nesta área está feito. Agora temos que procurar novas abordagens e novos sentidos para continuarmos a prospetivar novas competências para esta instituição e para os seus. Pode ser que o próximo desafio seja criar um Banco, mas à séria...




sábado, 16 de setembro de 2017

Apanhar perpétuas é uma festa e, ....cardos....parece que "picam"...

 


http://fugas.publico.pt/Viagens/377231_apanhar-perpetuas-e-uma-festa
A propósito de um texto da Luisa Pinto do público, facilmente percebemos que, em relação à mão-de-obra agrícola, há formas de dar a volta ao texto e o Cantinho das aromáticas, fá-lo de uma forma inteligente. Já nós não temos essa habilidade, por um conjunto de razões, mas talvez especialmente por que cardos..."picam"....
"Às quintas e sábados, entre Agosto e Novembro, as manhãs são de colheita de perpétuas roxas no Cantinho das Aromáticas, em Gaia.
Mas o programa de voluntariado abre as portas da quinta o ano todo, e entra toda a gente: os “potenciais agricultores profissionais”, os “urbano-depressivos da varanda”, e “os voluntários da pastilha”.
A técnica é fácil de explicar e, na verdade, é ainda mais fácil de aprender. Primeiro, coloca-se o chapéu na cabeça; depois, pendura-se no cinto das calças o saco plástico, ainda vazio. Por fim, escolhe-se um entre a mais de uma dezena de canteiros que, por esta altura do ano, estão majestosamente floridos. Então, é começar a colher. As flores dão-nos sensivelmente pela cintura, a planta das perpétuas é admiravelmente generosa, não é preciso sequer tentar levar o canteiro a eito. É só dar gosto às unhas e escolher as que têm as flores maiores: usa-se a unha, e tenta-se cortar a perpétua o mais perto possível da flor. A flor desprende-se com tanta facilidade que, rapidamente estaremos à vontade para usar as duas mãos. De repente, o saco começa a ficar alegremente cheio.
Deve dizer-se que não se trata aqui de uma corrida a ver quem enche mais sacos. Não há objectivos mínimos ou máximos, na verdade cada um apanha as que quiser. Porque é de voluntariado que aqui se trata, e a colheita de perpétuas foi mesmo a iniciativa pioneira que transformou o Cantinho das Aromáticas na primeira empresa agrícola do país a aderir à bolsa nacional do voluntariado. Foi há seis anos. A bolsa nacional entretanto extinguiu-se. Mas a procura do Cantinho das Aromáticas, para passar uma manhã de sol ou de chuva, está muito longe da extinção. E as perpétuas, sobretudo as de cor roxa, como aquelas que estamos a cortar com  a ponta dos dedos, têm muito a ver com isso.
Maria de Fátima, Luísa e Matilde são três gerações de uma mesma família, residente no Porto. O apelido “não interessa”, a motivação era clara: “Vi ontem no Facebook as fotografias do sábado passado, já ouvi falar muitas vezes, decidimos vir experimentar. É uma maneira diferente de passar a manhã. Ao ar livre”, explica Maria de Fátima, a avó. A neta, Matilde, cinco anos aguardava o reinício da escolinha, e estava a “adorar estar a apanhar flores”; a tia, Luísa, está desempregada, à procura de oportunidades no mundo da fotografia. Desta vez não trouxe a máquina, e, confessa, já se arrependeu.
A fotogenia deste Cantinho e destes canteiros é inegável, e não há câmara de nenhum telemóvel que não o confirme. Américo Cartucho, reformado da PSP, apaixonado pela fotografia e voluntário desde que o Cantinho começou a abrir as portas, será um do que mais a conhece. “Tenho uma colecção de fotos do Cantinho que é interminável. Vejo-o do meu terraço – e tenho fotos em que, às vezes, parece que estamos na Provença (França), ou na Suíça”, explica. Admite que a época das perpétuas é uma das mais bonitas, mas ele está lá todo o ano, mesmo quando é para colocar estacas, fazer envasamentos, trabalhar na estufa. “O Luís [Alves] é um poço de sabedoria. E o sentido de humor dele é excepcional. Quando não venho cá, sinto a falta”, explica. Esta quinta-feira trouxe a neta para o acompanhar e, enquanto despeja um saco cheio de perpétuas roxas, e tira a máquina da mochila que trazia às costas, avisa. “Já fiz a minha parte, agora vou procurar a aranha-tigre: não me pergunte o nome científico dela, já a vi aí a semana passada [e mostra a fotografia no ecrã da máquina] vou ver onde anda agora!”, sorri."

quarta-feira, 29 de março de 2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Há pequenas diferenças...entre Anjos e "Anjinhos"






Nas prisões Brasileiras os reclusos montam motins, para sem motivo se matarem uns aos outros. Aqui, em Portugal, os reclusos que conheço no Estabelecimento Prisional do Campo, colhem flores para "oferecer".... aos produtores de Queijo Serra da Estrela....Ele há diferenças que nos arrepiam! Com certeza que não serão todos anjos, nem anjinhos,... mas também eu não sou...!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ontem pensamos...hoje realizamos...

O meu colega António Pinto é um entusiasta e um ensaísta e eu admiro-o por isso, para além de ser um bom amigo do seu amigo. Ontem falamos dos problemas e das questões relativas à utilização e catalogação das enzimas usadas na área alimentar. Estamos a defender a utilização da flor do cardo no Queijo Serra da Estrela DOP por todo um conjunto de factores que são únicos nesse suporte, como a diversidade bioquimica e a actividade proteolítica. Contudo, para isso temos que contrapor com as técnicas mais inovadoras e modernas e temos que as realizar. Foi isso que fizemos!...com os Alunos! Queijo sem deixar resíduos de enzimas coagulantes no leite se caso isso fosse favorável ao processo, o que sinceramente não acredito. É por isto e muito mais que sabemos que a região precisava de um centro tecnológico para o queijo Serra da Estrela, para preservar a tradição mas ao mesmo tempo para procurarmos inovação e criatividade, sempre assentes na valorização da flor de cardo na qual acreditamos e que apresenta uma fonte inesgotável de aplicações. Apelidamos a flor do cardo como a "Ametista da Beira" com a qual fazemos o queijo DOP de excelência, mas hoje experimentamos "pérolas"...em leites distintos e aqui está o resultado. Eu aviso que devemos dar uma particular atenção ao leite de cabra...acredito que tem um potencial incrível e nós podemos ajudar. Será uma pena que Vale Papas abandone o seu projecto.