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sábado, 3 de janeiro de 2026

As Flores de Cardo no Projeto BCheeSE




AS FLORES DE CARDO NO PROJETO BCHEESE

As flores de cardo neste projeto, mais do que um ingrediente obrigatório que confere identidade e autenticidade, limitaram-se a servir de controlo em todos os processos de coagulações e fabricos de queijo que foram realizados ao longo de todo o BCheeSE. Não para fazer a diferença, nem apelar às diferenças nas flores de cardo, mas para não interferir nas variações, das mais diversas índoles, que se vieram a comprovar existir desde “o prado ao prato”. Este é sem dúvida um dos processos de fabrico agroalimentar mais complexos que se conhece, por envolver fenómenos bioquímicos de proteólise, coagulação, fermentação e acidificação, e toda uma biotecnologia associada a uma microbiologia inteira e exclusiva e aos saberes ancestrais. No final variou tudo o resto menos as flores de cardo. Esse foi, também, um papel importante! Saber estar por detrás do “pano de fundo” quando tudo o resto fica “à boca de sena” dando destaque a todos os outros elementos e ações da fileira para revelarem toda a sua complexidade, designadamente o maneio, pastoreio, ordenha, coagulação, dessoramento, lavagem e maturação dos queijos. Agora percebemos que antes de darmos atenção às flores de cardo, urge saber cuidar dos muitos outros elementos e fases na fileira do Queijo Serra da Estrela (QSE) DOP. Deixaram de ter o cardo como desculpa para quase tudo e quando resolverem os problemas de base podemos voltar a falar sobre como tirar todo o potencial que as flores de cardo podem trazer para esta fileira, tornando-a um exemplo de “alfaiataria de luxo” em vez do vulgo "Prêt-à-porter". Todos os extratos de flores de cardo usados nos fabricos do BCheeSE foram preparados por nós retirando o máximo rendimento de cada grama de flor usada em cada litro de leite de ovelha “Serra da Estrela”. Com pena nossa, infelizmente não o fizemos na “Churra Mondegueira” pelo facto do único produtor cujo rebanho e queijo eram exclusivos desta raça ter abandonado a atividade no corrente ano. Uma perda irreparável para a fileira que parece assistir, impavidamente, a este delapidar do património material. A flor de cardo tem, atualmente, uma relação de valorização para com o leite de ovelha de 1/100 e assim sendo parece que algo vai mal no “reino da Dinamarca”. Para a produção de um queijo de kilo usamos 10 Eur de leite e 10 cêntimos de flores de cardo. Acresce que existe uma enorme perda na rentabilidade dos extratos obtidos das flores usada no fabrico por inoperância e desconhecimento. Só com formação, interesse das queijarias e ensaios dirigidos a este propósito é que podemos transmitir, na prática, algum do conhecimento para que aqueles que dizem que as flores de cardo são muito caras, em vez de dizerem que nos são muito caras, perceberem o porquê dessa afirmação “maldosa” com o único intuito de desvalorizar aquele ingrediente que devia ser idolatrado como “Houdini” do QSE. A questão da forma como é efetuada a colheita das flores em campo é ainda um outro pormenor de grande importância que interessava que fosse entendida para saberem valorizar, não apenas a quantidade, mas também a qualidade da flor que pode alterar de forma significativa a rapidez e a forma como é realizada a coagulação, que condiciona a textura, sabores, aromas e duração do período de maturação. Concluímos que a forma como é efetuada a valorização e comercialização das flores de cardo está, nos dias de hoje, pouco distante de Columella. Mas não nos iludamos, o leite de ovelhas destas duas raças é a alma-mater do QSE e onde mais se tem que trabalhar e investir no curto prazo. Fica a restar o último ponto, “aDOPtar um cardo”! Fruto de uma “sorte”, tivemos de transplantar alguns milhares de plantas que se viram deslocadas na paisagem que lhes era pertença sem se conseguirem disseminar naturalmente. Ao longo de mais de uma década desenvolvemos na Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV) uma terceira linha de domesticação no cardo que pretendeu conjugar a produção de flores de qualidade bioquímica ímpar com a de biomassa. O sentimento e a capacidade necessários para esta concretização foram enciclopédicos e vêm traduzidos nos dicionários (1) . Tivemos de arrancar as plantas adultas, levar para outras regiões e territórios com um enorme potencial de insucesso que mais fez “perecer” uma transladação. Mas mesmo assim arriscamos, pouco tínhamos a perder! Transplantamos plantas para treze dos concelhos da região demarcada do Queijo Serra da Estrela o que foi sem dúvida um feito coletivo notável. Fizemo-lo para queijarias DOP e não só e para produtores de cardos já estabelecidos e outros que pretendiam vir a instalar-se como novos produtores de referência. Mas fomos mais longe! Levamos cardos para outras regiões como Almeida, Sertã e Oeiras com o apoio dos respetivos municípios que manifestaram interesse pelo projeto, ao contrário do nosso que apenas mostrou desprezo por todo este labor e coragem. O ideal é que no futuro as queijarias tenham a possibilidade de acesso a flores de cardo produzidas na proximidade geográfica em produtores que sejam de confiança e que preparem a “ametista da beira” da forma mais púrpura. Face à atual produção de leite podemos estimar a quantidade de flores de cardo que seriam necessárias para a região QSE e quantos hectares deveriam ser plantados para uma produção que se pudesse vir a constituir uma IGP para as flores de cardo no território. A minha esperança é que as flores de cardo possam seguir o percurso do leite de figo, que foi um coagulante de leite precursor, e que hoje é reconhecido e valorizado na indústria da cosmética e na dermoestética para corrigir imperfeições na pele inspirado nos saberes das “mezinhas” populares que são autênticas farmacopeias. Mas a história que idealizamos e que queríamos que marcasse a agenda do futuro era outra, quando no começo plantámos o primeiro jardim de cardos na Casa da Insua, a pedido do José Matias, com um paisagista de renome Miguel Thiersonnier Loureiro, colaboradores e formandos da APPACDM, os meus alunos da Escola Superior Agrária de Viseu e o José Luis Araújo esteve lá! Sinto que não crescemos nada desde então e eu tenho de me assumir como um dos incapazes, por isso talvez este possa ser o último texto que publico sobre o cardo! Bem-haja!

Transplantar, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, tem por definição: 1. Arrancar de um lugar para plantar noutro. 2. [Por extensão] Fazer passar ou passar de uma região para outra. 3. [Figurado] Trasladar.



 

domingo, 24 de novembro de 2024

Soalheira...e World Cheese Award...um caso de estudo




A Soalheira e, em particular, a Quinta do Pomar de Joaquim Duarte Alves está de parabéns por ter conquistado o Super Gold do World Cheese Awards realizado em Viseu. A Soalheira tem olho para o marketing porque usa a imagem do cardo em todos os queijos mesmo naqueles que usam coalho animal. E isso coloca algumas dúvidas sobre a real utilização da flor de cardo. No evento tive a oportunidade de falar com a família dos produtores que me confirmaram a utilização de flor de cardo provinda do Alentejo, embora o rótulo refira coalho animal e no site da própria queijaria não há qualquer referência à flor de cardo como agente coagulante. Muito provavelmente o queijo premiado terá sido produzido de modo específico para o concurso. No rótulo há a imagem de um "cardo" que não é o Cynara cardunculus, embora esta questão seja comum em outros rótulos ou sites de queijarias. Em relação ao leite é crú e proveniente de ovelhas da Serra da Gardunha das várias raças exóticas que por lá pastoreiam. E o queijo Serra da Estrela? terá ganho alguma reputação pelo facto da realização ter sido em Viseu, que tem duas freguesias que pertencem ao território DOP. E o território, as empresas e os municípios beneficiaram do investimento no evento? Espero bem que sim! Na edição dos 20 anos da Gazeta Rural escrevi algumas linhas sobre o modo como eu alvitrava que a região pudesse participar.

"Na última década o cardo e o Queijo Serra da Estrela (QSE) têm sido a minha reflexão mais assídua e a GR um dos seus maiores divulgadores e promotores. A propósito, o cenário onde pontifica o QSE DOP, que se apresenta de corpo e alma como uma das nossas melhores referências gastronómicas, servirá de mote para a realização do World Cheese Awards, em Viseu, como o maior evento mundial dedicado exclusivamente aos queijos. Este evento pelo seu mediatismo poderá servir como momento charneira para toda a fileira do QSE que, a par de outras ações como a recente candidatura a património imaterial Mundial da Unesco, pode guindar este ícone, definitivamente, ao Estrelato. Pelo investimento requerido e capacidade instalada no território esta realização deve assumir-se como um desafio para que possa ser uma montra na divulgação e promoção de todo um território, incutindo a criação de sinergias entre as mais diversas instituições, de modo que o investimento possa ter o retorno pretendido nos seus mais variados domínios e vertentes. O papel das Comunidades Intermunicipais e das Autarquias, especialmente da região QSE DOP, a par da Estrelacoop e dos produtores serão de vital importância na articulação e concretização de todo o plano que estará a ser gizado. O Instituto Politécnico de Viseu e a Universidade Europeia Eunice têm mostrado todo o interesse e disponibilidade em poderem contribuir para o sucesso do evento com a colaboração dos seus docentes, alunos e colaboradores, nos mais diversos domínios do saber, em articulação com os diversos atores procurando corresponder aos anseios dos seus promotores. Será uma ambição natural dos produtores QSE aproveitar o ensejo para garantir, ainda mais qualidade e sucesso que se traduzirá na classificação final do ranking. Será uma oportunidade de excelência para dar a conhecer in loco aos jornalistas especializados das mais diversas geografias e ao público em geral toda a capacidade e complexidade dos processos de fabrico com garantia da origem e qualidade dos ingredientes como o leite de raças ovinas autóctones (Serra da Estrela e Churra Mondegueira), flores de cardo e sal. É, ainda, desejável aproveitar o ensejo para mostrarmos a capacidade de promover e divulgar a cultura de um território “Estrela” no estabelecimento de projetos de parceria entre instituições, empresas, artesões e associações dispersas no território onde pontificam um conjunto de indústrias relacionadas, direta ou indiretamente, com a fileira do QSE e onde o burel se assume como um dos expoentes. Temos de ter a audácia de criar projetos com raízes que possam vir a frutificar de forma perene no futuro e estimular artistas plásticos para usarem a fileira do QSE como fonte de inspiração nas suas criações. A par dos argumentos apontados pelos promotores para a escolha de Viseu, a ligação da cidade ao guerreiro pastor Viriato será seguramente uma imagem simbólica na promoção do evento, permitindo evocar a história imemorial destes territórios aos cenários de pastagens naturais onde tudo começa e usar a transumância como elemento de animação. Acredito que a Confraria do Queijo Serra da Estrela poderia ter um papel interventivo com a realização de um capítulo extraordinário que pudesse congregar todas as confrarias nacionais e internacionais para enaltecer o evento e tornar este um momento único de confraternização e promoção de todos os queijos em uníssono. Pela dimensão e amplitude do evento seria desejável a existência de um(a) Comissário(a) para coadunar todas as vertentes que possam vir a estar envolvidas e deste modo amplificar o sucesso do retorno e para que todos aqueles que nos visitem possam levar na memória os saberes e os cenários onde são criados os Queijos Serra da Estrela e todos os produtos DOP da fileira onde se incluem o requeijão e o borrego Serra da Estrela."

E o IPV/Eunice? procurou apoiar o evento com voluntários e através do PRR BCheeSE com uma comunicação de promoção do Queijo Serra da Estrela DOP e...ainda pagou por isso. Nem convidados para provadores fomos! Parabéns aos organizadores que foram aqueles que mais ganharam com o evento.











































sábado, 19 de outubro de 2019

O Cardo no Centro das Atenções....Agora no Jornal do Centro

Gostaria de dizer que o jornalista do Centro José Ricardo Ferreira, foi extraordinariamente hábil ao não servir de mero retransmissor da noticia emitida pela Lusa esta semana em relação aos investigadores do IPV que estão a aplicar o cardo em mobiliário leve e ter tido o arrojo de ir mais longe e mostrar mais algumas potencialidades do cardo. Os investigadores do IPV tiveram que ir a Milão e Londres para chegarem a Viseu. Eu como não saio de Viseu e "arredores" ainda demoro mais tempo. Em 15 de junho publiquei um artigo na Gazeta Rural do José Luis Araújo que se intitulou "O Cardo no Centro das Atenções". Este está-se a tornar quase um caso à Mendel, salvaguardando as devidas distâncias. Mas se querem conhecer a história da evolução do cardo desde há quase 10 anos, a "Gazeta Rural" é uma "bíblia". O José Luis por amizade, mas acima de tudo por astúcia, tem publicado tudo no que ao cardo diz respeito. Deve ser uma  característica dos "Zés", porque o José Matias também foi o primeiro a dar atenção ao Cardo na Região, nesta nova leva, porque o João Madanelo já o fazia há muito tempo e com imenso mérito. Agora está reformado por imposição compulsiva dos atores que mandam na região. É triste mas é a verdade "nua e crua". Eu no que ao queijo da Serra da Estrela diz respeito, não devo demorar muito para me "reformar", mas no que toca ao cardo, não acredito! Em breve será na gazeta, se esta quiser, que será publicada uma primeira separata dedicada ao cardo "de fio a pavio". Estou só a aguardar a publicação internacional para depois fazê-lo em português, ainda com mais propriedade. Um agradecimento especial ao Jornal do Centro e uma felicidade enorme por serem os meus alunos que aparecem a realizar as atividades. Eles é que merecem recolher os "louros" desta travessia....














quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Investigadores do Politécnico de Viseu usam cardo para criar móveis mais leves



Com o cardo, os investigadores conseguiram criar um material mais leve e também fácil de fazer, quase como se fosse “um bolo que se leva ao forno”. Móveis foram expostos nas feiras de design de Milão e Londres.
O cardo, cuja flor é usada no fabrico do queijo, foi aproveitado por investigadores do Instituto Politécnico de Viseu (IPV) para a criação de móveis mais leves, que foram levados às feiras de design e mobiliário de Milão e de Londres.
No âmbito do projecto Lightwood — Compósitos de madeira e poliuretano inovadores, um grupo de investigadores desenvolveu uma nova tecnologia de compósitos de madeira, que foi recentemente patenteada e combina partículas de madeira e cardo com espuma de poliuretano.
“Andávamos a tentar desenvolver um produto que fosse leve, para permitir aos designers fazerem móveis de madeira que competissem com os plásticos”, explicou à agência Lusa Jorge Martins, um dos membros do projecto e docente do Departamento de Engenharia de Madeiras do IPV.
Ao ouvirem o professor da Escola Superior Agrária de Viseu Paulo Barracosa falar da planta do cardo (Cynara cardunculus), os membros do projecto aperceberam-se “da quantidade de resíduos, que parecem quase madeira, que sobrava das plantações”, depois de ser retirada a flor necessária para o queijo.
 “O arbusto tem dois metros de altura e só se aproveitam três ou quatro centímetros que estão lá em cima para fazer o queijo, o resto que está para baixo não vale para nada. Achámos que era boa ideia experimentar”, contou Jorge Martins. Segundo o docente, uma das preocupações do departamento é, precisamente, “tentar arranjar utilizações de valor acrescentado para produtos da floresta que não têm valor”. “A nossa ideia é pegar em materiais que as pessoas acham que já não valem nada e provar que podem ser usados como produto. Se houver mercado, alguém os há-de apanhar.”
Com o cardo, os investigadores conseguiram criar um material mais leve e também fácil de fazer, quase como se fosse “um bolo que se leva ao forno”, acrescentou.
Jorge Martins contou que a ideia inicial era o material ser apenas “um complemento para as indústrias do queijo”, mas “os designers acharam que tinha potencialidades do ponto de vista estético”. Estes desenharam peças de mobiliário que foram levadas para Milão e Londres, nomeadamente bancos, um móvel para guardar queijos, outro para ser usado nas queijarias na parte da maturação do queijo e um carrinho de transporte de sobremesas. “Tivemos vários convites para levar a ideia a outras feiras, só que o nosso projecto só previa duas idas”, afirmou.

Dão Events 25 Anos, um vinho com a chancela ESAV





No ano de comemoração do seu 25º Aniversário, a ESAV decidiu reeditar a produção do vinho tinto Events Touriga-Nacional, que foi produzido pela primeira vez no ano 2000, apresentado na Feira de Nelas no ano 2002. Este foi um projeto lançado para comemorar momentos marcantes e de exceção no evoluir da instituição numa partilha de prazer e conhecimento entre docentes, alunos e funcionários. A Presidência da ESAV, em parceria com os departamentos de Ecologia e Agricultura Sustentável (DEAS) e das Indústrias Agro-alimentares (DIA), a Associação de Estudantes da ESAV, a IAAS-Associação Internacional de Estudantes de Agricultura e os alunos Erasmus abraçaram este projeto que incluiu a vindima e o processo de vinificação de uvas Touriga-Nacional provenientes da Quinta da Alagoa. O processo de vinificação foi realizado e está a ser monitorizado pelos alunos da ESAV com o apoio dos docentes das áreas da viticultura e enologia, à semelhança do que aconteceu ao longo de todo o ciclo cultural da vinha desde os tratamentos até ao acompanhamento do estado de maturação. Este é um projeto que extravasa a componente científica, de vital importância para a excelência que se pretende na laboração de um ícone do Dão, mas que se pretende assumir como um exemplo de capacidade na realização que uma Instituição como a ESAV deve assumir na região, juntando vontades e competências de toda uma comunidade que se orgulha das realizações que é capaz de levar a cabo. O processo de vinificação que está a ser levado a cabo na adega do Professor João Cabral de Almeida, mas que é fruto de uma partilha de saberes dos vários docentes e alunos envolvidos, pretende criar um elemento com uma identidade muito própria que traduza num vinho exclusivo onde a tradição e as técnicas mais inovadoras se conjuguem de modo harmonioso e sinérgico cerzindo uma matriz onde os aromas e o bouquet das castas tradicionais do Dão são acompanhadas na estrutura pela ação das leveduras nativas. Este processo está a servir de exemplo prático em várias unidades curriculares dos cursos de licenciatura de Eng. Agronómica, Eng. Agroalimentar e dos Cursos de Especialização Tecnológica de Viticultura e Enologia e Agricultura Biológica da ESAV permitindo juntar o conhecimento técnico-científico com a arte do saber fazer. Este é um exemplo real que permitirá aos alunos ganharem experiência não apenas na gestão de meios humanos e mecânicos numa fase de vindimas como acompanhar de perto o evoluir do processo de maturação de um vinho ao longo de um estágio. Ao longo deste processo faremos vários momentos de prova de um produto de excelência que se pretende que seja a imagem de capacidade de uma Escola e daqueles que a compõem e que se traduza num ex-libris do qual todos nos possamos orgulhar e que passa vir a ser o cartão de visita e a prenda da ESAV a todos aqueles que nos visitam.







terça-feira, 17 de setembro de 2019

CULTIVAR LAÇOS DE CONFIANÇA E AFECTIVIDADE NO SEIO DE UMA AGRICULTURA FAMILIAR QUE SE QUER DE CARIZ BIOLÓGICO


http://gazetarural.com/2019/09/17/gazeta-rural-n-o-347-15-setembro-2019/

A Agricultura Famíliar assume-se de vital importância pelo número de explorações que representa e pelo volume de produtos agrícolas que garantem alimento para uma parte significativa da população. A agricultura familiar pode responder aos desafios que se colocam a uma sociedade tendencialmente globalizante mas que se quer sustentável, criando laços de proximidade e de confiança entre produtores e consumidores, fruto da qualidade e afetividade que conferem uma identidade a esta forma inclusiva de agricultura. Num tempo em que se vaticina que o futuro assenta em megametrópoles contra todos os indicadores de racionabilidade e razoabilidade, temos a clara sensação que pela frente nos espera uma tarefa hercúlea ao jeito de “um David contra Golias”, na qual um sistema de produção desta natureza parecia estar condenado ao fracasso, se não existirem diretivas e incentivos que promovam esta atividade. Mas pode ser que o próprio evoluir das sociedades conduza naturalmente esta prática ao sucesso na devida proporção para cada uma das realidades quer em termos de dimensão demográfica quer pela localização geográfica. A recente publicação do estatuto de Agricultura Familiar e a tendência em incentivar a produção e o consumo apelidado de “quilómetro zero”, mesmo pelas cadeias retalhistas, são um sinal que apontam numa visão de estratégias de futuro que privilegiem a proximidade física e afetiva limitando o uso de recursos despendidos em transporte. Estamos hoje perante uma realidade invertida na qual parece dar-se mais importância ao transporte comparativamente com a produção e por isso surgem estas convulsões sociais na qual aqueles que fazem do transporte o seu modo de vida pensarem poder ditar as suas regras. São estes exemplos que nos fazem acreditar ainda mais nos serviços e práticas em proximidade como tendência de futuro. Existe atualmente a convicção que os consumidores podem condicionar a produção, não apenas na variedade de produtos mas também na qualidade dos mesmos e até nas forma como são embalados. Esta relação tem que ser levada a cabo com base numa relação exigente ditada pelo conhecimento sedimentado e não por um simples fluir de modas, na qual a ancestralidade dos recursos genéticos e dos métodos empíricos de práticas agrícolas se devem harmonizar com o conhecimento técnico-científico e a inovação assentes na racionalidade e sustentabilidade. Por falar em valorização de recursos genéticos, recordo-me do melão de Vila Soeiro que se cultiva(va) na freguesia com o mesmo nome da região de Fornos de Algodres e que não se pode deixar perder para memória futura na criação de identidades que nos distingam da massificação e ajudem os pequenos produtores a terem nichos de mercado baseados na ativação de neurónios relacionados  com o prazer dos sabores, das fragâncias, da convivialidade e dos saberes. Esta como outras variedades de iguarias agrícolas, nas quais estes territórios ditos de interior são extraordinariamente ricos, deveriam ser preservados, estudados e alvo de melhoramento em projetos regionais que deveriam envolver produtores, autarquias, centros de investigação, instituições de ensino superior e o ministério da agricultura.
O uso da designação familiar acarreta em si uma responsabilidade acrescida pela força da palavra e todo o simbolismo que representa nos laços de confiança que permite criar. Mas para esta concretização há que creditar tecnicamente os seus produtores, conferindo capacidade e responsabilidade ao ato de produzir e desta forma, as relações de confiança e afetividade que podem fazer a diferença surgirão naturalmente. Têm que ser criados instrumentos de rastreabilidade e monitorização das atividades e práticas agrícolas que se vão implementando ao longo dos ciclos de produção. A estratégia de adoção das práticas da agricultura biológica, assente em princípios de equilíbrio e sustentabilidade do solo, das culturas, adequadas às épocas do ano e tendo por base uma comercialização em proximidade com redução da pegada do carbono, parece ser o melhor caminho para guindar este tipo de cultura ao sucesso que merece. Obviamente que todo este investimento tem que se traduzir na qualidade dos seus produtos não por calibres ou padronizações mas por sabores únicos que nos façam recuar às memórias de infância. As práticas agrícolas são uma das áreas onde mais se tem que apostar aliando o conhecimento empírico no combate às pragas e doenças às estratégias mais inovadoras creditadas cientificamente. O uso de fungicidas e bactericidas, de base natural, para a utilização em culturas agrícolas deve assumir-se como uma das grandes mais-valias de futuro, não numa lógica de “mezinha” mas em combinar de uma forma sinérgica as virtudes das plantas para a preservação do ecossistema com claro benefício para a saúde dos consumidores e dos nossos vindouros.
Nós como consumidores também temos a responsabilidade de procurarmos incentivar as relações de confiança com aqueles produtores de agricultura familiar que consideramos cumprirem os requisitos de qualidade, sustentabilidade, afetividade e proximidade. Sabermos ser exigentes mas dando tempo para que as relações de confiança se desenvolvam e maturem naturalmente. Se por um lado somos animais de hábitos e gostamos de comodidade, também nos cansamos cada vez mais depressa das rotinas e isso por vezes não facilita o estabelecimento de relações duradoiras, especialmente de índole afetiva. Aqui entram os prazeres proporcionados pela diversidade das iguarias que de acordo com a sazonalidade nos vão chegando pela mão daqueles em quem depositamos a confiança de alimentarem a nossa família. No meu caso a exigência é redobrada porque as minhas duas filhas são ambas nutricionistas e os Pais partilham o menu. Temos o privilégio da nossa agricultora familiar nos ir surpreendendo logo desde princípio com a chegada do cabaz semanal com uma composição de cores, formas e texturas dignas de um(a) pintor(a) naturalista à qual se aliam as inebriantes fragrâncias das ervas aromáticas que compõem o buquê. Havendo uma base comum estamos sempre ansiosos, semana após semana, em saber qual a fruta ou o legume que surge de novo porque estamos na sua época de eleição e não precisamos pedir porque ela já nos conhece os hábitos, mas acima de tudo sabe os trunfos que tem para nos surpreender todas as semanas ao longo do ano agrícola. Isto para além da confiança e laços de amizade que já damos por adquiridos mas que foram os promotores de toda esta partilha e convivência. Curioso é ser agora que estamos de férias, período em que escrevo estas linhas despretensiosas, mais sentimos a falta dos primores provindos da nossa Agricultora Familiar. Faço votos que este artigo possa ser o mote para que cada um encontre a sua alma gémea no seio da Agricultura familiar.
Bem-haja!

sábado, 15 de junho de 2019

Agora que os novos capítulos do cardo estão a entrar em floração, ...no CENTRO!







Cardo apresenta-se, hoje, como uma oportunidade na região Centro de Portugal, porque, para além de bem adaptado às condições edafoclimáticas face à tendência das alterações climáticas, é no Centro que se encontram as indústrias que podem valorizar de forma muito significativa a biomassa proveniente desta espécie. Em primeiro lugar o cardo justifica-se na região pela existência dos queijos Serra da Estrela e Beira Baixa DOP que, pela regulamentação vigente, são obrigados a usar extratos de flor de cardo como ingrediente para o processo de coagulação. Mas ainda existem todos os restantes queijos não DOP que poderiam usar a flor de cardo no fabrico de queijos de leite de ovelha, cabra e vaca com vantagens acrescidas que permitiriam aumentar o leque da diversidade dos queijos do Centro. Esta opção viria a reforçar a designação DOP na qual todos os ingredientes deverão ser originários do Território de Denominação de Origem, colocando assim todo o foco no Centro, no que toca ao leite, ao cardo e até ao sal. Dando particular atenção à restante biomassa poderemos afirmar que o caule pela excecionalidade da sua estrutura que confere simultaneamente resistência e leveza, e que esteve à prova na maior feira de mobiliário do Mundo em Milão, pela mão do Departamento de Madeiras do IPV, terá uma larga aplicação na produção de estruturas de madeira leves e resistentes com função de “esqueleto” onde pode fazer toda a diferença pelo notável desempenho. Acredito que o grande destaque possa advir de peças de design capazes de arrebatar prémios de excelência no design a nível internacional e abrir um novo capítulo do cardo e que as instituições de investigação, associadas com o sector agro-pecuário e a indústria do Centro temos que assumir a responsabilidade e o desafio. Desde há muito, que venho defendendo que a área das embalagens pode vir a assumir-se como um dos grandes desígnios do Cardo nos tempos mais próximos, aliando estrutura, função e design numa lógica que poucos biomateriais poderão proporcionar de uma forma natural. O grande trunfo do cardo no Centro estabelece-se pela proximidade entre a produção de cardo e as mais diversas induústrias de transformação que é de crucial importância porque a leveza do material onera em muito o seu transporte, constituindo-se uma oportunidade de futuro a curto prazo, especialmente para terrenos incultos e de matos em toda a vasta região centro. Estamos ainda a dar particular atenção às folhas de cardo que pela diversidade em compostos bioactivos podem assumir diversas aplicações desde os biocidas e proteção de plantas até à farmacêutica, cosmética, nutrição, dietética e alimentação, sempre privilegiando os contactos e os desenvolvimentos na investigação com o potencial industrial do Centro. As sementes têm sido uma das formas de biomassa onde mais se tem avançado, designadamente na produção de óleos e bioplásticos, embora ainda possam assumir-se como complemento na alimentação animal pela elevada teor de proteínas. Desenhar formas de produção adequadas as diversas tipologias de exploração é o objetivo a que nos propomos quando solicitam a nossa colaboração. Não queremos unicidades, mas formas de diferenciação valorizadas. Este tem sido o nosso desígnio desde há anos, mas nunca senti estar tão perto de alcançar uma parte significativa dos objetivos a que nos propusemos inicialmente. Temos que saber retirar de cada órgão da planta e de cada elemento da biomassa a melhor rentabilidade possível que dependerá da vocação definida e da forma como cada um dos seus utilizadores a poderá valorizar. Os pigmentos são um bom exemplo. Se a indústria queijeira não valoriza as antocianas, compostos fenólicos e flavonoides que existem nos pigmentos da flor porque não os disponibilizamos à tinturaria mais evoluída que também temos. Ou então passemos a afirmar com todas as letras que os queijos contêm na sua composição estes elementos que são vitais para a promoção da nossa saúde. O que não podemos é desperdiçar o potencial que nos é proporcionado pelas mais diversas formas de biomassa, seja a flor, caule, sementes ou folhas. Apesar de todos os esforços que têm sido feitos, e dos bons exemplos que podemos destacar, em termos gerais, a investigação ainda anda algo afastada da indústria e da sociedade e vice-versa e são normalmente os mesmos que têm acesso direto aos órgãos de decisão da política regional que define os desafios e os novos paradigmas do desenvolvimento. Na minha modesta opinião estes têm que ser muito bem definidos e desenhados, em complementaridade, e devidamente ajustados ao potencial produtivo já existente e alinhados com as tendências de futuro no que toca à sustentabilidade, economia circular e de proximidade e redução de emissão de gases com efeito de estufa. Mas façamos mais, atentemos na inovação com olhos de ver ao pormenor e inteligência sensorial!

domingo, 17 de fevereiro de 2019

O Cardo no CENTRO…das Atenções


http://gazetarural.com/2019/02/15/gazeta-rural-n-o-333-15-fevereiro-2019/


O cardo é olhado, hoje, numa perspetiva mais competente do que era quando iniciamos o projeto CARDOP em 2010 num percurso que a Gazeta Rural acompanhou literalmente desde início. Na altura, através de uma candidatura ao projeto PRODER, iniciamos este percurso com a valorização dos recursos genéticos através da instalação de um campo na Escola Superior Agrária de Viseu com base em plantas que existiam na região demarcada do Queijo Serra da Estrela e que vieram a revelar-se com uma biodiversidade morfológica e bioquímica muito bem adaptada às condições edafo-climáticas do CENTRO. Fizemos esta aposta na altura certa porque muitos desses recursos genéticos de cardo vieram a perder-se nos locais de origem onde os recolhemos em estado natural. Contudo, na minha opinião o cardo ainda está muito longe de ser considerado um recurso de futuro no CENTRO porque ainda nem foi reconhecido como ingrediente de crucial importância pela maioria daqueles que mais poderiam beneficiar com ele, os produtores de Queijos DOP do centro que são obrigados a usar o cardo como extrato coagulante para cumprir as exigências dos respetivos cardernos de encargo. Não há uma obrigatoriedade explícita que o cardo tenha que ser oriundo das regiões de denominação de origem, mas à semelhança do sal seria uma estratégia muito inteligente garantirmos no CENTRO a produção de todos os ingredientes, não deixando ao livre arbítrio de outros o controle de produção e qualidade de todos os ingredientes, o leite incluído. Obviamente que há honrosas exceções que apostaram neste trabalho desde a primeira hora, como é o caso da Casa da Insua, pela mão do Eng. José Matias que tem beneficiado de forma muito inteligente e competente e outros como a Queijaria de Germil que já tinham assegurada a autonomia de produção de flor de cardo para a produção dos seus queijos de exceção. Não podemos dar por adquirido que temos o cardo que queremos e que necessitamos, nem em termos de quantidade nem de qualidade. Continuamos a trilhar os nossos propósitos em parceria com os produtores para entendermos, alguma da variabilidade que não conseguimos ainda controlar de todo, quer ao nível do leite quer ao nível da flor cardo. Mas não tenho dúvidas que hoje temos um conhecimento técnico-científico muito mais abalizado sobre o potencial dos genótipos e ecótipos selecionados que temos colocado ao dispor dos produtores. Atualmente existem um conjunto de projetos que estão, direta ou indiretamente, relacionados com os queijos do CENTRO mas que se têm esquecido de garantir a qualidade da produção da flor. Esse trabalho, não visível, tem sido realizado de forma voluntária e graciosa por um grupo que lidero e que incluir colegas e alunos da Escola Superior Agrária, para além dos formandos da APPACDM-Viseu e de reclusos do Estabelecimento Prisional. Este ano plantamos 10000 plantas selecionadas de cardo na região que as produzimos fruto de uma parceria com a Brasplant. Em dezembro passado deu-se um passo importante para a valorização do cardo como um todo com a realização em Beja do I Simpósio do Cardo como corolário de um projeto de grande escala levado a cabo pelo CEBAL em colaboração com outras instituições do Alentejo e muito bem coordenado pela colega Fátima Duarte. Nesse momento juntaram-se um conjunto de investigadores de renome mundial que em Portugal têm desenvolvido um trabalho notável em torno do cardo, como sejam o caso do Prof. Jorge Gominho (ISA), Prof. Pedro Louro (INIAVE), para além de todos aqueles que integraram o projeto VALBIOTECYNARA. Este Simpósio tinha como objetivo avaliar aquilo que poderá vir a constituir como um novo desígnio para o cardo, assim saibamos aproveitar as aberturas políticas e as valências científicas e institucionais.
A lição plenária do congresso foi proferida em jeito de homenagem pelo Prof. Euclides Pires, o percursor, promotor, ativador que permitiu todo o processamento que se tem criado à volta do cardo com particular ênfase para a sua flor. Na qualidade ímpar de contador de histórias deu-nos uma perspetiva abrangente, atual e assertiva sobre o cardo, juntando à força da palavra o sentimento do gesto, numa alocução plena da simbiose das linguagens e das mensagens. Defendeu que “Há muito mais biodiversidade do que aquela que julgamos conhecer!”. Entretanto, temos congregado, para além da ESAV, UCatólica, UCoimbra, Biocant, muito investigadores de outras instituições, designadamente da Universidade do Porto, do Centro de Montanha do IPB, e dentro do próprio Instituto Politécnico de Viseu, como é o caso do Departamento das Madeiras que nos têm permitido conhecer mais em pormenor o potencial da multifuncionalidade desta planta de exceção. Em Abril próximo serão apresentadas novidades na feira do Mobiliário de Milão sobre a valorização de uma biomassa que tem características muito particulares e que nos permitem criar conceitos que envolvam material leve, resistente, com compostos bioactivos e óleo com vocação alimentar entre outros que acreditamos possam resultar num sucesso também para a produção de embalagens inteligentes. O Comissário Europeu da Investigação Científica e da Inovação, Eng. Carlos Moedas deu nota da multifuncionalidade do cardo como planta de futuro no lançamento do programa de Bioeconomia 2020, atendendo às suas vocações e ao rumo das alterações climáticas Foi pena que apenas tivesse dado o exemplo da Novamonte na Sicilia e não tenha referido qualquer um dos queijos DOP de exceção que produzimos em Portugal com recursos ao uso do extrato de flor de cardo e que remete para o Biotecnologia de mais fino recorte. Por último, plantamos recentemente um novo campo de cardo na Quinta da Alameda, um investimento pessoal do Luís Abrantes, como cultura que procure rentabilizar espaços menos nobres das quintas do Dão e cujas folhas possam vir a ser usadas na produção de extratos com propriedades antifúngica, especialmente na vinha e que a breve trecho teremos novidades de um estudo aprofundado que estamos a realizar. Estes são apenas alguns dos desafios que se colocam ao cardo num futuro próximo e sobre os quais temos ideias e parceiros muito bem definidos e sentimos que todos os dias podemos aprender criando sinergias entre as diversas formas de biomassa desta cultura com aplicações claramente inovadoras e de futuro respeitando o ambiente e a “bioechonomia” em proximidade!
Paulo Barracosa

terça-feira, 31 de julho de 2018

A pensar… nas férias…e no futuro do cardo!





http://gazetarural.com/2018/07/31/gazeta-rural-n-o-321-31-julho-2018/

Não podia deixar de responder ao repto da `gazeta rural´ para colaborar na edição do seu décimo quarto aniversário, mesmo sendo a primeira coisa que faço chegado às férias. Existem dois momentos no ano, a passagem do ano e o início das férias de verão, nos quais, normalmente em ambiente mais descontraído, fazemos uma avaliação e uma análise retrospetiva e procuramos gizar uma estratégia de futuro para almejarmos atingir os objetivos a que nos havíamos proposto, muitas vezes obrigando-nos a mudar de rota ou de modus operandi. É certo que nas férias procuramos fazer aquilo que nos dá prazer, por isso escrevo esta crónica, buscando a inspiração no sapal da ria formosa que tenho como fundo, um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade e funcionalidade e que melhor conheço.
Uma tendência atual é existirem cada vez mais especialistas, em temáticas cada vez mais especializadas, parecendo querer desvalorizar aqueles que dominando distintas áreas ajudem a estabelecer pontes e unir pontas. Por isso, as equipas de projeto ou de negócio, são vastas, por vezes demasiado vastas, quer no número de instituições quer nas suas composições e aquilo que, numa primeira análise, poderia ser uma vantagem pode tornar-se num óbice se não existir uma coordenação competente e partilhada. Na `gazeta´ habituei-me a escrever sobre cardo, tornei-me um especialista no cardo, na opinião de alguns, mesmo sabendo pouco sobre o que o cardo ainda nos vai poder trazer. Por isso, apenas exponho aquilo que vamos fazendo na tentativa de contagiar mais alguns que vejam aqui alguns exemplos que possam ser transpostos para outras culturas ou mesmo outras áreas. Nunca existiram em Portugal tantos projetos científicos relacionados, direta ou indiretamente com o cardo, sendo que quase todos se procuram justificar com o queijo. Esta história começou com o objetivo de valorizar a cultura através do conhecimento da sua biodiversidade e dos seus recursos genéticos, através de um projeto PRODER, numa altura em que o conhecimento era limitado. Todos os projetos de sucesso na área agroalimentar começam por aqui. Depois segue-se um longo percurso de instalação e produção, aquisição de conhecimento, desenvolvimento e inovação que ajude a promover a criação de produtos que respondam, simultaneamente, aos propósitos dos seus criadores e às expectativas dos consumidores. Tudo isto só é possível atingir se à qualidade e excelência aliarmos um plano de comercialização e marketing arrojado numa estratégia que queremos conceptualmente integrada e multidisciplinar.
O projeto Cynatura, alvo de distinções e méritos reconhecidos, desenvolve e cria soluções inovadoras com assinatura no cardo, através do conhecimento técnico-científico multidisciplinar numa espécie com vocações e aplicações múltiplas que, ao promover a valorização nutricional e alimentar, a saúde e bem-estar, a sustentabilidade ambiental e a integração social pode afirmar-se como uma cultura de futuro para muitas das regiões do nosso território. Este projeto procura estimular o desenvolvimento de conhecimento científico aplicado entre departamentos e unidades orgânicas do IPV e entre politécnicos, para além de outras instituições referência como universidades e centros de investigação a nível mundial. São exemplos recentes o Centro de Investigação de Montanha (CIMO) do Instituto Politécnico de Bragança com quem estamos a caracterizar os pigmentos da flor que constituem uma forma de valorização e reconhecimento de identidade e autenticidade de um produto, no caso os Queijos DOP. No Departamento de Mecânica da UP estudamos hoje o potencial do óleo da semente em aplicações que se querem inovadoras e promissoras e com o Departamento de Madeiras da ESTGV a excelência da biomassa que acreditamos poder ter aplicações interessantes fruto das suas características de leveza e resistência. Todas estas aplicações devem, em primeira instância, poder ser valorizadas por empresas da região vocacionadas para a criatividade e inovação aplicadas que se possam traduzir em mais e melhor emprego e dividendos económicos. Por isso temos vindo a estabelecer colaborações com empresas de reconhecido mérito nas mais diversas áreas da produção, desde o design de mobiliário customizado como a Movecho, queijarias como Germil, Casa da Insua e Vale da Estrela entre outras. Atualmente, no âmbito do projeto Cynatura produzimos plantas de cardo devidamente selecionadas em escala e a um custo competitivo. Para isso estabelecemos um protocolo de parceria com a Brasplanta, um viveirista nacional de referência que cumpre os requisitos e os padrões de qualidade a que nos obrigamos e que são cruciais para propagarmos a cultura e numa estratégia de afirmação na qual acreditamos.
Neste caso, como em muitos outros exemplos, é a produção agrícola que suporta toda a pirâmide de valorização da produção e transformação. Produzir com uma qualidade diferenciada de forma eficiente e sustentável perspetivando as alterações climáticas são requisitos obrigatórios para o sucesso na agricultura. Para concretizarmos este desígnio temos que produzir com menos recursos e meios, ter menos desperdícios e retirar mais dividendos económicos pela aplicação especializada dos mais diversos compostos bioativos existentes nos diversos componentes da biomassa vegetal designadamente na raiz, caule, folha, capitulo, flor e semente. A seleção, caracterização e melhoramento dos recursos genéticos permitem a criação das melhores características para a planta tendo como objetivo as suas vocações mais específicas. A flor assume-se como a força motriz do projeto, com um potencial de rentabilidade produtivo e económico, pela padronização da qualidade e especialização, procurando uma maior valorização para todos produtos onde conste como matéria-prima nas indústrias agroalimentar, cosmética e farmacêutica. Outras aplicações estão a ser desenvolvidas aproveitando a diversidade morfológica e fitoquímica, aliadas a uma elevada resistência e adaptação a diversos tipos de stresse, usando a multidisciplinariedade e a capacidade técnico-científica instalada nas várias instituições envolvidas. Para além da sua capacidade intrínseca, o cardo é uma espécie que pode valorizar outras culturas, seja na produção especializada de cogumelos com propriedades exclusivas, seja na ação biocida e proteção de outras culturas que permitem o desenvolvimento de novos produtos e conceitos agroalimentares saudáveis, exclusivos e inovadores, nutricionalmente mais evoluídos, num processo produtivo que respeita a preservação e valorização do ambiente. Todo este trabalho em torno do cardo está, neste preciso momento, a ser alvo de um estudo europeu com o intuito de poder ser validado sob ponto de vista produtivo e económico como um cultura a ser apoiada em territórios com vocações similares ao nosso. Em jeito de remate não posso de deixar de referir a criação mais recente, a cerveja de cardo, desenvolvida por um jovem empreendedor da região e à qual auguro um futuro promissor e cuja estreia mundial será agendada muito em breve para ser lançada na sua região de origem onde as identidades se revelam….e para brindarmos ao sucesso do Cardo!

Paulo Barracosa

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

“As árvores também caem tal como os poderes,…pelos podres”

http://gazetarural.com/2017/09/15/gazeta-rural-n-o-301-15-setembro-2017/

Este verão, o País tem sido assolado por uma invulgar “onda” de incêndios, com contornos dramaticamente trágicos, à qual não será alheio o ciclo eleitoral autárquico que se avizinha. Esta sucessão de eventos requer uma investigação urgente e séria, centrada na questão do fogo e do ordenamento florestal, mas que envolva matérias de índole social, cultural e económica numa multidisciplinaridade transversal que ajude a encontrar razões que expliquem aquilo que nos querem fazer crer como um fatalismo. Somos caso único, na europa e no mundo, e porventura não seremos o território mais afetado pelas alterações climáticas que já se fazem sentir de um modo evidente. O estado, através do poder central e local, tem abdicado de investir em cursos de âmbito florestal e de incentivar os Institutos Politécnicos a fazerem essa aposta. Por outro lado, os Institutos deviam usar os seus recursos técnico-científicos e o know-how, humanos e materiais, para estudarem este drama, porque ninguém conhece melhor este território que aqueles que vivem e sofrem este pesadelo in loco e na pele. Fala-se agora, com uma tónica mais vincada e explícita de incendiários e fogo posto, com o concomitante aumento de detenções e prisões preventivas. Urge estudar estas sociedades do interior, enquanto as há, e identificar a quem convém e quem beneficia com estas tragédias, pois há sempre duas faces de uma mesma moeda. Enquanto muitos perdem poucos ganham. Ou então somos todos aqui no interior, dito profundo, “tolos e atolambados”, enquanto os inteligentes e espertos estão todos “à beira-mar plantados”! Curioso era o argumento das “trovoadas secas” que cedo se percebeu que era um “alibi” para nos distraírem e para ver se colava a tese do inevitável, quando as razões deste caos são bem mais profundas, claramente evitáveis, não vêm de “ontem”, mas têm que ser resolvidas “amanhã”.
Não bastando as árvores queimadas que matam gente válida, que raio de País é este no qual as árvores também caem e matam gente crente! A preservação do património arbóreo em ambiente urbano, a avaliação fitossanitária e biomecânica e a salvaguarda da segurança de pessoas e bens é uma das áreas científicas à qual, nas últimas duas décadas, tenho dedicado atenção. Em colaboração com colegas e alunos da ESAV temos vindo a realizar trabalhos no centro e norte do País, em cidades, parques e matas emblemáticas, mas com particular ênfase na cidade de Viseu. Não deixa de ser curioso, como alguns poderes políticos autárquicos, estão a reagir a esta nova realidade, parecendo não saberem adequar a atuação e regirem com a “cabeça quente”.
Eu sou testemunha que poucas autarquias em Portugal estarão a revelar a aposta e o cuidado com o património arbóreo como o caso do Município de Viseu. Contudo, nada do que tem sido realizado foi publicitado como um modelo de boas práticas, sendo que esta atuação não é compreensível num Município que sabe gerir de forma quase irrepreensível, pelo menos em algumas das suas áreas de atuação, a sua imagem e marketing. Há um protocolo em curso para o estudo e valorização do património arbóreo da cidade de Viseu que envolve as instituições Quercus, UTAD e ESAV/IPV/ADIV. Nós como estamos por cá, quase todos os dias temos que estar em estado de prontidão e não regateamos esforços para dar resposta às solicitações do Município, sejam pinheiros, carvalhos, palmeiras, castanheiros-da-india, tílias, freixos, cedros, entre tantas outras espécies. Este mês, após a queda de um carvalho-alvarinho no Funchal saiu, numa publicação semanal de referência nacional, uma coluna sobre o que estão a fazer os municípios para prevenirem eventos desta natureza. Referia-se que vários municípios estavam a fazer “trabalho de casa” e estranhamente de Viseu nem uma palavra. Bastaria um exemplo para mostrar o que Viseu faz que mais ninguém faz. Há alguns meses fomos solicitados para darmos um parecer sobre a instalação das condutas de gás e água na Avenida 25 de abril. Contra muitos, sugerimos que, para salvaguarda das Tilias que emolduram o postal de uma das mais bonitas entradas de Viseu, toda a instalação das infraestruturas deveria ser feita na zona do estacionamento em detrimento da opção primeira que seria no passeio. Foi uma das opções mais corretas que alguma vez defendi, porque tinha o exemplo das Tílias na circunvalação junto à rotunda Paulo VI, que vêm sendo substituídas, antes de caírem, por um erro clamoroso do passado aquando da instalação subterrânea dos cabos de alta tensão. Obviamente que houve um aumento no custo da obra, mas os benefícios justificaram largamente o investimento. Todos sabemos quanto custa um poste de eletricidade com 15 m de altura e 30 cm de diâmetro para colocar lâmpadas LED mas, comparativamente, poucos sabem avaliar o custo e os benefícios de uma árvore com um porte similar. Face a esta opção do Município, seria de esperar que tirassem os dividendos, até políticos, desta atuação. Mas nada! Estariam seguramente distraídos com alguma festa do vinho. A culpa não é do vinho! É da falta de quem puxe por outras valências e recursos da urbe, ou por não ter acesso ao círculos do poder, ou não ter poder nos seus círculos!
No trabalho realizado pela ESAV estão inventariadas na cidade de Viseu mais de 12,000 exemplares arbóreos, num trabalho coordenado pelo meu colega Professor Hélder Viana e que só tem paralelo com o que está a ser feito na cidade de Nova Iorque. Temos apresentado ao Município de Viseu outros projetos que seriam uma novidade no Mundo, mas infelizmente como ainda pensamos pequeno e arriscamos pouco, preferimos copiar, o que já por aí se faz, a sermos copiados como uma referência no Mundo. Assim, quando provarem os bombons de freixo feitos pela Chocolateria Delicia apresentados na pousada do Freixo no Porto, lembrem-se de Viseu. Primeiro temos que provar fora para depois sermos reconhecidos cá dentro. “Ele há santos que não são da casa, nem fazem milagres que apelem aos crentes que nos governam na corte celestial!”.
Este breve pensamento não pretende defender nem criticar a atuação do Município, ainda para mais, no ciclo atual que vivemos, no qual devemos ser discretos embora não possamos deixar de ser responsáveis. Contudo, não quero acreditar que com todo o trabalho no qual o Município apostou e investiu na preservação e valorização do património arbóreo da cidade de Viseu, no âmbito do protocolo estabelecido, agora pareça estar a ter uma atuação de resposta ao sucedido na Madeira, com a indicação de abate de 15 árvores no Parque Aquilino Ribeiro. Na” altura do furacão”, e quando estavam bem longe de serem atingidos, foram-se colocar exatamente no “olho do furacão” com o argumento de abaterem umas árvores, sendo que a indicação de abate de algumas vinha já do tempo do outro senhor. Há sempre um “período de nojo” que devemos respeitar pela memória dos outros e para nossa própria defesa!

Paulo Barracosa

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Tal é o meu Estado...na Gazeta...Rural



http://gazetarural.com/2017/07/16/gazeta-rural-n-o-297-15-julho-2017/
http://gazetarural.com/wp-content/uploads/2017/07/Gazeta-Rural-n%C2%BA-297.pdf

O estado é um substantivo masculino que deriva do latim Status. Já a expressão o “estado da nação” é quase como um pleonasmo porque normalmente se confunde o “estado” com a “nação” quando, na verdade, percebemos que a “nação” é o todo que inclui as partes. Já uma outra expressão “ao estado a que chegámos” remete-nos para a responsabilidade do “estado” em quase tudo o que de menos bom acontece.
Não querendo meter "a foice em seara alheia” permito-me fazer um comentário geral sobre o atual estado da nação, em particular, no que concerne ao desenvolvimento regional e no acreditar dos recursos endógenos dos territórios de interior e na forma como os podemos potenciar.
Nós temos a fileira dos vinhos como um exemplo paradigmático dessa capacidade e desse potencial. Acreditamos, estudamos e potenciamos os nossos recursos genéticos, designadamente as nossas castas, a capacidade empírica e tecnológica das nossas gentes e empresas que estamos a promover no mundo com uma estratégia de marketing forte e concertada. Tudo isto assenta numa identidade exclusiva do nosso património genético, na nossa cultura da vinha e do vinho que desenham a diversidade das paisagens e do enoturismo, neste “recanto à beira mar plantado”. É esta corrente que nasce no interior por entre vales e serras, florestas e pastagens que chega aos grandes centros de uma forma evoluída e personalizada para ajudar a promover o melhor que um País pode ter, a diversidade das suas culturas traduzidas em produção, sentimento, criatividade e inovação.
Outros sectores, como o da fileira dos queijos, deviam seguir este exemplo, mas para isso seria preciso um apoio mais efectivo e uma estratégia concertada, buscando sinergias e procurando deste modo a resolução de muitos dos seus problemas. A dinamização destes sectores poderiam contribuir igualmente para a sustentabilidade destes territórios, designadamente, através da prevenção dos incêndios nas florestas. Mas aqui rapidamente percebemos que, de uma forma genérica, as ações praticadas e a implementação dos programas e das estratégias do estado não vão ao encontro das necessidades nem daquilo que se apregoa. Na maioria dos casos quando o fazem é em prol de uns poucos através de estruturas que têm canais de acesso à informação e decisão privilegiadas. Não vamos voltar à conversa das “camas dos animais”, mas os animais são, sem qualquer sombra de dúvida, fundamentais para a salvaguarda, promoção e valorização do espaço rural e da floresta em particular. Os animais são os primeiros “sapadores da floresta”, sendo que não retiram mérito nem substituem os grupos de sapadores florestais que são fundamentais para o delineamento e execução de planos de prevenção. Estes são muitas vezes difíceis de justificar, porque não se tem a noção da estimativa do risco e a exata quantificação dos prejuízos no pós trauma.
Uma outra questão tem a ver com a valorização dos recursos da floresta, para que se possam ir retirando dividendos “palpáveis” ao longo dos anos. Aí, a inovação aliada ao setor técnico-científico tem um papel relevante a desempenhar, onde os Institutos Politécnicos em parceria com os principais Centros de Investigação e Desenvolvimento devem colaborar activamente. A proximidade geográfica e o conhecimento técnico e prático de uns e a capacidade científica e tecnológica de outros são uma simbiose estratégica fundamental que só pode redundar em êxito, através de uma escolha criteriosa de investigadores e dos respetivos consórcios.
O debate actual do Estado da Nação não pode fugir aos últimos e trágicos acontecimentos de Pedrógão Grande que “puseram a nu” algumas das fragilidades da atual política do desenvolvimento do interior pela qual eu não ponho as “mãos no fogo”. Obviamente que temos casos de sucesso, mas infelizmente são ainda poucos e “uma árvore não faz a floresta”. 
Eu assisto à análise das candidaturas de projectos e vejo a falta de sensibilidade dos decisores, a reduzida massa crítica tecnicamente válida para ocupar cargos políticos neste interior e que normalmente se assumem como meras extensões das estratégias decididas na capital. E se por alguma vez quiserem ter um “rasgo de lucidez” para agitar um status quo, rapidamente moderam o ímpeto e colocam toda a veemência no vibrar da haste da bandeira que ostentam.
Para decidirmos o rumo destes territórios, precisamos conhecer muito bem a geografia e as suas gentes. Buscar identidades e diversidade para que os territórios no seu conjunto actuem em sinergia e de forma concertada, através de planos perfeitamente adaptados a cada realidade e que não se apliquem apenas estratégias replicadas e decalcadas. O País é pequeno em escala, mas contém uma diversidade paisagística, cultural e social que merece ser avaliada, valorizada e promovida com os tais empreendedores que muitas vezes fazem a diferença em absoluta consonância com as gentes que aí.
A estratégia tem que partir do cerne, mas para isso temos que eleger quem o conhece na sua essência e não pode ser vistos por “drone” como se todos tivessem floresta, rios, paisagens, artesanato, gastronomia e pessoas. A diferença está na cultura e nas gentes que os moldaram e que saberão seguramente os melhores caminhos para o seu sucesso futuro. Obviamente que não o fazem sozinhos, mas têm que ser os atores principais.
No pós Pedrógão Grande parece que o interior e as suas populações são um problema e que nada acrescentam a uma nação. O País ia tão bem embalado com um crescimento há muito não atingido, muito por força do turismo, e eis que de repente se abateu o demónio, com a “voz de uma trovoada seca”.
Este tipo de crescimento tem que ser analisado com o devido cuidado, para que não estejamos a acentuar uma dicotomia entre grandes centros e espaço rural. Obviamente que os atores do espaço rural têm que se afirmar, mas as regras e as oportunidade têm que ser claras e iguais para todos. Os produtores têm que fazer chegar os seus primores aos grandes centros e pelas vias certas. Talvez a melhor forma de os promover não seja pela mão dos chefs Michelin que palmilham quilómetros à busca de obterem os seus rendimentos e reconhecimento. Já temos exemplos e promessas bastas de ações e eventos, entre os quais o “Queijos à Chef” é um exemplo, que não almejaram atingir os propósitos a que se propuseram.
Uma das estratégias alternativas pode ser aproveitar o sucesso de algumas estruturas e empresas do interior que, fruto de muito trabalho e empreendedorismo, encontraram os canais certos de promoção e que hoje ganharam um capital e reconhecimento nos grandes centros que permitem abrir portas a outros que cumpram os mesmos requisitos de qualidade e que demonstrem essa vontade. O futuro passa por atrair visitas mas no imediato temos que ir onde está o turismo, tirar partido dos milhões de visitantes e ficarmos com o nosso "quinhão" para trazer para cá e redistribuir nos territórios de interior e o exemplo da Chocolateria Delícia pode ser um excelente "abre olhos", porque acredito poderem e quererem ajudar outros que tenham uma qualidade irrepreensível e o mereçam.

Paulo Barracosa

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Projeto "Almond Power" ganhou o Poliempreende....e teve direito a fazer Gazeta... Rural




O projecto “Almond Power”, da Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV) foi o vencedor da fase regional do Poliempreende do Instituto Politécnico de Viseu (IPV). O júri regional escolheu o vencedor entre os nove planos de negócio que foram a concurso, após a submissão na plataforma de 27 ideias de negócio. Na sessão realizada na biblioteca da Escola Superior de Tecnologia de Viseu (ESTGV) o júri pôde apreciar e complementar a análise realizada às diferentes candidaturas e chegar a um consenso acerca das três melhores ideias de negócio que se apresentaram nesta edi- ção. Da análise das ideias de cada equipa, e com base na apresentação que estas efectuaram, o júri seleccionou as três melhores ideias apresentadas a concurso este ano, que obtiveram o prémio previsto no regulamento. O primeiro prémio foi para o projecto Almond Power (ESAV); o segundo foi para Final nacional vai decorrer em Setembro Projecto “Almond Power” disputa a final do Poliempreende em Bragança o Cynarvest Flower (ESAV); e o terceiro para UPSPOT System (ESTGV). O júri do concurso regional foi constituído por Carlos Rua, em representação do presidente do IPV; Rui Almeida, em representação da Associação Empresarial da Região de Viseu (AIRV); João Paulo Marmeleiro, em representação da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Luís Tavares, em representação do IAPMEI, e André Ferreira, em representação da JEEC-NA – Jovens Empresários e Empreendedores Católicos. A equipa classificada em primeiro lugar, “Almond Power”, constituída por Márcia Cristina Félix, aluna da ESAV, Tiago Ribeiro, diplomado do IP de Bragança, e pelo docente António Pinto e o técnico superior Rui Coutinho, ambos da ESAV, irá representar o IPV em Setembro próximo no concurso nacional do XIV Poliempreende, a disputar entre os vencedores de cada um dos institutos politécnicos do país e que este ano se realizará em Bragança, organizado pelo IPB. O Poliempreende é um concurso de ideias e de planos de negócios enraizado no carácter eminentemente prático e profissionalizante da formação ministrada nos 15 institutos politécnicos do país, nas escolas superiores não integradas e nas escolas politécnicas das universidades de Aveiro e do Algarve, que compreende um universo de mais de 100.000 alunos e 7.000 docentes. O concurso tem uma componente regional e outra nacional. A nível regional, cada instituto politécnico promove um conjunto de iniciativas que culminam com a atribuição de prémios aos três melhores projectos apresentados. Os vencedores em cada instituição são, posteriormente, submetidos à aprecia- ção de um júri que irá escolher os três melhores projectos nacionais. A coordenação nacional do Poliempreende é rotativa, estando a XIV edição do concurso, de 2017, a cargo do Politécnico de Bragança.
Os meus mais sinceros parabéns a toda a equipa e em particular aos meus colegas António Pinto e Rui Coutinho e à aluna da ESAV Márcia Niza.