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sábado, 7 de janeiro de 2012

Fazer a acta da reunião ou...liderar um processo? Ou ainda melhor... não atar nem desatar!


marcelamattar.wordpress.com
Poderia dar vários titulos a esta crónica e a esta imagem. "Nó cego ou Elemento em Rede". O IPV e a região deu um sinal claro ao mentor (Prof. Covas) de um projecto inovador, desafiante, criativo, mas... não impossivel. Ficaram claras algumas ideias, algumas debilidades e algumas potencialidades do projecto e da nossa realidade para um projecto desta natureza. Se não houver vontade e determinação, não vale a pena começarmos, seria mais uma desilusão. Eu vou investir neste projecto, em articulação com o que tenho que fazer em prol de uma região e de um produto, o Queijo Serra da Estrela. Constatámos  que estamos todos demasiado fechados, estanques e quiçá por vezes "anquilozados". Mas não temos casos de sucesso? Felizmente não nos faltam e estiveram hoje na sala mais digna do IPV, muitos deles. Era uma reunião secreta? Não! todos saberão o que se discutiu e o que daqui sairá. Temos que fazer um layout do projecto que pretendemos implementar, indicando o território alvo, os parceiros vértices, e divulgar e difundir para angariarmos patrocinadores. E quando é para começar? agora! Eu vou dar a minha ideia que poderá e deverá ser discutida, sistematizada e melhorada. Começar por pólos que estão semeados, mas que não germinaram, como foi dito. (Em aparte eu sei o que cada um disse, mas por direito de reserva dos próprios, não vou agora referi-los). Seleccionar os territórios de uma forma substantiva, com várias layers de informação, como que pareça natural e intuitivo. Definir com base nas referências adiministrativas, na geografia, a física e a sentimental, na paisagem, na cultura e história, nas dinâmicas  e nos tais pólos instalados que ainda não germinaram. Escolher num território dífícil que é este nosso, mas não impossível. Eu vou escolher não por questões sentimentais, de coração, mas de razão. Na minha opinião poderão ser as Câmaras de Moimenta da Beira, Sernancelhe, Vila Nova de Paiva e Viseu. Como? à luz de Aquilino Ribeiro. O pólo pode ser o Arbutus do Demo, e simultaneamente a marca, o local de estadia e estágio, mas voltado para fora para toda a região do DEMO, não de demónio mas de DEMOnstração. A Fundação Aquilino Ribeiro, a Cooperativa Agrícola do Távora, Ancose e a ADDLAP, teriam um papel fundamental no segundo vértice. Mas eu queria um hexágono, em que o IEFP, a CCDRC, e as Empresas lá estivessem. O Vasco Pinto, a Ervital, se ainda for possivel o Moinho da Carvalha Gorda, a Frutisilves, a Casa da Ínsua,... Mas eu já ouvi esse projecto. Sim, em 2002. Perdeu-se? não, está em estado de dormência, à semelhança das sementes que semeamos e que não vingam no imediato. Algumas só germinam após o fogo e a desgraça. É um ritual de sobrevivência. É nesta fase que estamos. Agora poderá vingar, porque as condições são dificeis, muito dificeis, não há verbas e temos que ser mais exigentes. Vamos apelar à Culinária e Gastronomia; Paisagem, Terras e Gentes; Tecnologias Agrícolas Tradicionais mas Inovadoras; Lazer, Recreio e Turismo; Artes e Tecnologia do Artesanato; Artes Multimédias e Aplicações, mas adaptados à nossa realidade. Criar um projecto que nos orgulhe, respeitando as tradições, mas com um toque tecnológico, inovador, criativo, cultural e com "coração". E o investimento? É nas pessoas e não nas infra-estruturas, porque estas já existem. Uma casa dos cantoneiros para 8-9 pessoas, casas florestais, o viveiro de vale cavalos,  laboratório, casa das artes, terrenos, animais,... Criarem uma empresa para receberem as pessoas e mostrarem o território, preparação dos locais para hospedar turistas, amigos do projecto, fazer o melhor queijo de cabra que pudermos, com  apoio da Ancose e do IPV,  produzir as melhores hortofrutícolas com o Vasco Pinto, as melhores infusões com a Ervital, os melhores cogumelos com a Frutisilves, as melhores embalagens com o Moinho. Não vamos onerar mais as autarquias, vamos dar-lhes perspectivas de futuro, tal como aos nossos jovens e motivarmo-nos com tudo isto para ver se desta vez é possível. Não será a última oportunidade, mas é esta e se não a agarramos, perdemos. Eu não admito perder esta oportunidade por falta de motivação e capacidade. Eu conto com todos, percebo os sinais, vou ser extraordinariamente exigente comigo e com aqueles que quiserem alinhar, colegas, alunos, autarquias, empresas, associações, ... Contem comigo até ao limite das minhas forças e das minhas capacidades! Vou começar a preparar o layout do projecto!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Uma antevisão, mas… não uma premonição


Sem querer fazer paralelismos ou “querenças”, acredito piamente nos nossos territórios e acima de tudo nas nossas gentes, para levar a cabo um projecto desta natureza. Temos territórios com potencial e lugares com sentimento (loci) que apelam à saudade dos nossos “avós”. Estes loci, tal como na genética, encerram a génese histórica, as características exclusivas e as capacidades, motivações e o potencial de futuro de todo um corpo. Já estão caracterizados, sob ponto de vista paisagístico, natural, antropológico, económico, social, enfim de todas as formas, quadrantes e perspectivas. Não são precisos mais estudos. Então o que falta? Implementar a inovação e a criatividade dos jovens e a experiência dos nossos “mayores”, que possam incutir o empreendedorismo “inato” destes jovens e ainda mais competência “nata”. A sinergia surge da interacção entre instituições de ensino superior, autarquias e fundações, associações, cooperativas e empresas. Querença, não surgiu por acaso. Aliás, o nome revela muito do que se quer com esse projecto. Loulé, é o reflexo de um Portugal que tem de mudar, quer queiramos quer não. Reparem neste paradigma. Os mais idosos dos “territórios desérticos” das “Terras do Demo”, deixavam os melhores terrenos, os mais produtivos, junto ás povoações, para aqueles filhos mais queridos, que os tratavam até às últimas e os das pedras, para os menos queridos, muitas vezes até de uma forma injusta, mas natural. Hoje, esses das pedras alugaram às eólicas e tiram num ano dividendos que os outros não tiram numa vida. Esta é uma história real. Este é sempre o resultado das inovações que se fazem no nosso País. Perdemos quase todos e ganha uma meia dúzia. Lá vêm as assimetrias do litoral, das fortunas e das mentalidades, que até Loulé será fértil. Mas lá, está-se a tentar inverter uma tendência, como que por osmose inversa. Por cá, temos que tentar fazer o mesmo adaptando à nossa realidade. E qual é? Querença, tem muita água, nós também. Têm orquídeas selvagens, nós também. Têm paisagem e agricultura, nós também. E mais? Temos rios, produtos de denominação de origem, queijo Serra da estrela, cabrito da gralheira, borrego, vitela de Lafões, maçã bravo de esmolfe, maçã da Beira Alta, castanha de Sernacelhe, vinha, vinho do Dão, floresta, cogumelos silvestres, mirtilos, framboesa, empresas empreendedoras, (Vasco da Rocha Pinto, Ervital, Frutisilves, Moinho da Carvalha Gorda, Cooperativa Agrícola do Távora,...), associações fantásticas com dinâmica que ajudam agricultores, produtores e outros actores a sobreviverem, e ainda cultura, história, museologia, arquitectura... Eu, estando cá há mais de uma década, "envergonho-me" de não ter conseguido ajudar ainda esta gente, que tem lutado todos os dias para sobreviver, com capacidade, inovação e esforço, como alguns daqueles que estarão cá amanhã. Não há últimas oportunidades, mas amanhã, estaremos muitos daqueles em que acredito, e para mim esta será a próxima oportunidade e tudo farei para que a possamos agarrar. Amanhã, vamos todos crescer e se isso não acontecer, pode ser que a culpa seja nossa. A batalha ainda nem começou e temos todos que estar preparados porque será, como diria Aquilino, uma Batalha sem fim.