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domingo, 25 de julho de 2021

Condomínios de Luxo...pela autenticidade

 


O jornalista Amadeu Araújo faz o favor de, pontualmente, no âmbito dos artigos que escreve no caderno de Economia do Expresso solicitar opinião sobre temas que estejam relacionados com o desenvolvimento do território rural. O desta semana tem a ver com os condomínios de aldeia. Estes projetos podem vir a ser de extraordinária importância mas para isso têm que ser muito bem concebidos e implementados. O desafio é implementar, porque "falar bem e bonito" é fácil, o difícil é levar a cabo na realidade. Mas haja a oportunidade! Eu dei o exemplo de Querença, ao qual estive, indiretamente, ligado e fui visitar na vertente de consultor e gerador de ideias para os candidatos e na vertente da dinamização política através de contactos com o Vice-Presidente da Câmara de Loulé, o meu Amigo José Graça, onde pude perceber algumas limitações para ter sucesso na implementação. Procurei durante anos dinamizar nas Terras do Demo um projeto similar. Não tive arte nem engenho político para o fazer. Apenas o Presidente de Moimenta da Beira mostrou sensibilidade e apetência para avançar. Mas na minha opinião era preciso convencer, Vila Nova de Paiva, Sernancelhe, Sátão e Viseu para fazer um contínuo e ganhar escala. A seleção dos candidatos é uma das tarefas fundamentais, assim como a atribuição de bolsas ou estágios profissionais para a autonomização dos candidatos aliada a uma responsabilização. A escolha das Aldeias modelo é outro dos elementos cruciais. A escolha da Aldeia pode determinar em larga medida a escolha dos candidatos. Mas diria que as áreas genéricas são Agronomia, Alimentar e Nutrição, Florestal, Arquitetura Paisagista, Biotecnologia, Filosofia e Sociologia, Novas Tecnologias da Informação, Geografia, Linguística, artes ... de diferentes proveniências geográficas nacionais e internacionais. Acrescentar que os cursos técnicos profissionais, vulgos CETs são de vital importância. Encontrar tutores científicos e técnicos, privilegiando aqueles com relação sentimental e afinidade ao território. Caracterizar muito bem esse território sob as mais diversas vertentes, mas esta base, na maioria dos casos está já estabelecida de grosso modo. Depois existem a particularidades e especificidades que podem fazer toda a diferença para a definição de uma identidade. Tenho ditado algumas ideias para a região raiana de Almeida e uma das mais simples mas acredito das mais bem sucedidas será fazer um encontro dos "Almeidas" por apelido ou afinidade sentimental e isso ajudaria e ajudará, porque a dinâmica foi instituída, a criar muitas sinergias e projetos com raízes fortes se devidamente coordenadas. Por exemplo alguns dos maiores astrónomos amadores Portugueses têm o apelido de Almeida e isso acredito que criará a oportunidade de esse ser um dos polos de desenvolvimento em Almeida. Cada região terá que encontrar os seus "Almeidas" e as suas apostas estratégicas. Se a área envolvente for rica em medronheiros terá que ser adaptada uma destilaria para a produção de um medronho de excelência. Uma queijaria de cabra ou ovelha tem, obrigatoriamente, que marcar presença. "O queijo quer-se sem olhos e o pão com olhos" e esta máxima deve ser usada para nos abrir os olhos tornando estes locais privilegiados para uma degustação autêntica, inesquecíveis na arte de receber e no ambiente. Estas aldeias poderão ser uns verdadeiros condomínio de luxo, onde apeteça viver, pela ambiência e autenticidade que podem vir a criar, muito em especial nestes tempos conturbados em que algumas lógicas instituídas foram alteradas. A qualidade das comunicações, mais do que a qualidade das ligações  viárias,  serão fundamentais para o sucesso, divulgação e captação de públicos para estes projetos. Estes serão locais privilegiados para a implementação de fóruns investigação e discussão, em circulo restrito, que envolvam ciência, arte e cultura. Nesta época de eleições autárquicas temos sido chamados a opinar sobre o que fazer para o desenvolvimento do Mundo Rural. Os diagnósticos estão mais que feitos desde há muitos anos. A mim o que me move é realizar. Como recado diria que os autarcas destes territórios têm que acreditar nas suas gentes, no potencial da identidade dos seus territórios e não importar urbanidades formatadas para um todo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A ESAV adere ao projecto Querença...finalmente!


Uma antiga aluna da ESAV, Sara Lopes está  no Alentejo a realizar um estágio profissional no âmbito do Projecto Aldeias Ribeirinhas de Alqueva, promovido pela EDIA S.A., que está em execução em 5 aldeias ribeirinhas (Alqueva, Luz, Póvoa de São Miguel, Capelins e Campinho) e que consiste na fixação de 15 jovens, todos eles com formação superior, tendo como objectivo a criação de negócios que possam traduzir-se como mais-valias para as aldeias e a região onde estão inseridos, potenciando os seus recursos, cultura e tradição, um pouco à imagem do Projecto Querença que decorreu no Algarve.
Efectivamente a ESAV por via desta aluna está a colaborar com a rede de projectos que Querença lançou, lá chegará o tempo em que a própria escola ou o instituto se envolvam diretamente. Não me esqueço o tempo que investi em alimentar este projecto na região da "terras do demo" em parceria com outros, como o Dr. Alfredo Simões ou o Dr. Alberto Correia. A Sara procurou ajuda no desenvolvimento do seu projecto e nós estaremos cá para ajudar. Adivinhem sobre que planta é que ela quer desenvolver o projecto...o CARDO. Aproveito para agradecer às colegas do CEBAL por terem dado a dica e prometo em breve lá ir dar o seminário há tanto tempo prometido...provavelmente no período das férias da páscoa. Desejo os maiores sucessos para o projecto das aldeias ribeirinhas do Alqueva e prometo uma visita.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Não Tinhamos que ter MEDO mas, "DEMO com Querença"

Esta não é uma verdadeira crónica, é apenas um press release de um projeto, ao qual presto aqui a minha homenagem por saberem acompanhar os tempos, as tendências, as ambições e as vontades.


Politécnico de Viana, Câmara Municipal, Cooperativa de Desenvolvimento e Juntas de Freguesia assinam protocolo para implementar "Geraz com Querença"
Cooperação para implementar "Geraz com Querença"Decorre hoje, pelas 14h30, a assinatura do Protocolo de Cooperação entre o Instituto Politécnico de Viana do Castelo [IPVC], a Câmara Municipal de Viana do Castelo, a Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada para o Desenvolvimento Sustentável de Geraz do Lima [COOPDES] e as Juntas de Freguesia de Deão, Moreira de Geraz do Lima, Santa Maria de Geraz do Lima e Santa Leocádia de Geraz do Lima. Este ato tem como intuito implementar o projeto “Geraz com Querença”, que visa promover a fixação de jovens com formação superior, promovendo a criação de negócios que possam traduzir-se como mais-valia para as freguesias, potenciando os seus recursos, cultura e tradições. O evento terá no lugar na Sala de Atos da Câmara Municipal de Viana do Castelo.



A filosofia do projeto “Geraz com Querença”, que integra a Rede Nacional de Projetos Com Querença, inspira-se e segue a metodologia do Projeto Querença, promovido naquela aldeia do concelho de Loulé, pela Universidade do Algarve, pelo Município de Loulé e pela Fundação Manuel Viegas Guerreiro. A metodologia tem por fundamento uma Ação-piloto de problem-solving e investigação-ação, “aprender, apreender e empreender no próprio local, através do contato direto com os problemas e com a população das quatro freguesias de Geraz do Lima, procurando soluções inovadoras e sustentáveis para a economia e para a sociedade local, integradas numa estratégia coerente e fortemente articulada com as populações e com os recursos endógenos”.

O concurso para recrutamento dos nove jovens licenciados e/ou mestres está aberto até ao dia 15 de Junho, sendo pretendidas competências nas áreas de formação de Agronomia, Biotecnologia, Engenharia Alimentar, Ambiente, Design, Gestão, Marketing e Comunicação Empresarial, Informática, Turismo, Desporto e Lazer, e Educação Social e Gerontológica. Ao longo do período de 9 meses (com início previsto a 1 de Setembro de 2012), os jovens vão residir numa das quatro freguesias e deverão envolver-se na vida local, perceber e entender as suas potencialidades, trocar conhecimentos e criar projetos empresariais numa perspetiva sustentável e de longo prazo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fui a Querença,...quase sem Querer!

Hoje estive em Querença, a colher as vivências in loco de uma experiência "arriscada", mas considerada uma aposta (quase) ganha...por muitos. Falei com o Vice-Presidente da autarquia de Loulé, responsável pelo projecto, com o Prof. Covas como responsável e mentor da Ualg, com um dos dinamizadores do projecto no Instituto Politécnico de Portalegre, com o João Ministro o "player" ou "pivot" em Querença, com os estagiários e por último com técnicos da DRAAlg no Patacão. Colhi imensos ensinamentos e procurei ajudar na busca de soluções e complementos ao projecto, em áreas vitais onde a alfarrobeira e o próprio cardo podem fazer a ligação da produção à biotecnologia. Julgo que esta primeira abordagem foi extraordinariamente interessante e motivadora para nós, como eventuais pretendentes a responsáveis de projectos futuros, como julgo para os próprios executores em Querença. Privei mais de perto com os jovens responsáveis pela produção agrícola, como o Tiago Aleixo e o "Filósofo" do grupo que pode e deve fazer a diferença na ligação a patamares do pensamento e culturais, normalmente não atingidos em projectos desta natureza. Fez-me lembrar o nosso provável futuro "filósofo agrícola" com o qual terei o prazer de partilhar nos candidatos aos maiores de 23 anos e com o qual espero aprender muito. No entretanto aprecebi-me da capacidade do "player" João Ministro que revela uma maturidade e uma capacidade mobilizadora invejável. Acredito que ele seja o Grande responsável por tudo isto e que, do pouco que pude observar, revelou-se com extrema capacidade de organização e responsabilidade para com todos os parceiros integrantes do projecto de Querença e que pode ser, para os novos projectos que pretender integrar a rede de Aldeias com Querença, um excelente facilitador, dinamizador e consultor face à experiência acumulada e ao conhecimento das dificuldades e virtudes que tem comungado nesta experiência com os seus estagiários, os parceiros, os promotores, as populaçãos... Querença tem condições quase inigualáveis, em termos de infra-estruturas, paisagem, produções que a tornam um caso quase único que se torna dificil replicar noutros locais. O pormenor da Escola Primária que se localiza ao lado da fundação onde estão os alunos, deve ser utilizado para procurar educar esses "pequenitos" estabelecendo uma ligação mais estreita com a professora/educadora e que possam integrar uma nova vocação do projecto assim como a própria ligação com os idosos do lar e envolver estas estruturas e as suas gentes numa lógica de ganho de respeito ao jeito da ligação afectiva entre avós e netos. Bravo e caso entendam que a minha colaboração pode ser útil, sabem que podem contar com este amigo do projecto "Querença".

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Foi uma pena!...Perdeu-se uma pequena oportunidade!

Hoje, houve mais uma reunião no âmbito do projeto “Querença”. Avançamos algo? Sim e muito…em esperança e em dúvidas! Umas são pertinentes, as outras não. Temos que definir bem o território. Mas isso terá que ser feito em consonância com os autarcas, as populações, as empresas os investigadores do IPV em função do potencial presente e futuro de uma região ou de um território. Mas terá que ser definido no curto prazo. A nível nacional temos exemplos desde uma freguesia, como é o caso de Querença, até 3 concelhos. No nosso caso seriam 4 concelhos,… um mundo! Por questão estratégica, de unificação de um território, as Terras do Demo, por repartição de custos pelas várias autarquias e de complementaridade de recursos. Eu acredito neste projeto, o Presidente de Moimenta da Beira, também, os outros julgo que se nos empenharmos também perceberão. Qual foi a oportunidade que se perdeu? Vila Nova de Paiva, tinha um “trunfo na manga”, e não o jogou. Possibilitar que os docentes da ESAV e os seus alunos fossem durante 15 dias para o Parque Arbutus do Demo, desde 27 de Fevereiro até 10 de Março, desenvolver um conjunto de projetos que possibilitariam tornar as coisas mais claras, como todos pedem. Assim teremos que escrever mais uma dúzia de páginas de “filosofia” para os convencermos e assim teríamos 15 dias de trabalho intensíssimo e depois se poderia dizer. Não foram capazes, ou... até acredito neles! A conversa ficou adiada para depois do entrudo e eu sinceramente deixei o meu disfarce de carnaval em Ourense. Não contem comigo para “palhaçadas”. “Después del Entroido será demasiado tarde…”

sábado, 28 de janeiro de 2012

Não Podemos ir a Todas, mas Esta...


É motivo de orgulho para qualquer curso, que o seu diretor possa ir em representação de todos, dar conta do seu sentir sobre os territórios, as suas gentes, os seus recursos e as suas tradições, enfim...sobre o seu potencial de uma Região. Ainda mais quando o convite, parte de uma autarquia como a de Seia, que tem objectivos e metas bem definidos, no que respeita à sustentabilidade, equidade e promoção dos seus recursos e do seu potencial produtivo. É óbvio que antes das instituições estão as pessoas, que as dirigem mas também aquelas para quem servem. E eu não conhecendo ainda o Presidente, há gente da Câmara de Seia que me encanta, pela dinâmica, simpatia e capacidade. Depois SEiA, quase que em analogia ao nome parece ser um "mar de ideias". Procuraremos corresponder às expectativas criadas, se é que foram, e procurar na nossa humildade e no nosso querer, ajudar no que for solicitado, daqui para o futuro. Aqui fica a nossa mensagem de agradecimento, da ESAV, e em especial do Curso de Ecologia e Paisagismo, para com o Municipio de Seia que será lida no final da apresentação do ECO2SEIA - Low Carbon city... se nos deixarem.

"Queríamos deixar uma palavra de agradecimento e incentivo, na pessoa do Excelentíssimo Sr. Presidente, para todo o Município de Seia e para as suas gentes, os empreendedores e… aqueles que denominamos pelos outros. Uns sem outros não são nada! Saibam alimentar os “quereres” de todos, com trabalho, força de vontade, equidade e inteligência e não se deixem “demover” pelos arautos da desgraça. Eu por mim vou dar o exemplo, hoje aqui e no futuro próximo, “Querença” e “Demover” são duas palavras que estamos a fazer “vingar”. Num tempo de inovação, na qual acreditamos, julgamos que é crucial perpetuar saberes, recriar tradições e recuperar “credos” que se estão a esvaziar dos territórios, destes nossos territórios, de essência natura e potencial biotecnológico."



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sozinhos, ...não somos "Nadie"!


ciclofemini.com.br
Assim que acabou "aquilo", ontem, devia ter escrito, mas confesso que estava em descompressão e, precisava de respirar fundo. O que aconteceu, ontem foi algo de muito estranho. Estiveram presentes, Presidentes, Vices, Técnicos muito qualificados de áreas fundamentais para o mundo rural, docentes do IPV, alunos, associações, empresas, e… Não estiveram presentes, alguns poucos, uns justificados, outros por minha falha. Assumo que não estiveram presentes representantes da Câmara de Viseu e de Sernancelhe por minha exclusiva culpa. Serei eu mesmo, a explicar a cada um deles este meu lapso. Ontem, provou-se que sózinhos não somos ninguém! Contei com a colaboração de muita gente, mesmo muita gente e que culminou numa acção que decorreu como tinha sonhado. O IPV, mostrou a “força” da sua máquina, editorial, organizacional, de capacidade técnica e até científica. O meu muito obrigado a todos aqueles que desse lado tornaram possível esta realização da Associação de Estudantes da ESAV, que assumiram a responsabilidade deste repto. Os agradecimentos vão desde o Presidente do IPV, representado na pessoa do seu Vice, Eng. Pedro Rodrigues, até à telefonista da ESAV, a Anabela, que questionava o que é que se passa? porque toda a gente quer falar consigo? Não vou enumerar todos, mas estão seguramente todos incluídos neste role. Não posso deixar de fazer um agradecimento especial ao Dr. Alberto Correia, que "gizou" o ambiente cultural e/ou a cultura ambiental à luz de Aquilino Ribeiro, para justificar aquilo que muito queremos e que nos parece natural e com escala. Ao Nuno, representante dos nossos alunos, pela capacidade e acima de tudo vontade demonstrada, no trabalho sumário apresentado. Sou por vezes acusado, que gosto de assumir protagonismos. Os que dizem isso, não me conhecem, e se calhar nunca me vão conhecer. Por vezes, temos que liderar, eu sei que não podemos agradar a todos, mas pelo menos a uma grande maioria. Eu já não me lembro do que disse ontem, o que sei é que disse com sentimento e com força. O que passou, passou, hoje é um novo dia, temos novas reuniões, se calhar ainda mais ambiciosas, temos aulas para motivar ainda mais os alunos, e temos novos desafios. O nosso próximo é no dia 25 de Janeiro, começamos ontem a trabalhar a fundo. Reunimos o DEAS, com alguns convidados, Eng. Miguel Thiersonnier, Prof. Margarida Morgado, e pensamos em voz alta sobre uma toalha branca de papel, do qual surgiu já um “esquiço”. Hoje, vou falar com a casa da ínsua, para visitarmos o local do jardim, com a APPACDM, para acondicionar as plantas, e com os alunos para treinarmos o nosso desempenho e a nossa estratégia. Vamos estar atentos nos próximos dias porque há muito trabalho para fazer.


Em relação à reunião de ontem, o próximo desafio, será uma reunião no dia 20 de Fevereiro, na Fundação Aquilino Ribeiro (Soutosa), com a presença dos cinco Presidentes de Câmara (Moimenta da Beira, Sátão, Sernancelhe, Vila Nova de Paiva e Viseu) e o nosso impulsionador, o Prof. Doutor António Covas. Até lá vamos trabalhar muito nas questões técnicas do projecto, no que se refere à definição do Território.

A todos o nosso muito obrigado!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O CEO como Limite e um Território para Criar Valor

O seminário intitulado “O CEO como limite, e um Território para Criar Valor", irá realizar-se no próximo dia 18 (quarta-feira), pelas 17:30h, na sala 1 da ESAV, uma organização da associação de estudantes da Escola Superior Agrária, coordenado pelo Professor Paulo Barracosa do Departamento de Agricultura e Ecologia Sustentável (DEAS). Este evento pretende dar a conhecer um projecto ambicioso da ESAV/IPV a implementar no território das Terras do Demo, replicando uma ideia lançada pelo Prof. Catedrático Doutor António Covas, da Universidade do Algarve, que está a ser conduzido com sucesso, desde Setembro na aldeia de Querença, no Concelho de Loulé. Neste sentido, estará previsto serem seleccionados um conjunto de alunos licenciados que irão desenvolver projectos previamente definidos pela ESAV, autaquias, empresas, fundações, associações de desenvolvimento,… para promoverem um desenvolvimento integrado e multidisciplinar, desde a cultura, artes, agricultura, ecologia e paisagismo, criatividade e inovação, num território apelidado por Aquilino Ribeiro, como as Terras Demo, mas que nós pretendemos demonstrar que são de DEMOnstração e que é possível acreditar, nas “Aldeia: gentes, terras e bichos”. Mas este é um projecto a médio prazo para ter início em Setembro do corrente ano e que à luz do título de Aquilino Ribeiro, será uma “Batalha sem Fim”. Mas até lá, pretendemos lançar um conjunto de iniciativas que nos irão por à prova para podermos levar a cabo este projecto inovador e ao mesmo tempo desafiante e extraordinariamente complexo e se possível integrados numa rede nacional de “Aldeias com Querença”, coordenados pelos mentores do Projecto do Algarve. Deste modo, iremos desenvolver três acções a curto prazo com os alunos da ESAV, designadamente dos cursos de Ecologia e Paisagismo, Eng. Agronómica, Eng. Florestal, Eng. Zootécnica e Enfermagem Veterinária. Assim, no próximo dia 25 de Janeiro, iremos criar na Casa da Ínsua, do grupo Visabeira, um jardim temático relacionado com o Queijo “Serra da Estrela”, com vocação científica e pedagógica, em conjunto com a APPACDM (Viseu), instituição com a qual colaboramos na produção de cardos (Cynara cardunculus), planta usada na produção do queijo DOP “Serra da Estrela”. Num segundo momento, na primeira quinzena de Março iremos colocar 15 alunos, já seleccionados dos vários cursos da ESAV a realizarem cinco projectos no Parque Botânico Arbutus do Demo (Vila Nova de Paiva), devidamente coordenados por professores da ESAV, em colaboração com a autarquia de Vila Nova de Paiva. No mês de Abril, lançaremos um programa que irá colocar 20 alunos em empresas de referência ligadas ao mundo rural, onde durante um dia os alunos acompanharão o CEO da empresa, por forma a conhecermos de modo mais aprofundado as realidades empresariais da região. Num último momento, nesta fase, iremos fazer uma conferência em Maio onde os alunos irão mostrar as actividades realizadas ao longo desse dia com os CEOs, seguramente marcante para as suas vidas profissionais futuras e poderão dar algumas indicações sobre que tipo de acções proporiam para eventualmente melhorarem o desempenho das empresas, num momento que se quer de discussão frutuosa, com os empresários e outros agentes da região. Este é o plano ambicioso mas possível agora é hora de trabalharmos em prol da ESAV, da região e do futuro dos nossos alunos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Uma antevisão, mas… não uma premonição


Sem querer fazer paralelismos ou “querenças”, acredito piamente nos nossos territórios e acima de tudo nas nossas gentes, para levar a cabo um projecto desta natureza. Temos territórios com potencial e lugares com sentimento (loci) que apelam à saudade dos nossos “avós”. Estes loci, tal como na genética, encerram a génese histórica, as características exclusivas e as capacidades, motivações e o potencial de futuro de todo um corpo. Já estão caracterizados, sob ponto de vista paisagístico, natural, antropológico, económico, social, enfim de todas as formas, quadrantes e perspectivas. Não são precisos mais estudos. Então o que falta? Implementar a inovação e a criatividade dos jovens e a experiência dos nossos “mayores”, que possam incutir o empreendedorismo “inato” destes jovens e ainda mais competência “nata”. A sinergia surge da interacção entre instituições de ensino superior, autarquias e fundações, associações, cooperativas e empresas. Querença, não surgiu por acaso. Aliás, o nome revela muito do que se quer com esse projecto. Loulé, é o reflexo de um Portugal que tem de mudar, quer queiramos quer não. Reparem neste paradigma. Os mais idosos dos “territórios desérticos” das “Terras do Demo”, deixavam os melhores terrenos, os mais produtivos, junto ás povoações, para aqueles filhos mais queridos, que os tratavam até às últimas e os das pedras, para os menos queridos, muitas vezes até de uma forma injusta, mas natural. Hoje, esses das pedras alugaram às eólicas e tiram num ano dividendos que os outros não tiram numa vida. Esta é uma história real. Este é sempre o resultado das inovações que se fazem no nosso País. Perdemos quase todos e ganha uma meia dúzia. Lá vêm as assimetrias do litoral, das fortunas e das mentalidades, que até Loulé será fértil. Mas lá, está-se a tentar inverter uma tendência, como que por osmose inversa. Por cá, temos que tentar fazer o mesmo adaptando à nossa realidade. E qual é? Querença, tem muita água, nós também. Têm orquídeas selvagens, nós também. Têm paisagem e agricultura, nós também. E mais? Temos rios, produtos de denominação de origem, queijo Serra da estrela, cabrito da gralheira, borrego, vitela de Lafões, maçã bravo de esmolfe, maçã da Beira Alta, castanha de Sernacelhe, vinha, vinho do Dão, floresta, cogumelos silvestres, mirtilos, framboesa, empresas empreendedoras, (Vasco da Rocha Pinto, Ervital, Frutisilves, Moinho da Carvalha Gorda, Cooperativa Agrícola do Távora,...), associações fantásticas com dinâmica que ajudam agricultores, produtores e outros actores a sobreviverem, e ainda cultura, história, museologia, arquitectura... Eu, estando cá há mais de uma década, "envergonho-me" de não ter conseguido ajudar ainda esta gente, que tem lutado todos os dias para sobreviver, com capacidade, inovação e esforço, como alguns daqueles que estarão cá amanhã. Não há últimas oportunidades, mas amanhã, estaremos muitos daqueles em que acredito, e para mim esta será a próxima oportunidade e tudo farei para que a possamos agarrar. Amanhã, vamos todos crescer e se isso não acontecer, pode ser que a culpa seja nossa. A batalha ainda nem começou e temos todos que estar preparados porque será, como diria Aquilino, uma Batalha sem fim.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Inverter... Tendências !


comunidade.sol.pt
O termo "inverter", está associado a menores consumos de energia, conseguindo que o compressor, em vez de parar, abrande o funcionamento, evitando contínuos arranques e paragens do compressor que aumentam os consumos e reduzem o tempo de vida do aparelho, possibilitando manter a temperatura real com menos variações e menor ruído. Quer isto dizer que são sistemas para "Batalhas sem fim" de longa duração, enfim como me lembra o meu amigo Rui, apelando ao título de Aquilino Ribeiro. Mas, e as tendências? São "modas", não deixadas ao livre arbítrio, mas condiconadas pelos "lobbys", pelos "opinion makers", por aqueles que são manipulados e instrumentalizados pelo poder do dinheiro e que mobilizam as "massas" como "carneiros em rebanho". No fundo temos que mudar as tendências de uma forma sustentável e o quanto a crise nos pode ajudar nesta tarefa dificil, mas agora mais facilitada. Como me avisa o meu amigo Rui "Nestes  tempos de crise e incerteza devemos ouvir os filósofos e os poetas... São sempre os mais avisados e estão à frente do seu tempo...  ". Este poderá ser o mote para uma reunião que se quer uma espécie de reserva de sonho, ao jeito de Eduardo Lourenço, mas seguindo um caminho cheio de pedras assinaladas por Carlos Drumond de Andrade.




terça-feira, 20 de setembro de 2011

É preciso ter ...."Querença"...também nas Terras do Demo!

A Universidade do Algarve lançou um Projecto em Querença, Loulé, “Da Teoria à Acção – Empreender o Mundo Real” com intuito de inventar um novo futuro: esta é a mensagem deixada por este projecto em Querença, que reúne conhecimento, vontade de mudar e acção colectiva. O objectivo consiste em mostrar uma "luz de esperança" para inverter a tendência para o despovoamento do interior do Algarve. Um grupo de nove finalistas universitários seleccionados pela Universidade do Algarve apresentou-se na aldeia de Querença, concelho de Loulé. Aqui vão viver e trabalhar nos próximos nove meses, cada um com a sua missão. O objectivo global é dar nova vida a uma terra que está a definhar. À chegada a Querença, Marlene, uma das eleitas deparou-se com "um lugar tranquilo", que puxou pelas memórias de infância. O sino da igreja anuncia as 13h, quebra o silêncio e abafa o canto da cigarra. O calor aperta, os aldeões juntam-se no café da D. Rosa, a olhar os forasteiros. Chega uma equipa de reportagem da SIC para um "directo", as atenções, por momentos, viram-se para o carro de exteriores da televisão. "O facto de estarmos num sítio isolado não nos limita, dá-nos mais responsabilidade", diz o vice-reitor da Universidade do Algarve, Sérgio Jesus, no discurso de apresentação do projecto. É a primeira vez que esta instituição universitário põe "à prova" os conhecimentos dos alunos, num projecto que pretende contrariar a tendência para o despovoamento no interior. "Os desafios são grandes", reconhece António Covas, coordenador científico do projecto. Francisco Ferro, 27 anos, licenciou-se em Filosofia e em Engenharia Agronómica. Vem de Évora, prepara-se para recuperar hortas dos vales verdes da fonte da Benémola. "É preciso é ter abertura de espírito para ir de encontra às novas realidades", diz, destacando a singularidade deste território rural, encaixado entre o barrocal e a serra do Caldeirão. "Vamos trabalhar em equipa". Anseia-se pelo surgimento de iniciativas que levem alguns destes estudantes a desenvolverem a sua própria empresa na aldeia. É essa, também, a expectativa da Câmara de Loulé e da Fundação Manuel Viegas Guerreiro que, em conjunto com a Universidade do Algarve, apresentaram uma candidatura ao Instituto de Emprego e Formação Profissional, para dar corpo a esta ideia, que envolve diferentes áreas científicas. Luís Caracinha, 22 anos, licenciado em Design e Comunicação, acha que pode "ajudar a dar a volta" à forma como esta aldeia perto da serra se poderá ligar à "aldeia global" e aos milhares de consumidores que procuram produtos ecológicos. A colega, Sara Fernandes, que se licenciou em Restauração e Catering e está a fazer um mestrado em Marketing, já pensa em comercializar "tartes de frutos silvestres" e valorizar o património gastronómico. O padre Carlos Matos juntou-se aos jovens à hora do almoço e deixou uma sugestão: "Não se esqueçam dos pratos típicos". Um dos mais conhecidos é o guisado de galo velho. A visita à igreja ficou agendada para uma próxima oportunidade. Luís Caracinha, de Cuba, é membro de um conjunto de música erudita, Esfinge. Por isso, virou o ouvido quando o pároco disse que existe um coro da igreja e que no final dos ensaios "come-se uns bolinhos e bebe-se um licor", sugerindo que o licor, às vezes, pode ser trocado por medronho. Isto é do domínio “público” e foi publicado no público. Eu não sei o que está por detrás desta ideia “carnuda e sumarenta” como a baga do medronho. O que sei é que conheço Querença, o tal guisado de Galo velho, comido no centro da vila, o licor de farrobinha, bebido ao lado num ambiente requalificado sob ponto de vista arquitectónico, enquanto vagueava na busca da biodiversidade da alfarroba por aquelas bandas. Devo-o ao Eng. José Graça, um amigo, colega na Universidade do Algarve, na AIDA, actual vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé, e ou muito me engano ou por detrás esta ideia está o seu pensamento, assertivo e pragmático que não embarca em lirismos. Este é um projecto para acompanhar com atenção e esperar que consiga almejar o sucesso. E quanto a nós?…não precisamos de reinventar a roda mas sabermos adaptarmos os projectos Premium às nossas realidades Beirãs, que não parecendo, têm muito em comum com o barrocal Algarvio. Afinal o nosso umbigo não é o centro do mundo!